ENFERMAGE, CIÊNCIAS E SAÚDE

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências da Saúde - Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo.

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Abcesso pulmonar


Um abcesso pulmonar é uma cavidade cheia de pus localizada no pulmão, circundada por tecido inflamado e causada por uma infecção.

Causas

O motivo habitual da formação de um abcesso é a aspiração de bactérias originárias da boca ou garganta até o interior dos pulmões, produzindo uma infecção. O organismo sadio possui muitas defesas contra essas infecções, as quais ocorrem apenas quando essas defesas estão baixas – nos casos em que o indivíduo encontrase inconsciente ou sonolento devido a uma sedação, anestesia, consumo exagerado de bebidas alcoólicas ou uma doença do sistema nervoso. Freqüentemente, uma doença gengival é a fonte das bactérias; mas mesmo a saliva normal, quando aspirada, contém bactérias em quantidade suficiente para causar uma infecção.

Em alguns indivíduos, particularmente naqueles com mais de 40 anos de idade, um tumor pulmonar pode causar a formação de um abcesso pulmonar ao bloquear uma via aérea. A pneumonia causada por determinadas bactérias, como o Staphylococcus aureus ou a Legionella pneumophila, ou por fungos pode levar à formação de um abcesso pulmonar. Nos indivíduos com imunodeficiência, microrganismos menos comuns podem ser a causa. As causas raras incluem os êmbolos pulmonares infectados e as infecções hematogênicas (disseminadas pela corrente sangüínea).

Comumente, o indivíduo apresenta formação de apenas um abcesso pulmonar. Entretanto, quando ocorre a formação de mais abcessos, eles tipicamente ocorrem no mesmo pulmão. Se uma infecção atinge um pulmão pela corrente sangüínea, pode ocorrer a formação de muitos abcessos disseminados. Esse problema é mais comum entre os dependentes de drogas que as injetam utilizando agulhas contaminadas. Finalmente, a maioria dos abcessos rompemse no interior de uma via aérea, produzindo uma grande quantidade de escarro que deve ser expectorado através da tosse. Um abcesso que se rompe deixa uma cavidade no pulmão cheia de líquido e ar.

Algumas vezes, um abcesso drena para o interior do espaço pleural (o espaço existente entre as membranas que revestem os pulmões), enchendo-o de pus – condição denominada empiema. Raramente, um abcesso grande rompe no interior de um brônquio (uma grande via aérea que leva ar aos pulmões) e o pus espalha-se pelo pulmão, causando pneumonia e síndrome de angústia respiratória aguda. Se um abcesso destruir a parede de um vaso sangüíneo, pode ocorrer uma hemorragia grave.

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas podem começar lenta ou repentinamente. Os sintomas iniciais são semelhantes aos da pneumonia: fadiga, perda de apetite, sudorese, febre e tosse produtiva com escarro que pode apresentar estrias de sangue. Freqüentemente, o escarro possui um odor desagradável porque as bactérias provenientes da boca ou da garganta tendem a produzir odores fétidos.

O indivíduo também pode apresentar dor torácica, sobretudo quando a pleura encontrase inflamada. É impossível realizar o diagnóstico de um abcesso pulmonar baseando-se apenas nos sintomas semelhantes aos da pneumonia e nos achados do exame físico. No entanto, é possível suspeitar de um abcesso pulmonar quando os sintomas semelhantes aos da pneumonia ocorrem em um paciente que já apresenta determinados problemas, como um distúrbio do sistema nervoso, um problema de uso abusivo de álcool ou drogas ou um episódio recente de perda de consciência por qualquer motivo.

Freqüentemente, radiografias torácicas revelam a presença de um abcesso pulmonar. Contudo, quando apenas uma radiografia sugere a presença de um abcesso, é necessária a realização de uma tomografia computadorizada (TC) do tórax. As culturas de escarro podem auxiliar na identificação do microrganismo causador do abcesso.

Tratamento

A cura completa e imediata de um abcesso pulmonar exige a administração de antibióticos pela via intravenosa ou oral. O tratamento medicamentoso continua até o desaparecimento dos sintomas ou até que uma radiografia torácica demonstre o desaparecimento do abcesso. Geralmente, essa melhoria exige várias semanas ou meses de antibioticoterapia. Para auxiliar a drenagem de um abcesso pulmonar, o indivíduo deve forçar a tosse e submeter- se à fisioterapia respiratória.

Quando existe a suspeita de a causa ser uma obstrução das vias aéreas, o médico deve realizar uma broncoscopia para eliminá-la. Em aproximadamente 5% dos casos, a infecção não desaparece. Ocasionalmente, um abcesso pode ser drenado através de um tubo inserido na parede torácica até o interior do abcesso. Mais freqüentemente, o tecido pulmonar infectado deve ser removido. Em alguns casos, é necessária a remoção de um lobo pulmonar ou mesmo de um pulmão inteiro.

A taxa de mortalidade de pacientes com com abcesso pulmonar é de aproximadamente 5%. Essa porcentagem é mais elevada quando o indivíduo já se encontra debilitado, apresenta uma imunodeficiência, apresenta um câncer ou um abcesso muito grande.