ENFERMAGE, CIÊNCIAS E SAÚDE

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências da Saúde - Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo.

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sábado, 31 de outubro de 2009

choque


O choque é uma condição potencialmente letal na qual a pressão arterial é muito baixa para manter o indivíduo vivo. O choque é a conseqüência de uma hipotensão arterial importante em decorrência de um baixo volume sangüíneo, da inadequação da função de bombeamento de sangue do coração ou do relaxamento excessivo (dilatação) das paredes dos vasos sangüíneos (vasodilatação).

Essa hipotensão arterial, a qual é muito mais grave e prolongada que no desmaio (síncope), acarreta um suprimento sangüíneo inadequado às células do organismo. Pode ocorrer uma lesão rápida e irreversível das células com sua conseqüente morte. O baixo volume sangüíneo pode ser devido a um sangramento intenso, à perda excessiva de líquidos corpóreos ou à ingestão inadequada de líquidos.

O sangue pode ser perdido rapidamente em decorrência de um acidente ou de um sangramento interno, como o provocado por uma úlcera gástrica ou intestinal, pela ruptura de um vaso sangüíneo ou de uma gravidez ectópica (gestação fora do útero). Uma perda excessiva de outros líquidos corpóreos pode ocorrer em casos de grandes queimaduras, inflamação do pâncreas (pancreatite), perfuração da parede intestinal, diarréia intensa, doença renal ou uso excessivo de drogas potentes que aumentam a excreção de urina (diuréticos).

Apesar do indivíduo sentir sede, ele não consegue ingerir uma quantidade suficiente de líquido para compensar as perdas quando alguma incapacidade física (por exemplo, uma doença articular grave) o impede de fazê-lo de modo independente. Uma função de bombeamento inadequado do sangue do coração também pode fazer com que volumes sangüíneos inferiores ao normal sejam bombeados para o corpo em cada batimento cardíaco.

A função de bombeamento inadequado pode ser decorrente de um infarto do miocárdio, de uma embolia pulmonar, de uma insuficiência valvular (particularmente de uma válvula artificial) ou de arritmias cardíacas. A dilatação excessiva das paredes dos vasos sangüíneos pode ser decorrente de uma lesão craniana, de uma insuficiência hepática, de um envenenamento, de doses excessivas de certas drogas ou de uma infecção bacteriana grave. (O choque causado por uma infecção bacteriana é denominado choque séptico.)

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas do choque são similares, quer a causa seja o baixo volume sangüíneo ou uma função de bombeamento inadequado do coração. O quadro pode iniciar com cansaço, sonolência e confusão mental. A pele torna-se fria, apresenta sudorese, com freqüência, apresenta uma coloração azulada e palidez. Se a pele for pressionada, a cor normal retornará muito mais lentamente. Pode ocorrer o surgimento de uma rede de linhas azuladas sob a pele.

O pulso torna-se fraco e rápido, exceto se a causa do choque for uma freqüência cardíaca baixa. Em geral, o indivíduo apresenta uma respiração rápida, mas a respiração e o pulso podem tornar-se lentos se a morte for iminente. Freqüentemente, a queda da pressão arterial é tão acentuada que ela não pode ser medida com um esfigmomanômetro. Finalmente, o indivíduo não consegue mais se sentar, uma vez que ele pode desmaiar ou mesmo morrer. Quando o choque é decorrente de uma dilatação excessiva dos vasos sangüíneos, os sintomas são um pouco diferentes.

A pele pode, então, tornar- se quente e ruborizada, particularmente no início do quadro. Nos primeiros estágios do choque, sobretudo no caso de choque séptico, muitos sintomas podem estar ausentes ou podem não ser detectáveis, a menos que especificamente procurados. A pressão arterial é muito baixa. O fluxo urinário também é muito baixo e ocorre um acúmulo de produtos metabólicos no sangue.

Prognóstico e Tratamento

Se não for tratado, o choque geralmente é fatal. Quando tratado, o prognóstico depende da causa, de outras doenças que o indivíduo apresenta, do período transcorrido entre o início do choque e o início do tratamento e do tipo de tratamento oferecido. Independentemente do tratamento, a probabilidade de morte devida ao choque após um infarto do miocárdio ou ao choque séptico em um paciente idoso é alta.

Enquanto esperam por socorro médico, as pessoas que se encontram próximas devem manter o doente aquecido e seus membros inferiores devem ser lentamente elevados para para facilitar o retorno do sangue ao coração. Qualquer sangramento deve ser interrompido e a respiração deve ser controlada. A cabeça da vítima deve ser virada para o lado, para evitar a aspiração de vômito. Nada deve ser administrado pela via oral. A equipe médica de emergência pode prover a respiração mecânica assistida. Todo medicamento será administrado por via intravenosa.

Em geral, não são administrados narcóticos, sedativos e tranqüilizantes, pois eles tendem a diminuir a pressão arterial. Podem ser feitas tentativas para aumentar a pressão arterial com calças antichoques militares (ou médicas). Essas calças exercem pressão sobre a parte inferior do corpo e, dessa forma, o sangue dos membros inferiores (pernas) é direcionado para o coração e para o cérebro. São administrados líquidos pela via intravenosa. Geralmente, é realizada a prova cruzada de sangue antes de uma transfusão sangüínea. No entanto, em uma situação emergencial na qual não há tempo para a sua realização, o sangue do tipo O negativo pode ser administrado em qualquer pessoa.

A administração de líquidos pela via intravenosa e a transfusão sangüínea podem ser medidas insuficientes para combater o choque quando o sangramento ou a perda líquida persistir ou quando o choque é decorrente de um infarto do miocárdio ou de um outro problema não relacionado ao volume sangüíneo. Drogas que promovem a constrição dos vasos sangüíneos podem ser administradas para favorecer o fluxo sangüíneo ao cérebro ou ao coração, mas essas drogas devem ser usadas durante o menor tempo possível, pois elas podem reduzir o fluxo sangüíneo aos tecidos.

Quando o choque é causado por um bombeamento cardíaco ineficaz, devem ser tomadas providências para melhorar o desempenho cardíaco. As anomalias da freqüência e do ritmo cardíacos devem ser corrigidas e, quando necessário, o volume sangüíneo deve ser aumentado. A atropina pode ser administrada para acelerar um ritmo cardíaco lento, assim como outras drogas para melhorar a capacidade de contração do miocárdio. Nos pacientes, vítimas de um infarto do miocárdio, uma bomba com balão pode ser inserida na aorta para reverter o choque temporariamente.

Após esse procedimento, pode ser necessária a realização emergencial de uma cirurgia de revascularização do miocárdio ou de uma cirurgia de correção de defeitos cardíacos. Em alguns casos de choque secundário a um infarto do mocárdio, uma angioplastia coronariana transluminal percutânea de emergência, para desobstrução da artéria bloqueada, pode melhorar a função de bomba do coração lesado e combater o choque resultante. Geralmente, antes desse procedimento, os pacientes recebem drogas intravenosas que visam destruir os coágulos (drogas trombolíticas).

Quando não é realizada uma angioplastia coronariana transluminal percutânea ou uma cirurgia cardíaca de emergência, é administrada uma droga trombolítica o mais precocemente possível, exceto quando isto pode agravar outros problemas clínicos apresentados pelo paciente. O choque causado pela dilatação excessiva dos vasos sangüíneos é tratado principalmente com drogas que promovem a constrição dos vasos, concomitantemente com a correção da causa subjacente da dilatação excessiva.

fonte: Manual Merck