ENFERMAGE, CIÊNCIAS E SAÚDE

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências da Saúde - Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo.

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Tumores do Fígado


Os tumores do fígado podem ser não cancerosos (benignos) ou cancerosos (malignos). Os tumores cancerosos podem ter origem no fígado ou podem disseminar ao fígado de outras partes do corpo. O câncer de origem hepática é denominado câncer hepático primário e aquele que é originário de alguma outra parte do corpo é denominado câncer metastático. A grande maioria dos cânceres de fígado são metastáticos. Os tumores hepáticos benignos (não cancerosos) são relativamente comuns.

Normalmente, eles são assintomáticos. A maioria é detectada durante a realização de exames de investigação como, por exemplo, uma ultra-sonografia, uma tomografia computadorizada (TC) ou uma ressonância magnética (RM), devida a algo não relacionado ao tumor. No entanto, alguns desses tumores podem causar aumento de volume do fígado ou sangramento do mesmo com acúmulo de sangue no interior da cavidade abdominal. Comumente, a função hepática é normal e, conseqüentemente, os exames de sangue revelam níveis de enzimas hepáticas normais ou apenas discretamente elevados.

Adenoma Hepatocelular

O adenoma hepatocelular é um tumor hepático benigno e comum. Os adenomas hepatocelulares ocorrem principalmente em mulheres em idade fértil, provavelmente porque os contraceptivos orais aumentam o risco desse tipo de tumor. Habitualmente, esses tumores são assintomáticos e, por essa razão, a maioria permanece indetectada. Raramente, um adenoma rompe abruptamente e sangra para o interior da cavidade abdominal, exigindo uma cirurgia de emergência. Os adenomas causados por contraceptivos orais freqüentemente desaparecem quando o seu uso é interrompido. Em casos extremamente raros, um adenoma hepatocelular pode tornar-se canceroso.

Emangioma

O hemangioma é um tumor hepático benigno constituído por uma massa de vasos sangüíneos anormais. Estima-se que 1 a 5% dos adultos apresentam pequenos hemangiomas hepáticos assintomáticos. Normalmente, esses tumores são detectados apenas quando, por alguma razão, o indivíduo é submetido a uma ultra-sonografia ou a uma tomografia computadorizada (TC). Os hemangiomas não exigem tratamento. Ocasionalmente, em lactentes, hemangiomas grandes podem produzir sintomas que levam à sua detecção como, por exemplo, a coagulação intravascular disseminada e a insuficiência cardíaca. A cirurgia pode ser necessária.

Epatoma

O hepatoma (carcinoma hepatocelular) é um câncer que se origina nos hepatócitos (células hepáticas). Os hepatomas são o tipo mais comum de câncer de origem hepática (câncer hepático primário). Em certas áreas da África e do sudeste asiático, os hepatomas são ainda mais comuns que o câncer hepático metastático, sendo uma causa importante de morte. Nessas áreas, existe uma elevada prevalência de infecção crônica causada pelo vírus da hepatite B, que aumenta o risco de hepatomas em mais de 100 vezes. A infecção crônica pelo vírus da hepatite C também aumenta o risco de hepatoma. Finalmente, certas substâncias cancerígenas (carcinógenos) produzem hepatomas.

Em regiões subtropicais, nas quais os hepatomas são comuns, os alimentos freqüentemente estão contaminados por carcinógenos denominados aflatoxinas, substâncias produzidas por determinados tipos de fungos. Na América do Norte, na Europa e outras áreas do mundo onde os hepatomas são menos comuns, quase todos os indivíduos com esse tipo de tumor são alcoolistas que apresentam cirrose há muito tempo. Outros tipos de cirrose também estão associados aos hepatomas, embora o risco seja menor nos casos de cirrose biliar primária que nos outros tipos. O carcinoma fibrolamelar é um tipo raro de hepatoma que, normalmente, afeta adultos relativamente jovens. Este tumor não é causado por uma cirrose preexistente, infecção pelo vírus da hepatite B ou C ou por outros fatores de risco conhecidos.

Sintomas

Comumente, os sintomas iniciais de um hepatoma são a dor abdominal, a perda de peso e uma grande massa que pode ser palpada na região superior direita do abdômen. Alternativamente, um indivíduo com cirrose há muito tempo pode apresentar inesperadamente uma piora acentuada do quadro. A febre é comum. Ocasionalmente, os sintomas iniciais são a dor abdominal aguda e o choque, o qual é causado por uma ruptura ou por um sangramento do tumor.

Diagnóstico

Nos indivíduos com hepatomas, é comum a elevação da concentração de alfa-fetoproteína no sangue. Ocasionalmente, os exames de sangue revelam baixas concentrações de glicose ou altas concentrações de cálcio, de lipídeos ou de eritrócitos (glóbulos vermelhos). No início, os sintomas não fornecem muitos indícios para o diagnóstico. Entretanto, quando o fígado aumenta de volume o suficiente para ser palpado, o médico pode suspeitar do diagnóstico, especialmente quando o indivíduo apresenta uma cirrose de longa duração. Com o auxílio de um estetoscópio, o médico pode ocasionalmente auscultar sons de ronco (sopros hepáticos) na região onde o fígado está localizado.

Algumas vezes, a ultra-sonografia e a tomografia computadorizada (TC) do abdômen podem detectar cânceres que ainda não causaram sintomas. Em alguns países onde a hepatite B é comum (p.ex., Japão) a ultra-sonografia é utilizada no rastreamento da população que apresenta este tipo de infecção, visando detectar o câncer de fígado. A arteriografia hepática (radiografias realizadas após a injeção de uma substância radiopaca na artéria hepática) pode revelar hepatomas. A arteriografia hepática é particularmente útil antes da remoção cirúrgica do hepatoma, pois ela revela ao cirurgião a localização exata dos vasos sangüíneos hepáticos. A biópsia hepática (coleta de uma pequena amostra de tecido hepático com o auxílio de uma agulha para exame ao microscópio) pode confirmar o diagnóstico. Em geral, o risco de sangramento ou de outras lesões durante uma biópsia hepática é baixo.

Prognóstico e Tratamento

Normalmente, o prognóstico para os indivíduos com hepatoma é ruim, pois o tumor é detectado muito tardiamente. Ocasionalmente, um indivíduo com um tumor pequeno pode evoluir muito bem após a remoção cirúrgica.

Outros Cânceres Primários do Fígado

O colangiocarcinoma é um câncer que se origina no revestimento dos canais biliares do fígado ou nos condutos biliares. No Oriente, a infestação por parasitas denominados trematódeos pode ser parcialmente responsável por este tipo de câncer. Ocasionalmente, os indivíduos com colite ulcerativa e com colangite esclerosante de longa duração desenvolvem um colangiocarcinoma.

O hepatoblastoma é um dos cânceres mais comuns em lactentes. Ocasionalmente, ele ocorre em crianças maiores e podem produzir hormônios denominados gonadotrofinas, os quais acarretam puberdade precoce. Habitualmente, o hepatoblastoma é detectado devido a um comprometimento geral do estado de saúde e a uma grande massa localizada na região superior direita do abdômen. O angiossarcoma é um câncer raro que se origina nos vasos sangüíneos do fígado. O angiossarcoma pode ser causado pela exposição ao cloreto de vinila no ambiente de trabalho.

Diagnóstico e Tratamento

Os colangiocarcinomas, os hepatoblastomas e os angiossarcomas somente podem ser diagnosticados através da biópsia hepática (coleta de uma amostra de tecido hepático com o auxílio de uma agulha para exame microscópico). Normalmente, o tratamento é de pouca valia e a maioria dos indivíduos com esses tipos de tumores morrem em poucos meses após a sua detecção. No entanto, quando o câncer é detectado a tempo, o tumor pode ser removido cirurgicamente, existindo então a possibilidade de uma sobrevida prolongada.

Cânceres Hepáticos Metastáticos

Os cânceres hepáticos metastáticos são tumores originários em outras áreas do corpo que se propagam ao fígado. Mais comumente, o tumor hepático metastático é originário dos pulmões, das mamas, do intestino grosso, do pâncreas e do estômago. A leucemia e outros cânceres de células sangüíneas (p.ex., linfomas) podem envolver o fígado. Algumas vezes, a descoberta de um tumor hepático metastático é a primeira indicação de que um indivíduo apresenta um câncer.

Sintomas

Freqüentemente, os sintomas iniciais incluem a perda de peso e a inapetência. Caracteristicamente, o fígado apresenta um aumento de volume, é duro e pode ser doloroso à palpação. O indivíduo pode apresentar febre. Ocasionalmente, pode ocorrer esplenomegalia (aumento de volume do baço), sobretudo quando a origem do câncer for o pâncreas. A cavidade abdominal pode estar distendida em decorrência da ascite (acúmulo de líquido no interior da cavidade abdominal).

A princípio, o indivíduo não apresenta icterícia ou apresenta apenas uma icterícia discreta, exceto quando o tumor obstrui as vias biliares. Nas semanas que antecedem a morte, ocorre um aumento progressivo da icterícia. Além disso, à medida que ocorre o acúmulo de toxinas no cérebro (encefalopatia hepática), o indivíduo pode apresentar confusão mental e sonolência.

Diagnóstico

Nos estágios finais da doença, o médico normalmente consegue diagnosticar um câncer hepático metastático com razoável facilidade. No entanto, o diagnóstico é mais difícil nos estágios iniciais. A ultra-sonografia, a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) do fígado podem revelar o câncer, mas esses procedimentos nem sempre conseguem detectar tumores pequenos ou diferenciar um tumor de uma cirrose ou de outras anormalidades. Freqüentemente, os tumores causam disfunção hepática, que pode ser detectada através de exames de sangue.

A biópsia hepática (coleta de uma pequena amostra de tecido do fígado com o auxílio de uma agulha para exame microscópico) confirma o diagnóstico em apenas aproximadamente 75% dos casos. Para melhorar as chances de obter uma amostra de tecido canceroso, o médico pode utilizar a ultra-sonografia como guia durante a passagem da agulha de biópsia. Como alternativa, a amostra pode ser obtida enquanto o médico examina o fígado com o auxílio de um laparoscópio (tubo de visualização de fibra óptica), o qual é inserido através da parede abdominal. Normalmente, a leucemia é diagnosticada baseando- se nos resultados de exames de sangue e da medula óssea. Geralmente, a realização de uma biópsia hepática é desnecessária.

Tratamento

Dependendo do tipo de câncer, medicamentos antineoplásicos podem reduzir temporariamente o volume do tumor e prolongar a vida, mas eles não curam o câncer. Os medicamentos antineoplásicos podem ser injetados na artéria hepática, que libera então uma alta concentração das drogas diretamente nas células cancerosas do fígado. Esta técnica mais provavelmente reduz o tamanho do tumor e causa menos efeitos colaterais, mas não foi comprovado que ela pode prolongar a vida.

Algumas vezes, a radioterapia sobre o fígado pode reduzir a dor intensa, mas, além deste efeito, ela produz poucos efeitos benéficos. Quando apenas um tumor é detectado no fígado, o cirurgião pode removê-lo, principalmente quando ele é originário de um câncer de intestino. No entanto, nem todos os especialistas consideram que esta cirurgia vale a pena de ser realizada. Para a maioria dos indivídos com câncer disseminado, tudo o que o médico pode fazer é aliviar os sintomas.

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