ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências- Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração de Serviços de Saúde e Gerenciamento de Enfermagem (GEPAG).

PESQUISE AQUI

Carregando...

domingo, 22 de novembro de 2009

Infecções do Trato Urinário


Nos indivíduos saudáveis, a urina presente na bexiga é estéril. Ela não apresenta bactérias ou qualquer outro microrganismo infeccioso. A uretra, o canal que conduz a urina da bexiga para fora do corpo, não contém microrganismos infecciossos ou uma quantidade insuficiente para causar uma infecção. No entanto, qualquer parte do trato urinário pode tornar-se infectada. Essas infecções normalmente são classificadas como infecções do trato urinário inferior ou do trato urinário superior. Inferior referese a infecções da uretra ou da bexiga e superior refere-se a infecções dos rins ou dos ureteres.

Os microrganismos causadores de infecção comumente invadem o trato urinário através de duas vias possíveis. Uma delas (muito mais comum que a outra) é a extremidade inferior do trato urinário (no homem, o orifício localizado na glande; na mulher, o orifício uretral localizado na vulva). O resultado é uma infecção ascendente que dissemina através da uretra. A outra via possível (muito menos comum) é a corrente sangüínea, geralmente afetando diretamente os rins.

As infecções do trato urinário podem ser causadas por bactérias, vírus, fungos ou vários outros parasitas.

Bactérias: As infecções bacterianas do trato urinário inferior (bexiga e uretra) são muito comuns. Elas são mais comuns em recém-nascidos do sexo masculino que do sexo feminino, mas tornam-se cerca de 10 vezes mais comuns em meninas que em meninos em torno do primeiro ano de vida. Aproximadamente 5% das meninas adolescentes apresentam, em algum momento, uma infecção do trato urinário. Os meninos adolescentes raramente apresentam esse problema. Entre os indivíduos com idade entre 20 e 50 anos, as infecções no trato urinário são cerca de 50 vezes mais comuns em mulheres que em homens. Entre os idosos, as infecções tornam-se mais comuns tanto entre os homens quanto entre as mulheres, com uma menor diferença entre os sexos.

Mais de 85% das infecções do trato urinário são causadas por bactérias presentes no intestino ou na vagina. No entanto, as bactérias que invadem o trato urinário comumente são eliminadas pela ação de descarga da bexiga durante a micção.

Vírus: As infecções pelo vírus do herpes simples tipo 2 (HSV-2) afetam o pênis no homem e podem afetar a vulva, o períneo, as nádegas, o colo uterino ou a vagina na mulher. Quando a uretra é afetada, a micção pode tornar-se dolorosa e o esvaziamento da bexiga pode ser difícil.

Fungos: As infecções fúngicas do trato urinário são causadas mais comumente pela Candida (fungo causador da candidíase) em indivíduos com uma sonda vesical. Raramente, outros tipos de fungos, como os causadores da blastomicose (Blastomyces) ou da coccidiomicose (Coccidioides), podem também infectar o trato urinário. Fungos e bactérias freqüentemente infectam os rins ao mesmo tempo.

Parasitas: Diversos parasitas, incluindo os vermes, podem causar infecções do trato urinário. A malária, uma doença causada por parasitas protozoários transmitidos por mosquitos, pode obstruir os pequenos vasos sangüíneos renais ou pode causar uma hemólise (destruição dos eritrócitos) rápida, causando insuficiência renal aguda. A tricomoníase, a qual também é causada por um protozoário, é uma doença sexualmente transmitida que pode produzir um corrimento vaginal abundante, espumoso e com uma coloração amarelo-esverdeada. Raramente, a bexiga é infectada. Nos homens, a tricomoníase geralmente é assintomática, apesar de poder causar prostatite (inflamação da próstata).

A esquistossomose, uma infecção causada por um trematódeo, pode afetar os rins, os ureteres e a bexiga. Ela é uma causa comum de insuficiência renal grave em indivíduos que vivem no Egito e no Brasil. A infecção pode causar infecções persistentes na bexiga, as quais podem evoluir para o câncer de bexiga. A filariose, uma infecção causada por um nematódeo, causa obstrução dos vasos linfáticos, provocando a quilúria (presença de líquido linfático na urina). A filariose pode causar elefantíase (edema tissular enorme), que pode envolver a bolsa escrotal e as extremidades inferiores.

Infecções do Trato Urinário
Órgão
Infecção
Uretra
Uretrite
Bexiga
Cistite
Ureteres
Ureterite
Rins
Pielonefrite

Fatores que Contribuem para Infecções Bacterianas do Trato Urinário

Infecções Ascendentes

  • Obstrução (p.ex., cálculos) em qualquer ponto do trato urinário
  • Disfunção da bexiga, a qual impede o seu esvaziamento adequado como, ocorre nas doenças neurológicas
  • Escape da válvula localizada entre o ureter e a bexiga, permitindo o refluxo da urina e de bactérias em direção à bexiga, podendo atingir os rins
  • Passagem de um cateter urinário ou de um instrumento pelo médico
Infecções Veiculadas pelo Sangue (Hematogênicas)
  • Infecção na corrente sangüínea (septicemia)
  • Infecção das válvulas cardíacas (endocardite infecciosa)

Uretrite

A uretrite é uma infecção da uretra, o canal que conduz a urina da bexiga para fora do corpo.

A uretrite pode ser causada por bactérias, fungos ou vírus. Nas mulheres, os microrganismos geralmente deslocam-se da vagina para a uretra. Na maioria dos casos, as bactérias provêm do intestino grosso e atingem a vagina a partir do ânus. Os homens apresentam uma probabilidade muito menor de apresentar uretrite. Os microrganismos sexualmente transmitidos (p.ex.,
Neisseria gonorrhoeae, a qual causa a blenorragia ou gonorréia) atingem a vagina ou o pênis durante a relação sexual com um parceiro infectado e podem propagar-se até a uretra. Quando um homem apresenta uma uretrite, o gonococo é uma causa muito comum. Este microrganismo pode infectar a uretra nas mulheres, mas a vagina, o colo uterino, o útero, os ovários e as tubas uterinas apresentam uma maior probabilidade de serem infectados. A Chlamydia e o vírus do herpes simples podem ser transmitidos sexualmente e causar uretrite.

Sintomas

Nos homens, a uretrite comumente inicia com uma secreção (corrimento) uretral. Quando a causa é o gonococo, a secreção é purulenta (contém pus). Quando a uretrite é causada por outros microrganismos, a secreção é mucosa (contém muco). Os outros sintomas da uretrite são a dor durante a micção e uma necessidade freqüente e urgente de urinar. Uma infecção vaginal pode causar dor durante a micção quando a urina, a qual é ácida, passa sobre os lábios vaginais inflamados.

Uma infecção gonocócica da uretra não tratada ou tratada inadequadamente pode causar uma estenose (estreitamento) uretral. A estenose aumenta o risco de uretrite em uma região mais alta da uretra e, ocasionalmente, pode acarretar a formação de um abcesso em torno da uretra. O abcesso pode provocar o surgimento de divertículos uretrais (abaulamentos na parede uretral) que também podem ser infectados. Quando o abcesso perfura a pele e forma uma fístula uretral, a urina pode escoar através da mesma.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico de uretrite normalmente é estabelecido considerandose apenas os sintomas. Quando presente, é coletada uma amostra (swab uretral) da secreção. A amostra é enviada ao laboratório para análise, para que o microrganismo infeccioso possa ser identificado.

O tratamento depende da causa da infecção. Quando a infecção é bacteriana, é instituído um tratamento com antibiótios. Quando ela é causada pelo vírus do herpes simples, ela pode ser tratada com um medicamento antiviral (p.ex., aciclovir).

Cistite

A cistite é uma infecção da bexiga urinária.

As infecções da bexiga urinária são comuns em mulheres, sobretudo durante os anos férteis.

Algumas mulheres apresentam infecção da bexiga repetidamente.

As bactérias da vagina podem deslocar-se para a uretra e para o interior da bexiga. Freqüentemente, as mulheres apresentam infecções da bexiga após uma relação sexual, provavelmente porque a uretra foi contundida durante o coito. Raramente, as infecções recorrentes da bexiga nas mulheres são causadas por uma físcula vésico-vaginal (conexão anormal entre a bexiga e a vagina), sem que exista qualquer outro sintoma.

As infecções da bexiga são menos comuns nos homens e, geralmente, iniciam com uma infecção uretral que avança até a próstata e, em seguida, até a bexiga. Por outro lado, uma infecção da bexiga pode ser causada por um cateter ou instrumento utilizado durante uma cirurgia.A causa mais comum de infecções recorrentes da bexiga em homens é a infecção bacteriana persistente da próstata. Embora os antibióticos eliminem rapidamente as bactérias da urina presente na bexiga, quase todos esses medicamentos não conseguem penetrar na próstata com uma eficácia suficiente para curar uma infecção localizada nessa glândula. Conseqüentemente, quando o tratamento com antibiótico é interrompido, as bactérias que persistem na próstata tendem a reinfectar a bexiga.

Raramente, ocorre a formação de uma fístula vésico-entérica (conexão anormal entre a bexiga e o intestino), a qual, algumas vezes, permitem a invasão e a proliferação de bactérias produtoras de gás. Este tipo de infecção pode produzir pneumatúria (bolhas de ar na urina).

Sintomas

As infecções da bexiga habitualmente causam um desejo freqüente e urgente de urinar, uma sensação de queimação ou dor durante a micção. Normalmente, a dor é localizada acima da pube e, freqüentemente, na região lombar. A micção noturna freqüente é um outro sintoma. Em aproximadamente 30% dos indivíduos, a urina comumente é turva e contém sangue visível. Os sintomas podem desaparecer sem tratamento. Algumas vezes, uma infecção da bexiga não produz sintomas e é descoberta por acaso quando um exame de urina (urinálise) é realizado por alguma outra razão. As infecções da bexiga assintomáticas são particularmente comuns em indivíduos idosos, os quais pode, como conseqüência, apresentar incontinência urinária.

Um indivíduo que apresenta um comprometimento da inervação da bexiga (bexiga neurogênica) ou que permaneceu com sondagem vesical contínua pode apresentar uma infecção da bexiga assintomática até apresentar uma infecção renal ou uma febre de origem inexplicada.

Diagnóstico

O médico pode diagnosticar uma infecção da bexiga baseando-se nos sintomas típicos. É realizada a coleta de uma amostra do jato intermediário para que a urina não seja contaminada por bactérias oriundas da vagina ou da ponta do pênis. O indivíduo começa a urinar no vaso sanitário, interrompe a micção e, em seguida, urina em um recipiente estéril. A urina é examinada ao microscópio para se verificar a presença de eritrócitos, leucócitos ou outras substâncias. É realizada a contagem das bactérias presentes e uma cultura para se identificar o tipo de bactéria. Quando um indivíduo apresenta uma infecção, um tipo de bactéria normalmente está presente em grande quantidade.

Nos homens, uma amostra de urina do jato intermediário é suficiente para o estabelecimento do diagnóstico. Nas mulheres, essas amostras algumas vezes são contaminadas por bactérias oriundas da vagina. Para garantir a não contaminação da urina, o médico freqüentemente necessita coletar uma amostra de urina diretamente da bexiga com o auxílio de uma sonda.
É importante que seja descoberta a causa das infecções recidivantes freqüentes. O médico pode realizar um estudo radiográfico no qual um contraste (substância radiopaca) visível nas radiografias é injetado em uma veia e, a seguir, é excretado na urina pelos rins. As radiografias fornecem imagens dos rins, dos ureteres e da bexiga. A realização de uma uretrocistografia miccional, a qual envolve a colocação de um contraste no interior da bexiga e a realização de radiografias para a visualização de sua eliminação, é uma boa maneira de se investigar o refluxo de urina da bexiga (sobretudo em crianças) e também pode ser útil na identificação de qualquer estenose uretral presente. Na uretrografia retrógrada, o contraste é introduzido diretamente na uretra. Este exame éútil para a detecção de estenose, divertículos (protrusões) ou fístulas (conexões anormais) uretrais tanto em homens quanto em mulheres. Quando uma infecção da bexiga não melhora com o tratamento, a cistoscopia (observação direta da bexiga com o auxílio de um aparelho de visualização de fibra óptica) pode ajudar no diagnóstico do problema.

Tratamento

Nos indivíduos idosos, a infecção assintomática geralmente não exige tratamento.
Como primeira medida, a ingestão de uma grande quantidade de líquido comumente elimina uma infecção da bexiga leve. A ação de descarga da urina elimina muitas bactérias e as defesas naturais do organismo eliminam as bactérias restantes.

Antes de prescrever antibióticos, o médico deve verificar se o indivíduo apresenta qualquer distúrbio que possa agravar a infecção da bexiga como, por exemplo, anormalidades estruturais ou da inervação, diabetes ou um sistema imune debilitado que reduz a capacidade do indivíduo de combater a infecção. Esses distúrbios podem exigir um tratamento mais agressivo, sobretudo por causa da probabilidade de retorno da infecção assim que o indivíduo parar de tomar os antibióticos.

Normalmente, o tratamento com antibióticos orais durante 3 dias ou mesmo uma dose única é eficaz quando a infecção não apresenta qualquer complicação. Para as infecções mais resistentes, a antibioticoterapia é comumente mantida por um período de 7 a 10 dias. Como profilaxia (prevenção) para aqueles que apresentam mais de duas infecções da bexiga por ano, baixas doses de antibióticos podem ser utilizadas de modo contínuo. O custo anual é de apenas 25% do custo do tratamento de três ou quatro infecções anuais. Comumente o antibiótico é tomado diariamente, três vezes por semana ou imediatamente após uma relação sexual.

Vários medicamentos são utilizados para aliviar os sintomas, especialmente a urgência miccional freqüente e a micção dolorosa. Alguns medicamentos (p.ex., atropina) podem aliviar os espasmos musculares. Outros (p.ex., fenazopiridina), reduzem a dor diminuindo a inflamação dos tecidos. Freqüentemente, a alcalinização da urina alivia os sintomas e ela pode ser conseguida através da ingestão de bicarbonato de sódio dissolvido em água.

A cirurgia pode ser necessária em casos de obstrução física do fluxo urinário (uropatia obstrutiva) ou para corrigir uma anormalidade estrutural que aumenta a probabilidade de infecção (p.ex., bexiga e útero “caídos”). A drenagem da urina retida devido a uma obstrução com o auxílio de uma sonda ajuda a controlar a infecção. Comumente, um antibiótico é administrado antes da cirurgia para reduzir o risco de disseminação da infecção por todo o corpo.

Cistite Intersticial

A cistite intersticial é uma inflamação dolorosa da bexiga.

A sua causa é desconhecida, pois não são detectados microrganismos infecciosos na urina. Comumente, a cistite intersticial ocorre em mulheres de meia-idade. O sintoma principal é a micção freqüente e dolorosa. O exame microscópico da urina revela a presença de sangue e pus. Ocasionalmente, o sangue é visível na urina e pode ser necessária a realização de transfusões sangüíneas. O resultado final normalmente é uma bexiga atrofiada. O diagnóstico é estabelecido através da cistoscopia, a qual pode detectar pequenas áreas de sangramento superficial e úlceras. Vários tratamentos vêm sendo tentados, mas nenhum deles tem se revelado particularmente satisfatório. Quando um paciente apresenta sintomas intoleráveis que não respondem a qualquer tratamento, pode ser necessária a remoção cirúrgica da bexiga.

Uretrite

A ureterite é uma infecção de um ou de ambos os ureteres (tubos que conectam os rins à bexiga).

A causa mais comum é a disseminação de uma infecção renal ou vesical (da bexiga). Outra causa de ureterite é a lentidão do fluxo urinário devida a uma atividade nervosa defeituosa de uma parte do ureter. A infecção subjacente (renal ou vesical) deve ser tratada. As porções do ureter com atividade nervosa defeituosa podem ser removidas cirurgicamente.

Pielonefrite

A pielonefrite é a infecção bacteriana de um ou de ambos os rins.

Escherichia coli, uma bactéria que é normalmente encontrada no intestino grosso, é responsável por aproximadamente 90% das infecções renais entre os indivíduos que vivem em comunidade, mas por apenas cerca de 50% das que afetam os pacientes hospitalizados. Normalmente, as infecções ascendem a partir da área genital até a bexiga. Em um trato urinário saudável, a ascenção da infecção até os rins (através dos ureteres) comumente é impedida pelo fluxo urinário, o qual elimina os microrganismos, e pelo fechamento dos ureteres em seu ponto de entrada na bexiga. No entanto, qualquer obstrução física ao fluxo da urina (p.ex., cálculo renal, próstata aumentada de tamanho) ou o refluxo da urina da bexiga aos ureteres aumentam a possibilidade de uma infecção renal.

Através da corrente sangüínea, as infecções de uma outra parte do corpo também podem ser transportadas aos rins. Por exemplo, uma infecção estafilocócica da pele pode disseminar-se até os rins através da corrente sangüínea.

Outras situações que aumentam o risco de uma infecção urinária incluem a gravidez, o diabetes e condições que reduzem a capacidade do organismo de combater as infecções.

Sintomas

Normalmente, os sintomas de uma infecção renal iniciam subitamente com calafrios, febre, dor na região lombar bilateral, náusea e vômito.

Aproximadamente um terço dos indivíduos com infecção renal também apresentam sintomas de infecção do trato urinário inferior como, por exemplo, a micção freqüente e dolorosa. Um ou ambos os rins podem apresentar aumento de volume e dor à palpação. A dor à palpação é localizada na região lombar do lado afetado. Algumas vezes, pode ocorrer uma contração intensa da musculatura abdominal. O indivíduo pode apresentar crises de dor intensa causada por espasmos de um dos ureteres (cólica nefrética ou renal). Os espasmos podem ser causados pela irritação decorrente da infecção ou pela eliminação de uma cálculo renal. Nas crianças, os sintomas de uma infecção renal freqüentemente são discretos e, conseqüentemente, de reconhecimento mais difícil. Em uma pielonefrite crônica (infecção renal prolongada), a dor pode ser vaga e a febre pode surgir e desaparecer ou pode não ocorrer. A pielonefrite crônica ocorre apenas em indivíduos que apresentam anormalidades subjacentes importantes (p.ex., obstrução do trato urinário, cálculos renais grandes e persistentes ou, mais comumente, refluxo de urina da bexiga para os ureteres em crianças de baixa idade). Em última instância, a pielonefrite pode lesar os rins em uma tal extensão que eles não conseguem mais funcionar adequadamente. O resultado é a insuficiência renal.

Diagnóstico

Os sintomas típicos de um infecção renal levam o médico a solicitar dois exames laboratoriais comuns para determinar se os rins encontram-se infectados: o exame de urina (urinálise) e a cultura de uma amostra de urina (para determinar qual é o microrganismo presente).

Exames adicionais são realizados para os indivíduos que apresentam uma dor na região lombar intensa devida a uma cólica nefrética, para aqueles que não respondem à antibioticoterapia em 48 horas, para aqueles cujos sintomas retornam logo após o término da antibioticoterapia e para os homens em geral (uma vez que a infecção renal é rara em homens). Nessas situações, a ultra-sonografia ou os estudos radiográficos podem revelar a presença de cálculos renais, de anormalidades estruturais ou de outras causas de obstrução urinária.

Tratamento

A antibioticoterapia (tratamento com antibióticos) é iniciada assim que o diagnóstico de in-ecção renal parecer provável e após ser realizada a coleta de amostras de urina e de sangue para exames laboratoriais. A escolha da droga ou a sua dosagem pode ser modificada baseando-se nos resultados dos exames laboratoriais. A antibioticoterapia para evitar a recorrência da infecção renal comumente é mantida por duas semanas, podendo ser prolongada por até seis semanas para os homens, nos quais a infecção é geralmente mais difícil de ser erradicada. Normalmente, para se certificar que a infecção foi erradicada, é realizada a coleta de uma amostra de urina (jato final), 4 a 6 semanas após o término da antibioticoterapia.

Quando os exames revelam a existência de uma condição predisponente (p.ex., uma obstrução, uma anormalidade estrutural ou um cálculo), a cirurgia pode ser necessária para corrigir o problema.

Os indivíduos que apresentam infecções renais freqüentes ou cujas infecções recorrem após o término da antibioticoterapia podem ser aconselhadas a tomar diariamente uma pequena dose de um antibiótico como tratamento profilático. A duração ideal desse tratamento não é conhecida, mas, freqüentemente, ele é interrompido após um ano. Se a infecção retornar, o tratamento poderá ser mantido indefinidamente.

MANUAL MERCK