ENFERMAGE, CIÊNCIAS E SAÚDE

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências da Saúde - Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo.

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Exames Diagnósticos, Distúrbios do Fígado e da Vesícula


Os laboratórios podem realizar uma variedade de exames que ajudam os médicos a avaliarem distúrbios hepáticos, da vesícula biliar e das vias biliares. Entre os mais importantes encontra-se um grupo de exames de sangue conhecido como provas da função hepática. Dependendo da suspeita diagnóstica apresentada pelo paciente, o médico também pode solicitar alguns exames de diagnóstico por imagem como, por exemplo, uma ultra-sonografia, uma tomografia computadorizada ou uma ressonância magnética. O médico também pode realizar uma biópsia hepática (obtenção de uma amostra de tecido hepático para exame microscópico).

Exames Laboratoriais e de Diagnóstico por Imagem

Os exames da respiração mensuram a capacidade do fígado de metabolizar várias drogas. A droga, marcada com um marcador radioativo, pode ser administrada pela via oral ou intravenosa. O nível de radioatividade encontrado na respiração do indivíduo é uma medida da quantidade da droga metabolizada pelo fígado. A ultra-sonografia utiliza ondas sonoras para gerar imagens do fígado, da vesícula biliar e vias biliares. O exame é melhor para detectar anormalidades estruturais (p.ex.,tumores) do que anormalidades difusas (p.ex., cirrose). É a técnica mais barata, mais segura e mais sensível para a geração de imagens da vesícula biliar e das vias biliares.

Provas de Função Hepática

As provas de função hepática são realizadas em amostras de sangue. A maioria dos exames mensuram os níveis de enzimas ou de outras substâncias no sangue como uma maneira de se diagnosticar distúrbios hepáticos. Um dos exames mede o tempo necessário para que ocorra a coagulação do sangue.

Exame O que é medido O que o exame pode indicar
Fosfatase alcalina Uma enzima produzida pelo fígado, pelos ossos e pela placenta e que é liberada na corrente sangüínea durante uma lesão ou durante atividades normais como o crescimento ósseo ou a gravidez Obstrução do ducto biliar, lesão hepática e alguns cânceres
Alanina transaminase (ALT) Enzima produzida pelo fígado que é liberada na corrente sangüínea quando ocorre lesão de células hepáticas Lesão celular hepática (p.ex., hepatite)
Aspartato transaminase (AST) Enzima liberada na corrente sangüínea quando ocorre uma lesão hepática, cardíaca, muscular ou cerebral Lesão hepática, cardíaca, muscular ou cerebral
Bilirrubina Componente do suco digestivo (bile) produzido pelo fígado Obstrução do fluxo da bile, lesão hepática, destruição excessiva de eritrócitos (a partir dos quais a bilirrubina é formada)
Gamaglutamil transpeptidase Enzima produzida pelo fígado, pelo pâncreas e pelos rins e que é liberada na corrente sangüínea quando esses órgãos são lesados Lesão orgânica, intoxicação por drogas/ medicamentos, abuso de álcool, doenças do pâncreas
Desidrogenase láctica Enzima liberada na corrente sangüínea quando determinados órgãos são lesados Lesão hepática, cardíaca, pulmonar ou cerebral e destruição excessiva de eritrócitos
5’-nucleotidase Enzima presente apenas no fígado e liberada na corrente sangüínea quando ele é lesado Obstrução do ducto biliar ou comprometimento do fluxo biliar
Albumina Proteína produzida pelo fígado e normalmente liberada no sangue. Uma das funções da albumina é reter líquido no interior dos vasos sangüíneos Lesão hepática
Alfafetoproteína Proteína produzida pelo fígado e testículos do feto Hepatite grave ou câncer do fígado ou dos testículos
Anticorpos mitocondriais Anticorpos circulantes contra a mitocôndria, um componente interno das células Cirrose biliar primária e certas doenças auto-imunes (p.ex., hepatite crônica ativa)
Tempo de protrombina Tempo necessário para que o sangue coagule (a coagulação requer vitamina K e substâncias sintetizadas pelo fígado) Lesão hepática ou deficiência da absorção de vitamina K causada por uma carência de bile


Utilizando a ultra-sonografia, o médico pode detectar imediatamente a presença de cálculos na vesícula biliar. A ultra-sonografia distingue facilmente a icterícia causada por uma obstrução do ducto biliar daquela causada pela disfunção celular hepática. Um tipo de ultra-sonografia, a ultra-sonografia com Doppler vascular, pode ser utilizada para mostrar a circulação nos vasos sangüíneos hepáticos. O médico também pode utilizar a ultra-sonografia como guia durante a realização de biópsia com agulha. A cintilografia com radionuclídeos (radio-isótopos) utiliza uma substância contendo um marcador radioativo que é injetado no corpo e captado por um determinado órgão. A radioatividade é detectada por uma câmara de raios gama conectada a um computador, o qual então gera uma imagem. A cintilografia hepática é um tipo de exame que utiliza radionuclídeos que são absorvidos pelos hepatócitos (células do fígado).

A cintilografia das vias biliares é um outro tipo de exame que utiliza radionuclídeos que são excretados pelo fígado no interior das vias biliares. Ela é utilizada para detectar a inflamação aguda da vesícula biliar (colecistite). A tomografia computadorizada (TC) pode fornecer imagens excelentes do fígado e é particularmente útil na detecção de tumores. Ela consegue detectar distúrbios difusos (p.ex., fígado gorduroso) e tecido hepático com densidade anormal devida à hemocromatose (depósito excessivo de ferro). No entanto, como a TC utiliza raios X e é cara, ela não é tão amplamente utilizada quanto a ultra-sonografia.

A ressonância magnética (RM) fornece imagens excelentes, semelhantes as geradas pela TC. No entanto, a RM apresenta algumas desvantagens: ela é mais cara que a TC, é mais longa que os outros métodos de diganóstico por imagem e o paciente deve permanecer deitado no interior de uma câmara estreita, o que pode fazer com que alguns indivíduos apresentem claustrofobia. A colangiopancreatografia endoscópica retrógrada é um exame no qual um endoscópio (um tubo de visualização flexível) é inserido na boca e passado através do estômago e do duodeno até as vias biliares. Em seguida, é injetado um contraste (uma substância radiopaca) nos ductos das vias biliares e são realizadas radiografias.

Em 3% a 5% dos pacientes, este exame causa pancreatite (inflamação do pâncreas). A colangiografia transhepática percutânea consiste na inserção de uma agulha longa através da pele até o fígado e, em seguida, na injeção de um contraste em um dos ductos biliares do fígado. O médico pode utilizar a ultra-sonografia como guia durante a inserção da agulha. As radiografias revelam com nitidez as vias biliares, sobretudo um bloqueio presente no interior do fígado. A colangiografia intra-operatória utiliza um contraste (uma substância radiopaca) visível nas radiografias. Durante a cirurgia, o contraste é injetado diretamente nos ductos das vias biliares. Em seguida, são realizadas radiografias, as quais mostram imagens nítidas das vias biliares. Freqüentemente, as radiografias simples podem revelar a presença de um cálculo biliar calcificado.

Técnicas Radiográficas para Avaliação das Vias Biliares

Essas três técnicas diagnósticas utilizam um contraste radiopaco para delinear as vias biliares nas radiografias.

Colangiopancreatografia
Endoscópica Retrógrada
Colangiografia Transhepática
Percutânea
Colangiografia
Intra-Operatória
Na colangiopancreatografia
endoscópica retrógrada (CPER), um contraste radiopaco é introduzido através de um endoscópio, que é inserido na boca e passado através do estômago até o duodeno (porção superior do intestino delgado). O contraste é introduzido através do esfíncter de Oddi e, em seguida, ele reflui em direção ao sistema biliar.
Na colangiografia trans-hepática
percutânea, um contraste
radiopaco é injetado através da pele diretamente num pequeno conduto biliar no fígado. Em seguida, o contraste flui através do trato biliar.
Na colangiografia intra operatória, um contraste radiopaco é injetado diretamente no interior do trato biliar durante a cirurgia.

Biópsia Hepática

Uma amostra de fígado pode ser obtida durante uma cirurgia exploradora. No entanto, mais freqüentemente, ela é obtida através de uma punção biópsia com agulha (inserção de uma agulha através da pele até o fígado). Antes do procedimento, é realizada uma anestesia local. O médico pode utilizar a ultra-sonografia ou a tomografia computadorizada como guia para localizar a área anormal, de onde será coletada a amostra. Na maioria dos centros médicos, as biópsias hepáticas são realizadas em nível ambulatorial. Após a obtenção da amostra, o indivíduo permanece no hospital por 3 a 4 horas, pois existe um pequeno risco de complicação. O fígado pode ser lacerado e pode ocorrer sangramento para o interior da cavidade abdominal.

A bile pode extravasar para o interior da cavidade abdominal e causar peritonite (inflamação do revestimento abdominal). Como o sangramento pode ocorrer até 15 dias após o procedimento, o indivíduo deverá permanecer em um local próximo, distante no máximo uma hora de automóvel do hospital. Em aproximadamente 2% dos indivíduos, essas complicações causam problemas graves e a taxa de mortalidade nesse procedimento é de 1:10.000.

A dor discreta na região superior direita do abdômen, algumas vezes irradiando para o ombro direito, é comum após uma biópsia hepática e ela é normalmente aliviada com a administração de analgésicos. Na biópsia hepática transvenosa, um cateter é inserido em uma veia do pescoço, conduzido através do coração e introduzido em uma das veias hepáticas provenientes do fígado. Em seguida, a agulha do cateter é inserida através da parede da veia até o interior do fígado. Esta técnica apresenta uma menor probabilidade de lesar o fígado do que a a biópsia hepática percutânea e pode ser reailzada mesmo em indivíduos que sangram facilmente.

fonte: Manual Merck