ENFERMAGE, CIÊNCIAS E SAÚDE

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências da Saúde - Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo.

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sábado, 28 de novembro de 2009

Biologia do Sangue


O sangue é uma combinação de líquido, células e partículas semelhantes à células, que circula através das artérias, capilares e veias, liberando oxigênio e nutrientes essenciais aos tecidos e eliminando dióxido de carbono e outros produtos da degradação metabólica.

Componentes Líquidos

Mais de 50% do sangue consiste em um líquido (plasma), que é composto principalmente por água que contém sais dissolvidos e proteínas. A principal proteína do plasma é a albumina. Outras são anticorpos (imunoglobulinas) e proteínas que participam do processo da coagulação. O plasma também contém hormônios, eletrólitos, gorduras, açúcares, minerais e vitaminas. O plasma faz muito mais que transportar as células sangüíneas. Ele provê um reservatório de água para o organismo, impede o colapso e a obstrução dos vasos sangüíneos e ajuda a manter a pressão arterial e a circulação através do organismo. Mais importante, os anticorpos presentes no plasma defendem ativamente o organismo contra substâncias estranhas como vírus, bactérias, fungos e células cancerosas. As proteínas que participam do processo de coagulação controlam o sangramento. Além de transportar hormônios e regular seus efeitos, o plasma resfria e aquece o sangue de acordo com a necessidade.

Componentes Celulares

Os componentes celulares do sangue são os eritrócitos, os leucócitos e as plaquetas, que se encontram suspensos no plasma. Os eritrócitos (glóbulos vermelhos) são os mais numerosos dos três componentes celulares e, normalmente, representam quase a metade do volume sangüíneo. Essas células encontram-se repletas de hemoglobina, o que lhes permite transportar oxigênio a partir dos pulmões e liberá-lo para todos os tecidos do organismo. O oxigênio é consumido para prover energia às células, deixando o dióxido de carbono como um produto metabólico, o qual os eritrócitos retiram dos tecidos e transportam até os pulmões. A quantidade dos leucócitos (glóbulos brancos) é menor, em uma proporção de 1 leucócito para cada 660 eritrócitos. Existem cinco tipos principais de leucócitos que atuam em conjunto para prover os principais mecanismos de combate contra infecções do organismo, incluindo a produção de anticorpos. Os leucócitos mais prevalentes são os neutrófilos, também denominados granulócitos por conterem grânulos cheios de enzimas. Eles ajudam a proteger o organismo contra infecções bacterianas e fúngicas e fagocitam (ingerem) partículas estranhas.

Existem dois tipos de neutrófilos: os bastonetes (imaturos) e os segmentados (maduros). Os linfócitos são divididos em dois tipos principais: os linfócitos T, que auxiliam na proteção contra as infecções virais e conseguem detectar e destruir algumas células cancerosas, e os linfócitos B, que transformam-se em células produtoras de anticorpos (células plasmáticas ou plasmócitos). Os monócitos fagocitam células mortas ou lesadas e proporcionam defesas imunológicas contra muitos organismos infecciosos. Os eosinófilos são encarregados de matar parasitas, de destruir células cancerosas e estão envolvidos nas respostas alérgicas. Os basófilos também participam em respostas alérgicas.

As plaquetas (trombócitos) são partículas semelhantes à célula e são menores do que os eritrócitos e os leucócitos. Sendo parte do mecanismo protetor do sangue de interrupção do sangramento, elas acumulam-se no local do sangramento, onde são ativadas. Após serem ativadas, elas tornam-se pegajosas e aglomeram, formando um tampão que ajuda a vedar o vaso sangüíneo e interromper o sangramento. Concomitantemente, elas liberam substâncias que ajudam no processo de coagulação. Os eritrócitos tendem a circular livremente no fluxo sangüíneo, mas isso não ocorre com os leucócitos. Muitos deles aderem às paredes dos vasos sangüíneos ou inclusive penetram nas paredes para entrar em outros tecidos. Quando os leucócitos atingem o local de uma infecção ou de um outro problema, eles liberam substâncias que atraem mais leucócitos. Os leucócitos atuam como um exército, dispersos por todo o organismo, mas preparados para a ordem imediata de se agruparem e expulsar qualquer organismo invasor.

Desenvolvimento das Células Sangüíneas

As células-tronco dividem-se e seguem vias de desenvolvimento diferentes que resultam em diferentes tipos de células sangüíneas e plaquetas. Neste diagrama, várias formas intermediárias foram omitidas.

Formação das Células do Sangue

Os eritrócitos (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas são produzidos na medula óssea. Além disso, os linfócitos também são produzidos nos linfonodos, no baço e os linfócitos T são produzidos e amadurecem no timo, que é uma pequena glândula localizada próximo do coração. O timo somente encontra-se em atividade nas crianças e nos adultos jovens. No interior da medula óssea, todas as células sangüíneas originam-se de um único tipo de célula, que é denominada célula-tronco. Quando uma célula-tronco se divide, ela inicialmente torna-se uma forma imatura de eritrócito, de leucócito ou de célula produtora de plaquetas (megacariócito). A seguir, a célula imatura se divide, amadurece e, finalmente, torna-se um eritrócito, um leucócito ou uma plaqueta. A velocidade da produção das células sangüíneas é controlada de acordo com as necessidades do organismo. Quando o conteúdo de oxigênio nos tecidos corpóreos ou o número de eritrócitos diminuem, os rins produzem e liberam eritropoietina, um hormônio que estimula a medula óssea a aumentar a produção de eritrócitos. A medula óssea produz e libera mais leucócitos (glóbulos brancos), em resposta a infecções, e mais plaquetas, em resposta ao sangramentos

Exames Laboratoriais de Sangue

Os médicos dependem de muitos exames laboratoriais diferentes de amostras de sangue para diagnosticar e controlar doenças. Alguns exames mensuram os componentes e a função do sangue em si; outros examinam substâncias presentes no sangue para determinar a função de outros órgãos. O exame de sangue mais comumente realizado é o hemograma completo, que é a avaliação básica dos componentes celulares do sangue. Este exame é realizado por equipamentos automáticos em menos de um minuto utilizando como amostra uma pequena gota de sangue. Além de determinar o número de células do sangue e plaquetas, a porcentagem de cada tipo de leucócito e o conteúdo de hemoglobina, o hemograma completo normalmente avalia o diâmetro e a forma dos eritrócitos.

Os eritrócitos anormais podem estar fragmentados ou apresentar a forma de lágrima, de lua crescente ou de agulha. Conhecer uma forma ou um diâmetro anormal específico pode ajudar o médico a diagnosticar certas doenças. Por exemplo, as células falciformes (em forma de foice) são características da doença das células falciformes; eritrócitos pequenos podem indicar o estágio inicial de uma deficiência de ferro; e eritrócitos grandes e ovalados indicam a deficiência de ácido fólico ou vitamina B12 (anemia perniciosa). Outros exames fornecem informações adicionais sobre as células sangüíneas. A contagem de reticulócitos é o número de eritrócitos recém-formados (jovens; também denominados reticulócitos) contidos em um determinado volume de sangue. Normalmente, os reticulócitos representam aproximadamente 1% do número total de eritrócitos.

Quando o organismo necessita de mais eritrócitos (p.ex., na anemia), a medula óssea comumente reage através da produção de uma quantidade maior de reticulócitos. Portanto, a contagem de reticulócitos é uma medida da função da medula óssea. Os exames destinados a determinar a fragilidade e as características de membrana do eritrócito ajudam o médico ainda mais na avaliação da causa da anemia. Os leucócitos (glóbulos brancos) podem ser contados como um grupo (contagem leucocitária total). Quando há necessidade de informações mais detalhadas, o médico solicita uma contagem dos tipos específicos de leucócitos (contagem leucocitária diferencial). As plaquetas também podem ser contadas separadamente. Um dos exames mais comuns realizados no plasma é a análise dos eletrólitos.

Coleta de uma Amostra de Medula Óssea

As amostras de medula óssea geralmente são coletadas do osso do quadril (crista ilíaca). O indivíduo pode colocar-se em decúbito lateral, de costas para o médico, com o joelho da perna de cima flexionado. Após anestesiar a pele e o tecido localizados sobre o osso, o médico insere uma agulha no mesmo e coleta a amostra da medula óssea.

Os eletrólitos incluem o sódio, o cloreto, o potássio e o bicarbonato, assim como subtâncias menos comumente mensuradas como o cálcio, o magnésio e os fosfatos. Outros exames mensuram a quantidade de proteínas (geralmente a albumina), de açúcar (glicose) e de produtos metabólicos e tóxicos que os rins normalmente filtram (creatinina e nitrogênio uréico do sangue). A maioria dos outros exames de sangue é útil para controlar a função de outros órgãos. Como o sangue transporta muitas substâncias essenciais para o funcionamento do organismo, os exames de sangue podem ser utilizados para se descobrir o que está ocorrendo no organismo. Por exemplo, a função da tireóide pode ser avaliada mais facilmente através da determinação da concentração sérica dos hormônios tireoidianos do que através da coleta direta de material da tireóide. Da mesma forma, a dosagem da concentração sérica de enzimas hepáticas e de proteínas é mais fácil do que a coleta direta de uma amostra de tecido hepático.

Exame da Medula Óssea

Algumas vezes, deve ser realizado o exame de uma amostra de medula óssea para se determinar a razão pela qual as células sangüíneas encontram- se anormais. O médico pode realizar dois tipos de coleta de amostra de medula óssea: o aspirado de medula óssea e uma biópsia nuclear de medula óssea. Geralmente, o material é coletado do osso do quadril (crista ilíaca), embora, algumas vezes, sejam realizados aspirados do esterno. Em crianças de baixa idade, a amostra é coletada de uma vértebra ou da tíbia. Ambos os tipos de amostras geralmente são coletados ao mesmo tempo. Após a realização de uma anestesia local, uma agulha pontiaguda de uma seringa é inserida no osso. Para o aspirado de medula óssea, o médico aspira com a seringa uma pequena quantidade de medula óssea macia, que pode ser espalhada sobre uma lâmina para ser examinada ao microscópio.

Exames especiais como, por exemplo, culturas para bactérias, fungos e vírus ou a análise de cromossomos, podem ser realizados utilizando-se uma parte da amostra. Apesar do aspirado freqüentemente fornecer informações suficientes para o estabelecimento do diagnóstico, o processo de aspirar a medula óssea para o interior da seringa altera a frágil estrutura da medula óssea. Conseqüentemente, a determinação da disposição original das células torna-se difícil. Quando a relação anatômica exata das células deve ser determinada e a estrutura do tecido avaliada, o médico também realiza uma biópsia nuclear. É realizada a remoção de um pequeno núcleo de medula óssea intacta com um dispositivo localizado no interior de uma agulha especial. O fragmento é preservado e cortado em lâminas finas que são examinadas ao microscópio. A coleta de uma amostra de medula óssea comumente provoca apenas uma discreta sensação de dor, acompanhada por um desconforto mínimo. O procedimento leva apenas alguns minutos para ser realizado.

fonte: Manual Merck