ENFERMAGE, CIÊNCIAS E SAÚDE

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências da Saúde - Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo.

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domingo, 6 de dezembro de 2009

Causas e Riscos do Câncer


O câncer é uma célula que perdeu seus mecanismos de controle normais e, conseqüentemente, apresenta um crescimento desregulado.

O câncer pode desenvolver-se a partir de qualquer tecido no interior de qualquer órgão. À medida que as células cancerosas crescem e se multiplicam, elas formam uma massa de tecido canceroso que invade os tecidos adjacentes e pode disseminar (produzir metástases) por todo o corpo.

Como o Câncer se Desenvolve

As células cancerosas desenvolvem-se a partir de células normais em um processo complexo denominado transformação. A primeira etapa nesse processo é a iniciação, na qual uma alteração do material genético da célula a instrui para tornar-se cancerosa. A alteração do material genético da célula é ocasionada por um agente denominado carcinógeno (p.ex., substâncias químicas, vírus, radiação ou luz solar). No entanto, nem todas as células são igualmente suscetíveis aos carcinógenos.

Uma alteração genética na célula ou outro agente, denominado promotor, pode torná-la mais suscetível. Mesmo a irritação física crônica pode tornar as células mais propensas a se tornarem cancerosas. Na etapa seguinte, a promoção, uma célula que iniciou sua alteração torna-se cancerosa. A promoção não tem efeito sobre as células não iniciadas. Portanto, para ocorrer o câncer, são necessários vários fatores, freqüentemente a combinação de uma célula suscetível e um carcinógeno.

No processo através do qual uma célula normal torna-se cancerosa, em última instância, o seu DNA sofre uma alteração. Freqüentemente, é difícil se detectar alterações no material genético de uma célula, mas, algumas vezes, uma alteração de tamanho ou de forma de um determinado cromossomo indica um certo tipo de câncer. Por exemplo, um cromossomo anormal denominado cromossomo Filadélfia é encontrado em 80% dos indivíduos com leucemia mielocítica crônica. Alteraçõesgenéticas também têm sido identificada sem tumores cerebrais e cânceres do cólon, de mama, de pulmão e de ossos. Para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, podem ser necessárias várias alterações cromossômicas. Estudos sobre a polipose do cólon familiar (um distúrbio intestinal hereditário no qual ocorre a formação de pólipos que se tornam cancerosos) sugeriram como essa doença pode evoluir para um câncer de cólon: o revestimento normal do cólon começa a crescer mais ativamente (hiperprolifera) porque as células não mais possuem um gene supressor no cromossomo 5, que normalmente controla o seu crescimento. A seguir, uma discreta alteração do DNA promove alterações para formar um adenoma (um tumor benigno). Um outro gene (o oncogene RAS) faz com que o adenoma cresça mais ativamente. A perda subseqüente de um gene supressor do cromossomo 18 estimula ainda mais o adenoma e, finalmente, a perda de um gene do cromossomo 17 converte o adenoma benigno em câncer. Alterações adicionais podem fazer com que o câncer produza metástases.

Carcinógenos

Carcinógenos: Agentes Químicos que Podem Causar Câncer

Substância Química
Tipo de Câncer
Ambiental e Industrial
Arsênico Pulmão
Asbesto Pulmão, pleura
Aminas aromáticas Bexiga
Benzeno Leucemia
Cromatos Pulmão
Níquel Pulmão, seios nasais
Cloreto de vinil Fígado
Associados ao estilo de vida
Álcool Esôfago, boca, garganta
Nozes de betel Boca, garganta
Tabaco Cabeça, pescoço, pulmões, esôfago, bexiga
Utilizados na Medicina
Agentes alquilantes Leucemia, bexiga
Dietilestilbestrol Fígado, vagina (se houve exposição anterior ao nascimento)
Oximetolona Fígado
Torotrast Vasos sangüíneos

Mesmo quando uma célula torna-se cancerosa, o sistema imune freqüentemente consegue destruí-la antes que ela replique-se e estabeleça como um câncer. É mais provável que o câncer se desenvolva quando o sistema imune está comprometido, como nos individuos com AIDS, aqueles medicados com drogas imunossupressores e naqueles com certas doenças autoimunes. No entanto, o sistema imune não é à prova de erros; o câncer pode escapar à vigilância protetora desse sistema mesmo quando ele está funcionando normalmente.

Fatores de Risco

Uma grande quantidade de fatores genéticos ambientais aumenta o risco de desenvolvimento de câncer.

A história familiar é um fator importante. Algumas amílias apresentam um risco significativamente mais elevado de apresentar certos tipos de câncer em comparação com outras. Por exemplo, o risco de uma mulher apresentar um câncer de mama aumenta 1,5 a 3 vezes se a sua mãe ou a sua irmã tiver apresentado. Alguns cânceres de mama estão associados a uma mutação genética específica que é mais freqüente em alguns grupos étnicos e em algumas famílias. As mulheres que apresentam essa mutação genética têm uma probabilidade de 80 a 90% de desenvolverem câncer de mama e uma chance de 40 a 50% de desenvolverem câncer de ovário. Os pesquisadores verificaram que 1% das mulheres judias Ashkenazi apresenta essa mutação genética. Muitos outros cânceres, inclusive alguns cânceres de pele e de cólon, tendem também a ocorrer em famílias.

Os indivíduos com anormalidades cromossômicas apresentam maior risco de câncer. Por exemplo, os indivíduos com síndrome de Down, que possuem três cromossomos número 21 ao invés dos dois normais, apresentam um risco 12 20 vezes maior de leucemia aguda. Vários fatores ambientais aumentam o risco de câncer. Um dos mais importantes é o tabagismo. O tabagismo aumenta substancialmente o risco de câncer de pulmão, de boca, de laringe e de bexiga.