ENFERMAGE, CIÊNCIAS E SAÚDE

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências da Saúde - Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo.

http://pt.slideshare.net/gersonsouza2016

sexta-feira, 30 de outubro de 2009


Medicamentos de venda livre (VL) são aqueles que podem ser adquiridos sem receita. Eles permitem que as pessoas aliviem muitos sintomas incômodos e curem algumas moléstias de forma simples e sem as despesas de uma consulta médica. Contudo, a revolução de autoterapia ocorrida nas últimas décadas, incentivada pela disponibilidade de medicamentos VL seguros e eficazes, impõe a presença de bom senso e responsabilidade.

Antecedentes Históricos

Antigamente, a maioria dos remédios podia ser comprada sem receita. Antes da criação da Food and Drug Administration (FDA), instituição norte-americana de âmbito federal, praticamente qualquer coisa podia ser colocada em uma garrafa e vendida como capaz de curar tudo. Álcool, cocaína, maconha e ópio faziam parte de alguns produtos VL, sem notificação aos consumidores.

A aprovação da Lei de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos (AM&C) em 1938 deu à FDA alguma autoridade para emitir regulamentos, mas não foram fornecidas diretrizes claras com relação aos medicamentos que deveriam ser vendidos apenas com receita e os que teriam a venda liberada sem receita.

A Lei AM&C foi reformulada em 1951, em um esforço de resolver os problemas de segurança e esclarecer a diferença entre medicamentos VL e medicamentos de receita obrigatória. Foram classificados como medicamentos de receita obrigatória os compostos potencialmente capazes de formar hábito, os tóxicos ou inseguros para uso, exceto sob supervisão médica.

Qualquer outro produto poderia ser vendido sem receita. Conforme foi observado pela Lei AM&C em 1962, os medicamentos VL tinham de ser seguros e eficazes. Mas o que funciona com uma pessoa pode não funcionar com outra. E mais: qualquer medicamento pode causar reações adversas. (Algumas pessoas referem-se a reações adversas como efeitos colaterais, mas esta última denominação não deixa claro que os efeitos adicionais são quase sempre indesejados.)

Sem um sistema organizado para comunicação das reações adversas dos medicamentos VL, a FDA e os fabricantes não têm nenhum modo de saber com segurança o quanto são comuns ou sérios esses efeitos. Por fim, uma importante mudança ocorrida recentemente foi a reclassificação de muitos medicamentos de receita obrigatória para a condição de VL.

Considerações Quanto à Segurança

Segurança é uma preocupação fundamental quando a FDA considera se um medicamento que até então estava disponível apenas com receita deve passar para o status de VL. Todos os medicamentos apresentam benefícios e riscos; certo grau de risco deve ser tolerado para que o consumidor tenha acesso aos benefícios do medicamento. Mas a definição de um grau de risco aceitável é questão de ponto de vista. A segurança de um medicamento VL depende do uso apropriado que se faz dele.

Freqüentemente o uso apropriado depende do autodiagnóstico do consumidor, o que fornece a margem de erro. Por exemplo, a maioria das dores de cabeça não é perigosa, mas, em casos raros, a dor de cabeça pode ser um aviso precoce de tumor cerebral ou de hemorragia. Do mesmo modo, o que parece ser uma azia intensa pode ser um aviso de ataque cardíaco iminente. Em suma, as pessoas devem recorrer ao bom senso ao determinar se um sintoma ou indisposição é irrelevante ou exige atenção médica.

Ao estabelecer as doses apropriadas de medicamentos VL, os fabricantes e a FDA tentam equilibrar segurança e eficácia. As pessoas que compram esse tipo de medicamento devem ler e seguir cuidadosamente as instruções. Tendo em vista que o mesmo nome de marca pode ser aplicado a formulações de liberação imediata e de liberação controlada (liberação lenta), o rótulo deve ser examinado com atenção cada vez que o produto é comprado. Não é seguro assumir que a dose é a mesma apenas pela denominação comercial.

Nos últimos anos, ocorreu verdadeira inflação de nomes de marcas; por isso, é também importante examinar os componentes e não confiar apenas em nomes de marca familiares. Por exemplo, existe mais de uma dúzia de formulações diferentes para o Tylenol, com enorme gama de componentes; nem todos os produtos chamados Maalox contêm os mesmos ingredientes – alguns contêm óxidos de alumínio e magnésio, outros, carbonato de cálcio.

Ao selecionar um produto, o consumidor deve saber qual ingrediente é mais apropriado para seu problema. Algumas pessoas sofrem reações adversas com medicamentos VL, mesmo quando tomados de modo correto. Uma rara e grave reação alérgica (anafilaxia) a analgésicos como aspirina, cetoprofeno, naproxeno ou ibuprofeno pode causar urticária, coceira, problemas respiratórios e até colapso cardiovascular.

Esses medicamentos também podem irritar o trato digestivo e, eventualmente, causar úlceras. Com freqüência, os rótulos dos medicamentos VL não listam toda gama de reações adversas possíveis. Em decorrência disso, muitas pessoas assumem que esses medicamentos têm poucos ou nenhum efeito adverso.

A bula de um analgésico, por exemplo, apenas alerta o consumidor para não tomar o remédio por mais de dez dias em caso de dor contínua; a informação na embalagem, no frasco ou na bula que acompanha o medicamento não descreve os possíveis efeitos adversos graves oriundos do uso prolongado. Em conseqüência, pessoas com dores ou inflamações crônicas chegam a tomar o remédio durante longos períodos sem perceber que esse tipo de procedimento pode causar sérios problemas.

Analgésicos e Antiinflamatórios

Os analgésicos (produtos que combatem a dor) de venda livre, como a aspirina, ibuprofeno, cetoprofeno, naproxeno e acetaminofeno, são razoavelmente seguros para uso durante períodos curtos. Todos, exceto o acetaminofeno, também reduzem as inflamações e são classificados como drogas antiinflamatórias não-esteróides (DAINEs). Seus rótulos alertam contra o uso durante mais de sete a dez dias no combate à dor. Um médico deve ser consultado se os sintomas piorarem ou não desaparecerem.

Aspirina

O mais antigo e mais barato dos analgésicos VL é a aspirina (ácido acetilsalicílico). A aspirina e outras drogas antiinflamatórias não esteróides bloqueiam a enzima cicloxigenase, crucial para a síntese das prostaglandinas. Estas são substâncias similares aos hormônios e que alteram o diâmetro dos vasos sangüíneos, elevam a temperatura do corpo em resposta à infecção e desempenham papel essencial na coagulação do sangue, entre outros efeitos. A liberação de prostaglandinas pelo corpo em resposta a alguma lesão – queimadura, fratura, entorse ou distensão – leva a inflamação, avermelhamento e inchaço.

Como uma das funções das prostaglandinas é proteger o trato digestivo contra a ação do ácido gástrico, a medicação com aspirina ou outra substância similar pode causar indigestão, úlceras e mesmo sangramento. Todas as drogas antiinflamatórias não esteróides, inclusive a aspirina, podem causar azia, indigestão e úlceras pépticas. Compostos tamponados podem diminuir os efeitos irritantes diretos da aspirina. Esses produtos contêm um antiácido que cria um ambiente alcalino para facilitar a dissolução da aspirina e reduzir o tempo de contato da droga com o revestimento do estômago.

Mas, já que o tamponamento não pode contrabalançar a diminuição na formação das prostaglandinas, a aspirina tamponada também pode irritar o estômago. A aspirina com revestimento entérico é projetada para atravessar intacta o estômago, dissolvendo- se apenas no intestino delgado, minimizando assim a irritação direta. Mas a aspirina com revestimento pode ser absorvida de forma errada.

É provável que a ingestão de alimentos retarde o esvaziamento gástrico e, portanto, retarde a absorção da aspirina com revestimento entérico e o alívio da dor. Como a aspirina pode interferir com a coagulação do sangue, pessoas que dela fazem uso com freqüência têm maior risco de sangramento. Pessoas que se contundem com facilidade podem ser especialmente vulneráveis. Qualquer pessoa que já tenha sofrido algum distúrbio hemorrágico ou hipertensivo deve evitar o uso de aspirina, exceto sob supervisão médica.

O uso simultâneo de aspirina e anticoagulantes (como a warfarina) pode causar sangramentos com risco de vida. Em geral, a aspirina não é usada na semana anterior a uma cirurgia eletiva. A aspirina também pode agravar a asma. Pessoas com pólipos nasais provavelmente exibirão chiado ao respirar se tomarem aspirina. A alergia à substância pode causar erupções ou graves dificuldades respiratórias. Grandes doses de aspirina podem fazer o usuário ouvir sons de “campainha” (zumbidos).

Crianças e adolescentes com gripe ou catapora não devem tomar aspirina, porque podem ser acometidas pela síndrome de Reye. Embora rara, essa síndrome pode ter graves conseqüências, até mesmo a morte.

Alguns Medicamentos Reclassificados como de Venda Livre

Nome Genérico Nomes de Marca Selecionados no Brasil
Acetaminofeno Tylenol, Dôrico, Acetofen, Anatyl

Acetaminofeno, fenilpropanolamina, (em associação) Sinutab

Bromofeniramina, fenilpropanolamina fenilefrina (em associação) Dimetapp

Clorefeniramina (em associação) Apracur, Benegrip, Cheracap, Superhist

Cimetidina Tagamet, Ulcedine, Ulcimet

Clemastina Agasten

Clotrimazol Canesten, Clogen, Clotrimix, Gino-Canesten

Difenidramina (em associação) Alergo Filinal, Benadryl, Benalet, Notuss

Doxilamina (em associação) Bronco-Ped, Revenil, Silencium Xarope, Silomat Plus

Efedrina (em associação) Argyrophedrine, Franol, Inhalante Yatropan, Marax

Famotidina Famodine, Famoset, Famox

Fluoreto Calciferol, Calcitran B12, Fluotrat

Hidrocortisona Flebocortid, Solu-cortef

Ibuprofeno Artril Actiprofen, Advil, Danilon, Motrin

Cetoconazol Candoral, Cetonax, Nizoral

Cetoprofeno Artrinid, Artrosil, Profenid

Loperamida Closecs, Imosec

Miconazol Daktarin, Ginedak, Amplium-G (em assoc.)

Minoxidil Regaine, Loniten, Neoxidil

Naproxeno Flanax, Naprosyn

Nizatidina Axid

Oximetazolina Afrin, Desfrin, Freenal

Permetrina Kwell, Nedax, Toppyc

Fenilefrina Fenilefrina, Asafen, (em assoc.) Coristina D (em assoc.)

Pseudoefedrina Actifedrin (em assoc.), Allegra D (em assoc.)

Pirantel Tricocel

Ranitidina Antak, Label, Logat

Tolnaftato (em assoc.) Quadriderm, Tetraderm

Triprolidina, pseudoefedrina (associação) Actifedrin

Xilometazolina Otrivina

Ibuprofeno, Cetoprofeno e Naproxeno

O ibuprofeno foi reclassificado em 1984, da condição de medicamento de receita obrigatória para medicamento VL. As concentrações de ibuprofeno de receita obrigatória são as seguintes: comprimidos de 300, 400, 600 e 800 miligramas. O ibuprofeno VL é comercializado apenas em comprimidos de 200 miligramas. O cetoprofeno foi aprovado para VL em 1995. As concentrações de receita obrigatória são as seguintes: comprimidos de 25, 50 e 75 miligramas; o cetoprofeno VL é comercializado apenas na formulação de 25 miligramas. O naproxeno foi aprovado para VL em 1994.

As concentrações de receita obrigatória vêm nas seguintes formulações: 250, 375 e 500 miligramas; naproxeno VL é comercializado apenas na formulação de 200 miligramas. As instruções de dosagem para o naproxeno VL alertam o consumidor para não ultrapassar 3 drágeas em 24 horas, a menos que o médico tenha orientado de outra forma.

Pessoas com mais de 65 anos são alertadas a não tomarem mais de 1 drágea a cada 12 horas, exceto sob orientação médica. Em geral, acredita-se que o ibuprofeno, o cetoprofeno e o naproxeno tenham ação mais suave sobre o estômago que a aspirina, embora poucos estudos tenham realmente comparado esses medicamentos. Mas, como a aspirina, essas três drogas podem causar indigestão, náusea, diarréia, azia, dores estomacais e úlceras.

Outros efeitos adversos são: sonolência, tontura, zumbidos, distúrbios da visão, retenção de líquidos e dificuldade respiratória. Embora não comprometam a coagulação sangüínea com a mesma intensidade que a aspirina, essas drogas não devem ser combinadas com medicamentos anticoagulantes, como a warfarina (Coumadin), exceto quando existe cuidadosa supervisão médica.

Do mesmo modo, há necessidade de orientação médica quanto à administração dessas drogas a pessoas com problemas renais ou hepáticos, insuficiência cardíaca ou pressão alta. Alguns medicamentos de receita obrigatória para o coração ou para reduzir a pressão alta não funcionam tão bem quando combinados com esses analgésicos.

Pessoas que regularmente ingerem bebida alcoólica estão em maior risco de problemas no estômago, úlceras e comprometimento da função hepática. Pessoas alérgicas à aspirina também podem ser alérgicas ao ibuprofeno, cetoprofeno e naproxeno. O surgimento de erupções, coceiras ou dificuldade respiratória exige imediata consulta médica.

Considerações na Reclassificação de um Medicamento


Margem de segurança
• Quais efeitos prejudiciais o medicamento pode causar?
• O uso do produto exige acompanhamento profissional?
• O produto pode ter efeitos prejudiciais (inclusive em decorrência de mau uso)?
• O produto é formador de hábito?
• Qual é o potencial de abuso?
• Os benefícios trazidos pela classificação como VL suplantam os riscos?

Facilidade de diagnóstico e tratamento
• Uma pessoa leiga pode autodiagnosticar o problema a ser tratado pelo medicamento?
• A pessoa leiga pode tratar o problema sem a ajuda de um médico?

Rótulo, bula
• As orientações adequadas para uso podem ser escritas?
• Alertas contra uso inseguro podem ser escritos?
• O rótulo ou a bula é de fácil entendimento para um leigo?

Reimpresso com permissão de “FDA’s Review of OTC Drugs,” Handbook of Nonprescription Drugs, 10ª ed., p. 29, © 1993, American Pharmaceutical Association.

Alguns Analgésicos de Venda Livre


Nomes de Marca

Concentração do Ingrediente (mg = miligramas)

Usos

Problemas Potenciais
Produtos que contêm aspirina

Aspirina Prevent, Aspirina Infantil, Somalgin Cardio
100 mg de aspirina
Risco de infarto do miocárdio (com revestimento entérico)
Irritação e sangramento gastrointestinais pelo uso prolongado, “campainhas no ouvido” (zumbido), reação alérgica em pessoas sensíveis, complicações no trabalho de parto, síndrome de Reye em crianças e adolescentes com catapora ou gripe

Aspirina Forte
650 mg de aspirina
Dor e inflamação (liberação programada)


Alka Seltzer, Somalgin Cardio
325 mg de aspirina
Febre, dor e inflamação


AAS, Aspirina, Buferin, Ecasil, Ronal

500 mg de aspirina

Febre, dor e inflamação


Melhoral
Infantil
85 mg de
aspirina
Febre, dor leve ou moderada (comprimidos de goma) Febre e dor (mastigável) Risco de infarto do miocárdio


Produtos que contêm ibuprofeno, naproxeno ou cetoprofeno
Nomes de Marca

Concentração do Ingrediente (mg = miligramas)

Usos

Problemas Potenciais
Advil, Algi-Danilon, Actiprofen

200 mg de ibuprofeno

Febre, inflamação, cólicas menstruais, dor leve ou mo
derada
Irritação do trato digestivo, úlceras em decorrência do uso prolongado, lesão renal em pessoas idosas e em pessoas suscetíveis, reação alérgica em pessoas sensíveis

Flanax

275 e 550 mg de naproxeno

Febre, dor leve ou moderada, inflamação, cólicas menstruais


Naproxeno

250 e 500 mg de naproxeno

Febre, dor leve ou moderada, inflamação, cólicas menstruais


Artrosil
160 e 320 mg
de cetoprofeno



Profenid

100 e 200 mg de cetoprofeno



Algiprofen

50 mg de cetoprofeno



Nomes de Marca

Concentração do Ingrediente (mg = miligramas)

Usos

Problemas Potenciais
Cetynol, Gripeonyl, Paracetamol

325 mg de paracetamol

Febre, dor leve ou moderada
Lesão hepática em decorrência de repetidas doses altas ingeridas com o estômago vazio ou com álcool, risco de problemas renais com o uso prolongado, reação alérgica em pessoas sensíveis

Paracetamol Infantil

100 mg / 1 ml de paracetamol

Febre, dor de cabeça, ou outra dor leve


Acetamol, Acetofen 500, Dôrico 500

500 mg de paracetamol

Febre, dor leve ou moderada


Tylenol Infantil

200 mg / 1 ml de paracetamol

Febre, dor leve ou moderada


Acetofen, Dôrico 750, Tylenol 750

750 mg de paracetamol


Acetaminofeno

Introduzido em 1955 para o tratamento de febre e dores infantis, o acetaminofeno passou a ser vendido sem receita a partir de 1960. Embora comparável à aspirina em seu potencial analgésico e antitérmico, o acetaminofeno apresenta menor atividade antiinflamatória que a aspirina, o ibuprofeno, o cetoprofeno ou o naproxeno.

Seu modo de ação ainda não foi devidamente esclarecido. Pesquisas recentes sugerem que é freqüentemente benéfico no tratamento da dor da osteoartrite. Em um estudo, o acetaminofeno mostrou- se tão eficaz quanto o ibuprofeno no alívio dos sintomas da artrite no joelho. O acetaminofeno praticamente não produz efeitos adversos sobre o estômago. Pessoas que não toleram aspirina, ibuprofeno, cetoprofeno ou naproxeno muitas vezes se dão bem com o acetaminofeno.

Talvez a ausência de problemas estomacais tenha conduzido à idéia de que o acetaminofeno não produz efeitos adversos. Mas a ingestão de grandes doses durante longos períodos pode trazer alguns riscos, inclusive lesão aos rins. O uso regular de outras drogas antiinflamatórias não-esteróides (exceto a aspirina) também pode aumentar o risco de transtorno renal. Uma overdose de mais de 15 gramas de acetaminofeno pode levar a uma moléstia hepática irreversível.

Não se tem certeza quanto a doses menores durante longos períodos também causarem lesões ao fígado. Pessoas que consomem grandes quantidades de álcool provavelmente estão em maior risco de sofrer problemas hepáticos com o uso excessivo de acetaminofeno. O jejum também pode contribuir para a toxicidade hepática. Embora haja necessidade de mais pesquisas, há evidências de que pessoas que tomam acetaminofeno e param de comer, em virtude de um resfriado forte ou uma gripe, ficam mais vulneráveis à lesão hepática.

Muitos produtos VL, como os utilizados contra os sintomas de alergia, resfriado, tosse, gripe, dores e incômodos nos seios faciais (sinusite), contêm acetaminofeno. É preciso ter o cuidado de não tomar muitos medicamentos à base de acetaminofeno simultaneamente.

Medicamentos Contra Resfriado

Mais de cem vírus conhecidos são responsáveis pelos incômodos atribuídos ao resfriado comum, e a cura permanece indefinida. Gastamse bilhões de dólares todos os anos na tentativa de aliviar os sintomas do resfriado. Contudo, algumas autoridades afirmam que se a pessoa resfriada não tomar nenhum medicamento, os sintomas tendem a desaparecer em uma semana e, se tomar, estará melhor em sete dias.

As crianças têm especial propensão para ficar resfriadas e, os pais costumam dar remédios contra resfriado, embora não tenha sido verificada a eficácia desses medicamentos em crianças de idade pré-escolar. Teoricamente, cada sintoma do resfriado deve ser tratado com um medicamento. Na realidade, é difícil encontrar remédios para o resfriado com apenas um ingrediente ativo.

A maioria deles contém diversas drogas – anti-histamínicos, descongestionantes, analgésicos, expectorantes e supressores da tosse –, destinadas a tratar um amplo leque de sintomas. Tomar um supressor da tosse, um expectorante ou um analgésico não alivia a congestão nasal. Se o problema é a tosse, por que tomar um antihistamínico ou descongestionante? Se dor de garganta é o único sintoma, é provável que o problema seja resolvido com um analgésico (acetaminofeno, aspirina, ibuprofeno ou naproxeno).

Também podem ter utilidade pastilhas para garganta – especialmente as que contêm um anestésico local, como diclonina ou benzocaína – ou um gargarejo com água e sal (1/2 colher de chá de sal em um copo de água morna). Encontrar o tratamento apropriado para os sintomas isolados pode ser um verdadeiro desafio. Também ajuda ler a bula dos remédios ou consultar um farmacêutico de confiança.

Ocasionalmente, resfriado ou tosse são um sinal de problema sério comum. Um médico deve ser consultado se os sintomas perdurarem por mais de uma semana, sobretudo se ocorre dor no peito ou se a tosse produz um escarro escuro. É improvável que febre e dor acompanhem um resfriado comum; esses sintomas em geral indicam gripe ou infecção bacteriana.

Anti-histamínicos

Muitos especialistas acreditam que os antihistamínicos não devem ser incluídos em remédios VL para resfriado. A preocupação desses especialistas é que os anti-histamínicos causem sonolência e induzam as pessoas à indolência; nesse estado, é perigoso dirigir, trabalhar com equipamento pesado e envolver-se em atividades que exijam atitude alerta.

Os idosos são particularmente suscetíveis aos efeitos adversos dos anti-histamínicos e podem ser acometidos de obscurecimento da visão, tontura, boca seca, dificuldade de micção, constipação e confusão mental. Algumas vezes, as crianças são estimuladas por anti-histamínicos, apresentando insônia ou hiperatividade. A despeito da grande preocupação sobre esses riscos, quase todos os remédios contra resfriado contêm anti-histamínicos. Também nesse caso ajuda ler a bula ou procurar orientação com um farmacêutico.

Descongestionantes

Quando os vírus invadem as membranas mucosas, especialmente no nariz, os vasos sangüíneos dilatam-se e causam inchaço. Os descongestionantes promovem a constrição dos vasos sangüíneos, oferecendo algum alívio. Os ingredientes ativos presentes nos descongestionantes orais são pseudo-efedrina, fenilpropanolamina e fenilefrina. Fenilpropanolamina é também o principal ingrediente de muitos produtos VL para emagrecer, nos E.U.A..

Os efeitos adversos dos descongestionantes podem ser: nervosismo, agitação, palpitações e insônia. Levando em conta que circulam por todo o corpo, esses medicamentos promovem constrição também de vasos sangüíneos de outros locais do corpo, possivelmente elevando a pressão sangüínea. Por essa razão, pessoas com pressão alta ou com doença cardíaca devem tomar descongestionantes somente sob supervisão médica ou, se possível, evitá-los totalmente.

Outros distúrbios que exigem supervisão médica para o uso de descongestionantes são diabetes e hipertiroidismo. Na tentativa de evitar essas complicações, muitas pessoas preferem os aerossóis nasais, que aliviam os tecidos nasais inchados sem afetar outros sistemas do organismo. Mas essa forma de medicamento funciona com tal rapidez e tão bem que muitas pessoas são tentadas a utilizá-los por mais tempo que o limite de três dias observado na bula.

Essa atitude pode levar ao círculo vicioso da congestão nasal de repercussão. Com o desaparecimento do efeito, os pequenos vasos sangüíneos no nariz podem expandir-se causando congestão e entupimento (obstrução) nasal. A sensação pode ser tão desconfortável, que o uso do aerossol terá continuidade, levando muitas vezes à dependência do medicamento, que se prolonga por meses, ou até anos.

Às vezes a descontinuação do medicamento tem de ser supervisionada por um médico especializado em distúrbios de ouvido, nariz e garganta (otorrinolaringologista). Os aerossóis nasais de ação prolongada contêm em sua formulação oximetazolina, xilometazolina, fenilefrina e fenoxazolina que oferecem alívio por até doze horas. Afrin, Otrivina, Aturgyl e Neoxinefrina são alguns exemplos. Esses remédios também devem ser utilizados por não mais de três dias, a cada vez.

Alguns Anti-histamínicos de Venda Livre


Bromofeniramina
Clorfeniramina
Dexbromfeniramina
Difenidramina
Doxilamina
Fenindamina
Feniramina
Pirilamina
Triprolidina

Medicamentos Contra Tosse

A tosse é um reflexo natural para a irritação pulmonar; é um mecanismo que livra os pulmões das secreções ou do muco excessivos. Quando a pessoa está congestionada e expectora catarro, não é aconselhável a supressão dessa tosse produtiva. É difícil encontrar supressores de tosse que contenham somente um ingrediente ativo. Em geral, expectorantes são acrescentados aos supressores da tosse em remédios contra resfriado e tosse.

A combinação de uma substância que facilita a expectoração do catarro com uma substância que suprime a tosse parece não fazer sentido para alguns especialistas. Supõe-se que a guaifenesina, o único expectorante atualmente comercializado que é aprovado, ajude a soltar as secreções pulmonares, tornando-as mais facilmente expectoráveis. Bricanyl Composto expectorante, Toplexil Tetrapulmo e Transpulmin são alguns dos produtos que contêm guaifenesina. Mas tem sido difícil estabelecer o nível real de benefício dessa droga.

A tosse improdutiva, ou seca, pode ser muito irritante, especialmente à noite; nesse caso, um supressor da tosse pode dar alívio, contribuindo para um sono repousante. A codeína, um supressor altamente eficaz, ajuda na hora de dormir em razão de seu efeito ligeiramente sedativo. Tendo em vista que é um narcótico, algumas pessoas temem que a codeína cause dependência. Na verdade, a dependência é incomum, mas muitas unidades federativas dos Estados Unidos exigem que a codeína seja vendida somente com receita.

Outros estados apenas permitem que os farmacêuticos vendam remédios contra tosse contendo codeína se o consumidor responsabilizar-se por escrito. São exemplos desses produtos: Cheracol Cough Syrup, Guiatuss AC, Mytussin AC Cough Syrup Robitussin A-C Cough Syrup, e Tussi-Organidin NR Liquid. A codeína causa náusea, vômito e constipação em algumas pessoas. Pela possibilidade de também ocorrerem delírios, sonolência ou tontura, medicamentos contra tosse à base de codeína não devem ser tomados por pessoas que irão dirigir um automóvel ou realizar uma tarefa que exija concentração.

A alergia à codeína é incomum. Os efeitos adversos podem aumentar quando depressores do sistema nervoso central – como álcool, sedativos, indutores do sono, antidepressivos ou antihistamínicos – são tomados ao mesmo tempo que a codeína. Por isso, a combinação deve ser administrada apenas com supervisão médica. O dextrometorfano é o ingrediente mais comum nos remédios VL contra tosse. Seu potencial de supressão da tosse é comparável ao da codeína. Os efeitos adversos são raros, embora possa ocorrer indigestão ou sonolência.

Produtos para Emagrecimento

Supõe-se que os produtos para emagrecimento VL suprimam a fome e tornem mais fácil o acompanhamento de uma dieta de baixas calorias. Duas substâncias foram aprovadas com essa finalidade: a fenilpropanolamina, que também tem ação descongestionante em muitos remédicos contra resfriado e para tratamento de alergia, e a benzocaína, um anestésico local que, acredita-se, adormece os corpúsculos gustativos.

As formas mais apropriadas de benzocaína são goma de mascar, doces ou pastilhas, mantidas na boca antes de uma refeição. Em uma pesquisa com pessoas que estavam em dieta, perderam mais peso as que ingeriram fenilpropanolamina do que as que tomaram um placebo. Mas a diferença na perda de peso foi pouco significativa: cerca de 2,5 kg. A eficácia da fenilpropanolamina foi comprovada durante apenas cerca de três a quatro meses. É provável que essa substância seja mais útil quando faz parte de um programa que inclua exercícios e modificação dos hábitos alimentares.

A dose de fenilpropanolamina nos produtos para emagrecimento é mais alta que a dose geralmente encontrada nos remédios para tratamento de resfriado ou alergia. Podem ocorrer efeitos adversos, como nervosismo, insônia, tontura, dor de cabeça e náusea, se for tomado mais do que a dose recomendada. Em casos raros, o usuário sofre efeitos adversos com a dose habitual; alguns também se tornam intranqüilos e têm alucinações pouco depois de ter ingerido fenilpropanolamina.

O efeito adverso potencial mais preocupante é um aumento significativo da pressão arterial. Derrames e outros problemas cardiovasculares podem ocorrer em pessoas suscetíveis que tomam doses elevadas de fenilpropanolamina, isoladamente ou em combinação com outros medicamentos, ou em pessoas que usam a substância durante longo período.

Considerando a possibilidade de interações medicamentosas, é importante conversar com o médico antes de tomar qualquer medicamento que contenha fenilpropanolamina. As bulas alertam pessoas com diabetes, disfunção tireoidiana, pressão alta ou doença cardíaca para que não tomem medicamentos para emagrecer sem supervisão médica.

Os inibidores da monoamina oxidase (medicamentos antidepressivos) interagem com a fenilpropanolamina, causando perigosa elevação da pressão arterial. No Brasil, os medicamentos à base de fenilpropanolamina ficam sujeitos a venda sob prescrição médica, sem a retenção de receita. Somente fórmulas manipuladas sob indicação médica podem conter o produto com a finalidade de emagrecimento, não havendo produtos de venda livre para esta indicação terapêutica.

Supressores da Tosse que Contêm Dextrometorfano em Associação


Silencium
Tossbel
Helifenicol
Dextro
pulmo

Antiácidos e Produtos para Indigestão

Azia, indigestão e acidez gástrica são alguns dos muitos termos utilizados para descrever um transtorno gastrointestinal. O autodiagnóstico da indigestão é procedimento arriscado, porque as causas variam desde uma pequena imprudência alimentar até úlceras pépticas, ou mesmo câncer do estômago.

Às vezes, os sintomas de doença cardíaca se parecem com uma indigestão aguda. Embora muitas pessoas tratem sua própria azia, seria melhor que procurassem orientação médica para sintomas que se prolongam por mais de duas semanas. O objetivo do tratamento é prevenir a produção do ácido gástrico ou promover sua neutralização. Os bloqueadores da histamina2, como cimetidina, famotidina, nizatidina e ranitidina, reduzem a quantidade de ácido produzido no estômago, ajudando a evitar a azia.

Antiácidos são agentes neutralizadores que trabalham com maior rapidez. Embora não neutralizem por completo o pH extremamente ácido do estômago, os antiácidos elevam o nível do pH de 2 (muito ácido) para algo entre 3 e 4. Isso neutraliza praticamente 99% do ácido gástrico e alivia de modo significativo os sintomas na maioria das pessoas. Grande parte dos produtos antiácidos contém um ou mais entre quatro componentes principais: sais de alumínio, sais de magnésio, carbonato de cálcio e bicarbonato de sódio.

Todos os ingredientes funcionam em 1 minuto ou menos, mas os produtos operam por tempos diferentes. Alguns oferecem alívio por cerca de 10 minutos, enquanto outros são eficazes por mais de 90 minutos. Os bloqueadores da histamina levam mais tempo para dar resultado, mas seus efeitos são mais prolongados.

Os antiácidos podem interagir com diferentes medicamentos de receita obrigatória; por isso, deve-se consultar o farmacêutico acerca das interações medicamentosas antes de se tomar um antiácido. Qualquer pessoa com problemas cardíacos, hipertensão ou problemas renais deve consultar o médico antes de selecionar um antiácido. A cimetidina também pode interagir com alguns medicamentos de receita obrigatória, e portanto seu uso deve ser monitorizado cuidadosamente por um médico.

Alumínio e Magnésio

Antigamente, antiácidos contendo tanto alumínio como magnésio pareciam a solução ideal, porque cada ingrediente complementava o outro. O hidróxido de alumínio dissolve-se com lentidão no estômago e começa a fazer efeito gradualmente, mas proporciona alívio duradouro; também causa constipação.

Os sais de magnésio agem mais rápido e neutralizam os ácidos com eficácia, mas podem também ter ação laxante. Antiácidos com alumínio e magnésio parecem oferecer o melhor de dois mundos: alívio rápido e duradouro, com menor risco de diarréia ou constipação. No entanto, foi questionada a segurança a longo prazo dos antiácidos que contêm alumínio. O uso prolongado pode enfraquecer os ossos, por promover a depleção de fósforo e cálcio do organismo.

Alguns Produtos* de Venda Livre para Emagrecimento


Nome de Marca Ingrediente Ativo
Acutrim Maximum Strength 75 mg de fenilpropanolamina
Control Capsules 75 mg de fenilpropanolamina
Dexatrim Plus Vitamins Caplets 75 mg de fenilpropanolamina

*Produtos norte-americanos; não disponíveis em versão brasileira.

Carbonato de Cálcio

Há muito tempo, o giz (carbonato de cálcio) vem ocupando espaço principal entre os antiácidos. O carbonato de cálcio age com rapidez e neutraliza os ácidos por um período relativamente longo. Outro benefício é essa substância fornecer uma fonte barata de cálcio, mas corre-se o risco de sofrer uma overdose de cálcio. A quantidade máxima diária não deve exceder 2.000 mg, a menos que exista orientação médica que permita o excesso.

Bicarbonato de Sódio

Um dos antiácidos mais baratos e acessíveis não está muito longe do armário da cozinha. O bicarbonato de sódio de uso doméstico tem proporcionado rápida ação neutralizadora há décadas. A eructação do bicarbonato de sódio é causada pela liberação do gás dióxido de carbono. O bicarbonato de sódio é uma excelente solução a curto prazo para a indigestão, mas o excesso dessa substância pode provocar grave transtorno no equilíbrio ácido-básico do organismo, causando alcalose metabólica. Seu elevado teor de sódio pode também acarretar problemas em pessoas com insuficiência cardíaca ou pressão alta.

Medicamentos Contra o Enjôo de Viagem

Os medicamentos utilizados para evitar o enjôo de viagem são anti-histamínicos. Ocasionalmente esses medicamentos são receitados, mas também podem ser comprados sem receita (medicamentos VL). É mais provável que os remédios contra enjôo de viagem sejam eficazes se forem tomados 30 ou 60 minutos antes da viagem. Freqüentemente os remédios contra enjôo de viagem deixam a pessoa sonolenta e menos alerta. De fato, uma dessas drogas, a difenidramina, é o ingrediente ativo da maioria dos sedativos VL.

Qualquer pessoa que precise dirigir um veículo, ou que tenha de executar um trabalho que exige atenção, não deve tomar medicamentos contra enjôo de viagem. Eles também não devem ser tomados com bebidas alcoólicas, sedativos ou tranqüilizantes, porque seus efeitos podem se somar inesperadamente.

Os efeitos adversos são mais comuns em pessoas idosas. Outros efeitos adversos, como turvação da visão, confusão mental, dor de cabeça, dor de estômago, constipação, palpitações ou dificuldade com a micção, são menos comuns. Bebês e crianças muito novas podem ficar agitados, não devendo tomar esses medicamentos, a menos que haja supervisão médica.

Uma dose excessivamente elevada em uma criança nova pode causar alucinações ou mesmo convulsões fatais. Pessoas com glaucoma de ângulo estreito, aumento da próstata (hipertrofia) ou constipação devem tomar remédios contra enjôo de viagem apenas se o médico recomendar ou aprovar seu uso.

Sedativos

Os sedativos VL têm como objetivo relaxar o usuário em uma ocasional noite sem sono, não em casos de insônia crônica, que pode sinalizar para um problema subjacente sério. Não é recomendável tomar um sedativo VL durante mais de uma semana ou dez dias. Dois ingredientes, os anti-histamínicos difenidramina e doxilamina, são utilizados nos sedativos VL. Essas substâncias tendem a fazer com que as pessoas fiquem sonolentas ou trôpegas, interferindo na concentração ou coordenação. Mas nem todos reagem dessa forma.

Os asiáticos parecem ser menos sensíveis aos efeitos sedativos da difenidramina que pessoas dos países ocidentais. Algumas pessoas reagem de maneira oposta (uma reação paradoxal), e acham que a difenidramina ou doxilamina as torna tensas, inquietas e agitadas. Pessoas idosas ou com lesão cerebral e crianças novas são aparentemente mais suscetíveis a essa resposta que os demais usuários.

Algumas pessoas também sofrem ocasionais efeitos adversos, como boca seca, constipação, turvação da visão e “campainhas no ouvido” (zumbido). Pessoas idosas, mulheres grávidas ou que estejam amamentando devem evitar esses medicamentos, a menos que tenham sido orientadas pelo médico para tomá-los. Pessoas com glaucoma de ângulo estreito, angina, arritmias ou aumento da próstata devem consultar o médico antes de usar um anti-histamínico para dormir ou para qualquer outra finalidade.

Antiácidos à Base de Carbonato de Cálcio


Nome de Marca Ingrediente Ativo
Calsan 500 mg de carbonato de cálcio em um comprimido
Tums 500 mg de carbonato de cálcio em um comprimido
Rennie 680 mg de carbonato de cálcio em uma pastilha
Magnésia Bisurada 520,8 mg de carbonato de cálcio em um comprimido ou pastilha

Precauções Especiais

Bom senso é um elemento crítico na autoterapia. Certas pessoas são mais vulneráveis que outras a possíveis danos causados pelo uso de medicamentos. Crianças muito novas, pessoas muito idosas ou muito enfermas devem ser medicadas apenas com extrema precaução, o que pode incluir supervisão médica.

Para que sejam evitadas interações perigosas, as pessoas devem consultar o farmacêutico ou médico antes de combinar medicamentos de receita obrigatória e remédios VL. Estes últimos não foram projetados para tratar de doenças sérias, e na verdade podem fazer alguns distúrbios piorarem. Uma reação não antecipada, por exemplo uma erupção cutânea ou insônia, deve ser interpretada como um sinal para a interrupção imediata do remédio e busca de aconselhamento médico.

Crianças

O organismo infantil metaboliza os medicamentos e a eles reage de forma diferente do organismo adulto. Mesmo depois de estar em amplo uso durante muitos anos, um medicamento pode acabar revelando riscos para as crianças. Por exemplo, transcorreram cinco anos antes de os pesquisadores confirmarem que o risco de síndrome de Reye estava ligado ao uso de aspirina em crianças com catapora ou gripe.

Tanto médicos como pais freqüentemente se surpreendem ao descobrir que a maioria dos remédios VL, mesmo os que apresentam doses pediátricas recomendadas, não foram completamente testados em crianças. Em particular, não foi comprovada a eficácia dos remédios contra tosse e resfriado, especialmente para crianças, de modo que o uso desses medicamentos pode ser uma perda de dinheiro e expor desnecessariamente as crianças à toxicidade.

A administração de uma dose correta do medicamento a uma criança pode ser complicada. Embora freqüentemente as doses infantis sejam expressas em termos de faixa etária (por exemplo, crianças de 2 a 6 anos ou de 6 a 12 anos), a idade não é o melhor critério. As crianças podem variar enormemente quanto à estatura dentro de qualquer faixa etária, e os especialistas não concordam se o melhor modo de mensuração para determinar a dose dos medicamentos é o peso, a altura ou a superfície total do corpo.

Uma dose recomendada expressa em termos do peso da criança pode ser a mais fácil de interpretar e administrar. Se a bula não fornece instruções acerca de quanto medicamento deve ser dado à criança, os pais não devem “chutar” a dose (tentar adivinhar o que será melhor). Quando em dúvida, devem consultar o farmacêutico ou médico responsáveis. Tomando essa precaução, pode-se evitar que a criança receba um medicamento inadequado, ou uma dose perigosamente alta de um remédio que poderia ajudar. Muitos medicamentos para uso infantil são oferecidos em forma líquida.

Embora a bula em geral forneça orientações claras sobre a dose, às vezes os adultos que estão com a responsabilidade de medicar a criança acabam dando a dose errada por usarem uma colher de chá comum. As colheres de uso doméstico (afora colheres medidoras) não são suficientemente precisas para medir remédios líquidos. Uma colher medidora cilíndrica é muito melhor para determinar doses infantis, e uma seringa oral é preferível para a administração da dose exata do remédio na boca de um bebê.

Sempre devemos remover a cobertura da ponta da seringa oral antes do uso: a criança poderá engasgar se a cobertura for acidentalmente impelida até a traquéia. Vários medicamentos infantis são comercializados em mais de uma forma. Os adultos devem ler cuidadosamente a bula todas as vezes que um novo remédio infantil for adquirido.

Pessoas Idosas

O envelhecimento altera a velocidade e as formas de metabolização dos medicamentos pelo organismo. As alterações no fígado e nos rins que ocorrem naturalmente em função do processo de envelhecimento afetam o modo como os medicamentos são metabolizados ou eliminados. Pessoas idosas podem ser mais vulneráveis que indivíduos jovens aos efeitos adversos ou às interações medicamentosas.

Um número cada vez maior de bulas de medicamentos de receita obrigatória especificam se há necessidade de doses diferentes para pessoas idosas, mas esses avisos raramente estão impressos nas bulas de remédios VL. Muitos remédios VL podem ser perigosos para pessoas idosas.

O risco aumenta quando os remédios são tomados regularmente na dose máxima. Por exemplo, uma pessoa idosa que sofre de artrite mostra-se inclinada a usar com freqüência um medicamento analgésico ou antiinflamatório, e isso pode trazer conseqüências sérias. Uma úlcera hemorrágica é uma complicação que põe em risco a vida do idoso e pode ocorrer sem nenhum sintoma de aviso.

Anti-histamínicos, como a difenidramina, também representam riscos especiais para pessoas idosas. Fórmulas de alívio da dor noturna, sedativos e muitos remédios contra tosse e resfriado freqüentemente contêm anti-histamínicos. Além de (possivelmente) piorar a asma, o glaucoma de ângulo estreito ou a próstata hipertrofiada, os anti-histamínicos podem induzir a pessoa à tontura e instabilidade, causando quedas e fraturas de ossos.

Às vezes os anti-histamínicos causam confusão ou delírio em pessoas idosas, particularmente quando em doses altas ou em combinação com outros medicamentos. Pessoas idosas podem ser mais suscetíveis aos possíveis efeitos adversos dos medicamentos para o trato digestivo. É mais provável que antiácidos à base de alumínio causem constipação e que antiácidos à base de magnésio provoquem diarréia e desidratação.

Mesmo o consumo de vitamina C pode causar desarranjo intestinal ou diarréia em pessoas idosas. Durante consultas ao médico, as pessoas idosas devem mencionar qualquer produto VL que estejam tomando, inclusive vitaminas e minerais. Essa informação ajuda o médico a avaliar todo regime medicamentoso e a determinar se o remédio VL pode ser o responsável por certos sintomas.

Medicamentos Contra Enjôo de Viagem: Precauções para Crianças


Nome de Marca Ingrediente Ativo
Crianças que Não Devem Tomar o Medicamento
Marezine* Ciclizina Com menos de 6 anos de idade
Calm-X* Dimenidrinato Com menos de 2 anos de idade
Dramin Dimenidrato Com menos de 2 anos de idade
Dramoxina Dimenidrato Com menos de 2 anos de idade
Benadryl Difenidramina Pesando menos de 10 kg
Nordryl* Difenidramina Pesando menos de 10 kg
Meclizine* Meclizina Com menos de 12 anos de idade
Dramamine II* Meclizina Com menos de 12 anos de idade
Bonine* Meclizina Com menos de 12 anos de idade

*Produtos à venda nos E.U.A

Orientações para a Escolha e o Uso de Medicamentos de Venda Livre


Certifique-se de que o autodiagnóstico é o mais preciso possível. Não assuma que o problema é “alguma coisa que todo mundo está pegando”
• Selecione produtos com base no planejamento e nos ingredientes racionais, e não porque apresentam uma marca familiar
• Escolha um produto com o menor número de ingredientes apropriados; remédios que tentam aliviar todos os sintomas possíveis provavelmente irão expor o usuário a substâncias desnecessárias, o que representa riscos adicionais e maior custo
• Em caso de dúvida, converse com o farmacêutico ou o médico responsáveis, para saber qual o ingrediente ou produto mais adequado.
• Peça ao farmacêutico para examinar as possíveis interações com outros medicamentos que estão sendo usados
• Leia a bula cuidadosamente, para determinar a dose apropriada e as precauções que devem ser tomadas; descubra quais condições tornariam o medicamento uma escolha ruim
• Peça ao farmacêutico para escrever os possíveis efeitos adversos
• Não exceda a dose recomendada
• Nunca tome um remédio VL por mais tempo que o período máximo sugerido na bula; pare de tomar o remédio se os sintomas piorarem
• Guarde todos os medicamentos, inclusive remédios VL, fora do alcance das crianças

Interações Medicamentosas

Muitas pessoas deixam de mencionar o uso de remédios VL a seu médico. Medicamentos consumidos intermitentemente, como ocorre em casos de resfriado, constipação ou dores de cabeça ocasionais, são mencionados ainda com menor freqüência. Médicos e farmacêuticos podem não ter a idéia de perguntar por remédios VL ao prescrever ou aviar uma receita. Apesar disso, muitos produtos VL podem interagir adversamente com uma grande variedade de medicamentos. Algumas dessas interações são bastante sérias.

Até um comprimido de aspirina é capaz de reduzir a eficácia do enalapril (Vasotec), por exemplo, no tratamento da insuficiência cardíaca grave. Isso também pode ocorrer com outros inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA). Tomar aspirina junto com o anticoagulante warfarina (Coumadin) aumenta o risco de sangramento anormal. Pessoas com doença cardíaca talvez não tenham conhecimento do fato de um antiácido à base de alumínio ou magnésio reduzir a absorção de digoxina (Lanoxin).

Mesmo a ingestão de um polivitamínico ou suplemento mineral pode interferir com a ação de alguns medicamentos de receita obrigatória. O antibiótico tetraciclina pode ser ineficaz se tomado com cálcio, magnésio ou ferro. Não existe uma pesquisa sistemática devotada a interações entre remédios VL. Muitos problemas sérios têm sido descobertos acidentalmente, depois de comunicadas as ocorrências de reações adversas ou mortes. Embora a bula de alguns remédios VL traga alertas sobre interações medicamentosas, a linguagem pode não ser inteligível para a maioria dos consumidores.

Este é o caso de alguns medicamentos para emagrecimento ou para tratamento de resfriado que contêm fenilpropanolamina e cuja bula alerta contra o uso do produto junto com um inibidor da monoamina oxidase (administrado para tratamento da depressão) ou mesmo nas duas semanas seguintes à interrupção do antidepressivo. Para as muitas pessoas que não têm conhecimento que o antidepressivo que estão tomando é um inibidor da monoamina oxidase, esse aviso em nada ajudará.

O melhor modo de reduzir o risco das interações medicamentosas é pedir ao farmacêutico que verifique possíveis incompatibilidades. Além disso, o médico deve ser informado acerca de todos os demais medicamentos que estão sendo tomados, tanto de receita obrigatória como de venda livre.

Superposição de Drogas

Outro problema possível é a superposição de drogas. A menos que leiam as bulas de tudo que tomarem, as pessoas podem acidentalmente sofrer overdose. Por exemplo, a pessoa que toma um produto para emagrecer e também um remédio contra resfriado – ambos contendo fenilpropanolamina – corre o risco de tomar o dobro da dose considerada segura.

O acetaminofeno é comumente encontrado em medicamentos para tratamento de sinusite. Uma pessoa que esteja tomando simultaneamente uma medicação contra sinusite e acetaminofeno para combater uma dor de cabeça pode exceder a dose recomendada.

Problemas Crônicos

Diversos problemas crônicos podem piorar se um remédio VL é tomado de forma inadequada. Anti-histamínicos – que são encontrados em sedativos, antialérgicos e medicamentos para tratamento de tosse, resfriado ou gripe de venda livre – não devem ser tomados por ninguém que sofra de asma, enfisema ou problemas pulmonares crônicos, a menos que isso ocorra com orientação de um médico.

O simples fato de tomar um anti-histamínico pode também complicar o glaucoma e uma hipertrofia da próstata. Pessoas com pressão alta, doença cardíaca, diabetes, hipertiroidismo ou hipertrofia da próstata devem consultar o médico ou farmacêutico responsáveis antes de tomar descongestionantes ou anti-histamínicos VL, porque seus efeitos adversos podem ser perigosos diante de tais distúrbios. Pessoas de qualquer idade com um distúrbio clínico sério devem consultar o médico ou farmacêutico antes de comprar produtos VL. Diabéticos, por exemplo, podem precisar de ajuda para escolher um xarope contra tosse que não contenha açúcar.

Alcoólatras em recuperação precisam estar atentos para evitar remédios contra resfriado que contenham álcool (alguns produtos contêm até 25% de álcool). Pessoas com doença cardíaca podem precisar de orientação sobre o tratamento de um resfriado ou mesmo de uma indisposição gástrica com produtos que não interajam com os medicamentos de receita obrigatória que estejam tomando para o problema do coração.

Considerando que os remédios VL foram projetados principalmente para uso ocasional por pessoas essencialmente sadias, é aconselhável uma consulta médica para qualquer pessoa que esteja cronicamente enferma ou que planeje tomar o remédio diariamente. Esse uso está além dos limites normais de autoterapia e impõe a busca da orientação de um especialista.

Fonte: Manual Merck