ENFERMAGE, CIÊNCIAS E SAÚDE

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências da Saúde - Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo.

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Câncer e outros Tumores do sistema Digestivo


Uma ampla variedade de tumores pode desenvolver-se ao longo do trato digestivo (gastrointestinal), do esôfago ao reto. Alguns desses tumores são cancerosos (malignos) e outros não são cancerosos (benignos).

Esôfago

O tumor benigno mais freqüente do esôfago é leiomioma, um tumor do músculo liso. Na maioria dos casos, o prognóstico do leiomioma é excelente. O câncer de esôfago mais comum é o carcinoma, seja o carcinoma de células escamosas (também denominado carcinoma epidermide ou escamocelular), seja o adenocarcinoma. outros tipos de câncer de esôfago incluem o linfoma (câncer dos linfócitos), o leiomiossarcom a (câncer do músculo liso do esôfago) ecâncer que se disseminou (produziu metástases) de qualquer outro local do corpo.

O câncer pode ocorrer em qualquer região do esôfago. Ele pode manifestar-se com o uma estenose do esôfago, com o um nódulo ou com o uma área achatada anormal (placa). O câncer de esôfago é mais comum em indivíduos que apresentam estenose de esôfago devido à ingestão de um álcali forte (p. Ex., a lixívia, utilizada para a limpeza). O câncer de esôfago também é mais comum entre os indivíduos com acalasia (distúrbio no qual o esfíncter esof gico inferior não consegue abrir adequadamente), com obstruções do esôfago (p. Ex., membrana esofágica) ou com câncer da cabeça e do pescoço.

O tabagismo e o alcoolismo também aumentam o risco de câncer de esôfago. Na realidade, eles são os fatores de risco mais importante do carcinoma de células escamosas (epidermide ). Parece que certas alterações do revestimento do esôfago precedem o desenvolvimento do câncer em alguns indivíduos. Essas alterações ocorrem após uma irritação prolongada do esôfago devido ao refluxo ácido ou de bile.

Sintomas e Diagnóstico

Como o câncer de esôfago tende a obstruir a passagem dos alimentos , o primeiro sintoma comumente é a dificuldade de deglutição de alimentos sólidos. No decorrer de v rias semanas, o problema evolui e o individuo apresenta dificuldade para deglutir alimentos pastosos e, em seguida, líquidos. O resultado é uma perda de peso acentuada. O câncer de esôfago é diagnosticado por meio de um procedimento radiológico denominado trânsito de bário, no qual o indivíduo ingere uma solução de bário, o qual é radiopaco e, conseqüentemente, pode ser observado nas radiografias do esôfago, delineando a obstrução. A região anormal também deve ser examinada com o auxílio de um endoscópio (tubo de visualização flexível). O endoscópio permite ao médico coletar uma amostra de tecido (biópsia) e células livres (citologia deescova) para exame microscópico.

Tratamento e Prognóstico

Menos de 5% dos indivíduos com câncer de esôfago sobrevivem mais de cinco anos. Muitos morrem no primeiro ano após a manifestação dos primeiros sintomas. A quimioterapia não cura o câncer de esôfago. No entanto, quando utilizada isoladamente ou combinada à radioterapia, ela pode reduzir os sintomas e prolongar a vida. Quando ela é possível, a cirurgia para remover o tumor provê um alívio temporário dos sintomas, mas raramente ela é curativa. Outras medidas que aliviam os sintomas incluem a dilatação da área estenosada do esôfago, a passagem de uma sonda para manter o esôfago aberto, o desvio (bypass) do tumor utilizando uma alça intestina e a laser terapia para destruir o tecido canceroso que está causando a obstrução do esôfago.

Estômago

É improvável que tumores benignos do estômago causem sintomas ou problemas clínicos. Ocasionalmente, no entanto, Alguns sangram ou tornam-se cancerosos. Aproximadamente 99% dos câncer es de estômago são adenocarcinomas. Outros câncer estômago são o leiomiossarcom as (câncer esdo músculo liso) e os linfomas. O câncer de estômago é mais comum em idosos. Menos de 25% desse câncer ocorrem em indivíduos com menos de 50 anos de idade. O câncer de estômago é extremamente comum no Japão, na China, no Chile e na Islândia. Nos Estados Unidos, ele é mais comum entre os indivíduos pobres, os da raça negra e os habitantes do norte do país. Ele é a sétima causa mais comum de morte devida ao câncer nos Estados Unidos, ocorrendo em aproximadamente 8 em cada 100.000 habitantes. Por razões desconhecidas, o câncer de estômago está se tornando menos comum nos Estados Unidos.

Causas

Freqüentemente, o câncer de estômago inicia em um local onde o revestimento do estômago encontra-se inflamado. Contudo, muitos estudiosos acreditam que essa inflamação é decorrente do câncer de estômago e não a sua causa. Alguns especialistas sugerem que as úlceras gástricas podem levar ao câncer do estômago, mas é provável que a maioria dos indivíduos com úlcera e câncer de estômago apresentava um câncer não detectado antes da ocorrência da úlcera. O Helicobacter pylori, bactéria que tem um papel importante com o causa de úlceras duodenais, também pode ter um papel em Alguns cânceres de estômago.

Acredita-se que os pólipos do estômago, tumores arredondados benignos e incomuns que se projetam para o interior da cavidade gástrica, sejam precursores do câncer e, por essa razão, eles são removidos. A ocorrência de câncer é especialmente provável em determinados tipos de pólipos, em um pólipo com mais de 2 cm de diâmetro ou quando existem vários pólipos. Acredita-se que certos fatores nutricionais tenham um papel no desenvolvimento do câncer de estômago. Esses fatores incluem a grande ingestão de sal, a grande ingestão de carboidratos, a grande ingestão de conservantes (nitratos)e a baixa ingestão de vegetais folhosos verdes e frutas. No entanto, não foi provado que qualquer um desses fatores cause câncer .

Sintomas

Nos estágios iniciais do câncer de estômago, os sintomas são vagos e passam facilmente desapercebidos. Quando os sintomas tornam-se evidentes, eles podem auxiliar na localização do câncer de estômago. Por exemplo, a sensação de plenitude ou de desconforto após uma refeição pode indicar um câncer na porção inferiordo estômago. A perda de peso ou a fraque za normalmente é decorrente de uma dificuldade para se alimentar ou de uma incapacidade para absorver determinadas vitaminas e minerais. A anemia pode ser resultante de um sangramento muito gradual que não causa outros sintomas.

É incomum o indivíduo apresentar hematêmese (vômito de sangue) abundante ou melena (fezes pretas, semelhantes ao alcatrão). No caso de um câncer de estômago avançado , o medico pode palpar uma massa através da parede abdominal. Mesmo nos estágios iniciais, um peque no tumor gástrico pode disseminar (produzir metástases) para locais distantes. A disseminação do tumor pode causar aumento do volumedo fígado , icterícia, ascite (acúmulo de líquido na cavidade abdominal) e nódulos cutâneos cancerosos. A disseminação do câncer também pode causar enfraque cimento ósseo, acarretando fraturas ósseas.

Diagnóstico

Os sintomas do câncer de estômago podem ser confundidos com os sintomas de uma úlcera péptica. O médico suspeita de um câncer de estômago quando os sintomas não desaparecem após um tratamento anti-ulceroso ou quando os sintomas incluem a perda de peso. Freqüentemente, são realizados estudos radiográficos contrastados com bário para sedetectar alterações da superfície do estômago. No entanto, eles raramente revelam cânceres de estômago iniciais e pequenos. A endoscopia (exame realizado com o auxílio de um tubo de visualização flexível) é o melhor procedimento diagnóstico, pois ela permite a visualização direta do estômago, a pesquisa do Helicobacter pylori, bactéria que pode ter um papel importante no câncer do estômago, e a obtenção de amostras de tecido para exame microscópico.

Tratamento e Prognóstico

Os pólipos gástricos benignos são removidos atravé s da endoscopia. Normalmente, quando o carcinoma está limitado ao estômago, é realizada uma cirurgia em uma tentativa de curá-lo. Durante o procedimento, todo o estômago ou a maior parte do mesmo e os linfonodos adjacentes são removidos. O prognóstico é bom quando o câncer não penetrou muito profundamente na parede do estômago. Nos Estados Unidos, os resultados da cirurgia são quase sempre insatisfatórios, pois a maioria dos indivíduos apresenta um câncer disseminado no momento em que o diagnóstico é realizado .

No Japão, onde os câncer es são detectados mais precocemente devido à investigação em massa com o uso da endoscopia, os resultados da cirurgia são melhores. Quando o carcinoma já disseminou além do estômago, o tratamento visa aliviar os sintomas e prolongar a vida. A quimioterapia e a radioterapia podem aliviar os sintomas. Alguma s vezes, a cirurgia é utilizada para aliviar os sintomas. Por exemplo, quando ocorre uma obstrução à passagem de alimentos na extremidade distal do estômago, uma operação de derivação (bypass) pode aliviar os sintomas. é realizada uma anastomose (conexão) entre o estômago e o intestino delgado que permite a passagem do alimento. Essa anastomose reduz os sintomas da obstrução (dor e vômito) pelo menos temporariamente. Os resultados da quimioterapia e da radioterapia são melhores para os linfomas gástricos que para os carcinomas. A maior sobrevida e inclusive a cura são possíveis.

Intestino delgado

Quase todos os tumores do intestino delgado são benignos. Os tumores cancerosos, menos comuns, incluem os carcinomas, os linfomas e os tumores carcinóides.

Tumores benignos

Os tumores benignos do intestino delgado são proliferações anormais de células gordurosas (lipomas), células nervosas (neurofibromas), células do tecido conjuntivo (fibromas) e células musculares (leiomiomas). A maioria dos tumores benignos são as sintomáticos. No entanto, os maiores podem acarretar perda de sangue nas fezes, uma obstrução intestinal parcial ou total ou o estrangulamento intestinal, quando uma parte do intestino invagina no interior de outra parte (uma condição denominada intussuscepção). Quando os sintomas parecem indicar a presença de um tumor no início ou no final do intestino delgado , o médico pode utilizar um endoscópio (um tubode visualização flexível) para observar o tumor e obter uma amostra de tecido para exame microscópico.

O estudo contrastado com bário pode mostrar todo o intestino delgado e pode ser utilizado para delimitar o tumor. Pode ser realizada A arteriografia (radiografia realizada após a injeção de um contraste em uma artéria) de uma artéria intestinal, especialmente quando o tumor estiver sangrando. De forma similar, pode-se injetar tecnécioradioativo na artéria e observar, com o auxílio de um radioscópio, com o ele escapa para o interior do intestino. Este procedimento ajuda a localizar o local onde o tumor está sangrando. O sangramento pode então ser corrigido cirurgicamente. Com o auxílio de um endoscópio, os tumores peque nos podem ser destruídos através da eletrocauterização, da obliteração por calor ou da fototerapia com laser. Para os tumores maiores, a cirurgia pode ser necessária.

tumores cancerosos

O carcinoma de intestino delgado é incomum. Entretanto, os indivíduos com doença de Crohnno intestino delgado apresentam uma maior probabilidade que os outros de apresentá-lo. O linfoma, um câncer do sistema linfático, pode desenvolver-se na porção mé dia do intestino delgado (jejuno) ou na sua porção inferior (íleo). O linfoma pode acarretar enrijecimento ou alongamento de um segmento do intestino e é mais comum em indivíduos com doença celíaca. O intestino delgado, especialmente o íleo, é o segundo local mais comum (após o apêndice) de ocorrência de tumores carcinóides. Os tumores podem causar obstrução e sangramento do intestino, os quais, conseqüentemente, podem produzir sintomas com o a presença de sangue nas fezes, dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal e vômito. Os tumores carcinóides podem sercretar hormônios que causam diarréia e rubor cutâneo. O diagnóstico de câncer de intestino delgado é estabelecido através de estudos radiográficos contrastados com bário, na endoscopia ou nalaparotomia exploradora. O melhor tratamento é a remoção cirúrgica do tumor.

Intestino grosso e reto

Os pólipos do intestino grosso e do reto são tumores que comumente são benignos. No entanto, com o Alguns deles são pré-cancerosos, os médicos geralmente recomendam a remoção de todos do intestino grosso e do reto. O câncer de intestino grosso e de reto são comuns nos países ocidentais.

Poliposo

O pólipo é um crescimento do tecido da parede intestinal, geralmente não canceroso, que invade a luz do intestino. Os pólipos podem crescer com ou sem pedículos e variam consideravelmente de tamanho. Mais comumente, os pólipos desenvolvem-se no reto e na porção mais baixa do intestino grosso. Eles são menos com uns nas regiões mais altas do intestino grosso. Aproximadamente 25% dos indivíduos com câncer de intestino grosso também apresentam pólipos em outras áreas do intestino grosso. Fortes evidências sugerem que os pólipos adenomatosos podem tornar-se cancerosos se permanecerem no intestino grosso. Quanto maior o pólipo, maior o risco dele ser canceroso.

Sintomas e Diagnóstico

A maioria dos pólipos é assintomática, mas o sintoma mais comum é o sangramento retal. Um pólipo grande pode causar cólicas, dor abdominal ou obstrução intestinal. Raramente, um pólipo comum pedículo longo pode exteriorizar-se através do ânus. Os pólipos grandes com projeções digitiformes (adenomas vilosos) podem excretar água e sais, causando uma diarré ia aquosa intensa, a qual pode acarretar uma redução da concentração de potássio no sangue (hipocalemia). Este tipo de pólipo apresenta maior probabilidade de ser canceroso ou de se tornar canceroso.

O médico é capaz de palpar pólipos localizados no reto comum dedo enluvado . No entanto, eles comumente são descobertos durante a realização de uma sigmoidoscopia de rotina (examedo reto e da porção baixa do intestino grosso com o auxílio de um tubo de visualização flexível). Quando a sigmoidoscopia revela a existência de um pólipo, é realizada uma colonoscopia (exame de todo o intestino grosso com o auxílio de um tubo de visualização flexível). Este exame mais com pleto e confiável é feito porque , freqüentemente, o indivíduo apresenta mais de um pólipo e porque um ou mais pólipos podem ser cancerosos. A colonoscopia permite ao médico a realização de biópsias (coleta de uma amostra de tecido para exame microscópico) de qualquer região que pareça cancerosa.

Sarcom a de Kaposi

Uma forma agressiva do sarcom a de Kaposi ocorre principalmente em determinadas regiões da África, em receptores de transplantes e em indivíduos com AIDS. O sarcoma de Kaposi pode surgir em qualquer região do intestino, mas, usualmente, ele começa no estômago, no intestino delgado ou na extremidade distal do intestino grosso. Embora usualmente seja assintomático, o indivíduo pode apresentar proteínas e sangue nas fezes e diarréia. uma parte do intestino pode invaginar numa parte adjacente (condição denominada intussuscepção), o que pode causar obstrução intestinal e interrupção da circulação sanguínea na área, o que caracteriza uma emergência médica. O sarcoma de Kaposi também pode manifestar-se com o manchas vermelho-violáceasna pele. O médico suspeita de sarcom a de Kaposi quando os sintomas ocorrem num indivíduo que se enquadra num dos grupos de alto risco. para confirmar o sarcom a de Kaposi no intestino, é necessária a realização de uma laparotomia exploradora. O tratamento consiste na remoção cirúrgica do sarcoma. No caso de uma intussuscepção, a cirurgia de emergência é necessária.

Tratamento

Inicialmente, é realizada a evacuação do intestino com a administração de laxantes e enemas. A seguir, os pólipos são removidos durante a colonoscopia com o auxílio de um instrumento cortante ou de uma alça metálica eletrificada. Quando o pólipo não possui pedículo ou não pode ser removido durante a colonoscopia, a cirurgia abdomina pode ser necessária. O patologista examina os pólipos removidos. Se um pólipo for canceroso, o tratamento dependerá de determinados fatores. Por exemplo, o risco do câncer disseminar é maior quando ele já invadiu o pedículo do pólipo ou encontra-se próximo do ponto de secção. O risco também pode ser considerado alto baseando-se na avaliação do patologistano que diz respeito ao aspecto microscópicodo pólipo. Quando o risco é baixo, não há necessidade de qualquer tratamento adicional. Quando o risco é alto, o segmento afetado do intestino delgado é removido cirurgicamente e é realizada A a nastomose das extremidades seccionadas. Quando um indivíduo tem um pólipo removido , todo o intestino grosso é examinado através de uma colonoscopia um ano após e, posteriormente, em intervalos definidos pelo médico. Quando a colonoscopia é impossível devido a uma estenose do intestino grosso, pode ser utilizado um enema baritado . Qualquer pólipo novo será removido.

Polipose familiar

A polipose familiar é um distúrbio hereditáriona qual ocorre a formação de 100 ou mais pólipos adenomatosos pré-cancerosos que revestem o intestino grosso e o reto. Os pólipos desenvolvem-se durante a infância ou a adolescência. Quase todos os indivíduos não tratados desenvolvem o câncer de intestino grosso (câncer de cólon) antes dos 40 anos de idade. A remoção total do intestino grosso e do reto elimina o risco de câncer . Entretanto, quando o intestino grosso é removido e o reto é anastomosado ao intestino delgado , os pólipos retais alguma svezes desaparecem . Por essa razão, muitos estudiosos preferem este procedimento. A parte remanescente do reto é examinada atravé s da sigmoidoscopia (exame comum tubo de visualização flexível) a cada 3 ou 6 meses e, dessa forma, os pólipos novos podem ser removidos.

Quando novos pólipos surgem muito rapidamente, o reto deve ser removido e o intestino delgado deve esvaziar através de uma abertura criada na parede abdominal. A conexão criada cirurgicamente entre o intestino delgado e a parede abdominal é denominada ileostomia. A síndrome de Gardner é um tipo de polipose hereditária no qual vários tipos de tumores benignos ocorrem tanto em outros locais do corpo quanto no intestino. com o outros tipos de polipose familiar, a síndrome de Gardner apresenta um risco elevado de câncer de cólon. A síndrome de Peutz-Jeghers é um distúrbio hereditáriono qual ocorre a formação de muitos tumores peque nos denominados pólipos juvenisno estômago, no intestino delgado e no intestino grosso. Os indivíduos nascem com esses pólipos ou eles podem desenvolver-se no início da infância. Os indivíduos com essa síndrome apresentam pele e membranas mucosas castanhas, especialmente dos lábios e gengivas. Os pólipos não aumentam o riscode câncer do trato intestinal. Entretanto, os indivíduos com síndrome de Peutz-Jeghers apresentam um maior risco de câncer de pâncreas, de mama, de pulmão, de ovário e de útero.

Nos países ocidentais, o câncer de intestino grosso e de reto (câncer colorretal) é o segundo tipo mais comum de câncer e a segunda causa principal de morte por câncer . A incidência de câncer colorretal começa a aumentar em torno dos 40 anos de idade e atinge o máximo entre os 60 e os 75 anos. O câncer de intestino grosso (câncer de cólon) é mais comum em mulheres; o câncer retal é mais comum em homens. Aproximadamente 5% dos indivíduos com câncer de cólon ou de reto apresentam mais de um câncer colorretal concomitante. Os indivíduos com história familiar de câncer de cólon apresentam um maior risco de apresentar um câncer . uma história familiar de polipose ou de uma doença similar aumenta orisco de câncer de cólon. Os indivíduos com colite ulcerativa ou doença de Crohn apresentam um maior risco de desenvolver câncer .

O risco está relacionado à idade do indivíduo no momento do desenvolvimento da doença e o período de tempo que ele a apresenta. A dieta tem um certo papel no risco de câncer de cólon, mas desconhece-se exatamente com o ela afeta o risco. Em todo o mundo , os indivíduos com risco elevado tendem a viverem cidades e a consumir uma dieta típica dos ocidentais de bom nível sócio-econômico, aqual é pobre em fibras e rica em proteínas animais, gorduras e carboidratos refinados (p. Ex., - açúcar). O risco parece diminuir com uma dietarica em cálcio, vitamina D e vegetais (p. Ex., couve-de-bruxelas, repolho e brócolis).

O uso em dias alternados de um comprimido de aspirina parece reduzir o risco do câncer de cólon, mas esta medida não pode ser recomendada até que haja mais informações disponíveis. Normalmente, o câncer de cóloninicia com o um aumento de volume tipo botão sobre a superfície do revestimento intestinal ou sobre um pólipo. À medida que o câncer cresce, ele começa a invadir a parede intestinal. Os linfonodos vizinhos também podem ser invadidos. com o o sangue da parede intestinal é transportado ao fígado , o câncer de cólon normalmente dissemina (produz metástases) para o fígado logo apóster disseminado para os linfonodos vizinhos.

Sintomas e Diagnóstico

O câncer de cólon cresce lentamente e leva muito tempo para tornar-se suficientemente grande a ponto de causar sintomas. Os sintomas dependem do tipo, da localização e da extensãodo câncer . O cólon ascendente possuium grande diâmetro e uma parede delgada. Com o o seu conteúdo é líquido , ele somente sofre obstrução na fase avançada do câncer . Um tumor de cólon ascendente pode crescer tanto que o médico pode palpá-lo através da parede abdominal. No entanto, a fadiga e a fraqueza devidas à anemia intensa podem ser os únicos sintomas apresentados pelo indivíduo. O cólon descendente possui um diâmetro menor e uma parede mais espessa e as fezes são semi-sólidas.

O câncer tende a envolver essa parte do cólon, causando uma alternância entre a constipaçãoe evacuações freqüentes. com o o cólondescendente é mais estreito e a sua parede é mais espessa, o câncer pode acarretar uma obstrução mais precoce. O indivíduo pode buscar tratamento médico por causa de uma dor abdominal tipo cólica ou por uma dor abdominal intensa e constipação. As fezes podem apresentar estrias de sangue ou podem estar misturadas com sangue. No entanto, o sangue freqüentemente não pode ser observado e é necessária a realização de um exame laboratorial para detectá-lo.

A maioria dos cânceres sangra e, normalmente, lentamente. No câncer de reto, o sintoma inicial mais comum é o sangramento durante a evacuação. Sempre que o reto sangra, mesmo que o indivíduo saiba que possui hemorróidas ou uma doença diverticular, o médico deve - aventar a possibilidade de um câncer . No câncer de reto, o indivíduo pode apresentar evacuações dolorosas e uma sensação de esvaziamento incompleto do reto. Permanecer na posição sentada pode ser doloroso. No entanto, o indivíduo normalmente não sente dor originadado próprio tumor, exceto quando ele dissemina para os tecidos em torno do reto. Como ocorre também com outros cânceres, os exames diagnósticos preventivos de rotina auxiliam na detecção precoce do câncer de reto.

De uma forma simples e barata, pode ser realizada a pesquisa de quantidades microscópicas de sangue nas fezes. para ajudar a garantir a precisão dos resultados dos exames, o indivíduo deve consumir uma dieta rica em fibras e sem carne vermelha durante três dias antes de coletar uma amostra defezes e enviá-la ao laboratório. Se esse exame diagnóstico indicar uma possibilidade de câncer , devem ser realizados outros exames mais específicos. Antes da endoscopia, o intestino é esvaziado , freqüentemente com a administração de laxantes fortes ou de vários enemas. Aproximadamente 65% dos câncer es colorretais podem ser detectados comum sigmoidoscópio flexível de fibraóptica.

Quando um pólipo que pode ser canceroso é observado , o médico utiliza um colonoscópio, o qual possui um maior alcance, para examinar todo o intestino grosso. Alguns tumores que parecem cancerosos são removidos com o auxílio de instrumentos cirúrgicos introduzidos através do colonoscópio, enquanto outros devem ser removidos durante uma cirurgia tradicional. Os exames de sangue podem ser úteis no estabelecimento do diagnóstico. Os níveis do - antígeno carcinoembrionário no sangue estão altos em 70% dos indivíduos com câncer colorretal. Quando os níveis do antígenocarcino embrionário estiverem altos antes da cirurgia de remoção do câncer , eles podem diminuir após a cirurgia. Quando isto ocorrer, eles podem ser dosados nos check-ups subseqüentes. Uma elevação no nível sugere a recorrência do câncer. Dois outros antígenos, o CA 19-9 e o CA125, são similares ao antígeno carcinoembrionário e também podem ser dosados.

Disseminação do câncer e Taxas de Sobrevida

Disseminação do câncer Taxa de Sobrevida Após Cinco Anos
Câncer limitado ao revestimento intestinal (mucosa) 90%
Câncer invadindo a camada muscular do intestino grosso 80%
Câncer disseminado aos linfonodos 30%

Tratamento e Prognóstico

O principal tratamento para o câncer colorretal é a remoção cirúrgica de um grande segmento do intestino afetado e dos linfonodos associados. Aproximadamente 70% dos indivíduos com câncer colorretal são bons candidatos à cirurgia. Nos 30% restantes que não podem suportar uma cirurgia devido ao mau estado de saúde, Alguns tumores podem ser removidos pela eletrocoagulação. Esse procedimento alivia os sintomas e prolonga a vida, mas a cura é improvável. Na maioria dos casos de câncer de cólon, o segmentodo intestino afetado pelo câncer é removido cirurgicamente e as extremidades remanescentes são anastomosadas. para o câncer de reto, otipo de cirurgia depende de quão distante do ânuso câncer está localizado e de quão profundamente ele invadiu a parede retal.

A remoção completa do reto e do ânus exige uma colostomia permanente (uma abertura criada cirurgicamente entre o intestino grosso e a parede abdominal). comuma colostomia, o conteúdo do intestino grosso drena através da parede abdominal para o interior de uma bolsa, a qual é denominada bolsa de colostomia. Quando possível, somente uma parte do reto é removida, deixando um coto retal e o ânus intacto. Aseguir, o coto retal é anastomosado à extremidade do intestino grosso. A radioterapia, após a remoção cirúrgica do câncer retal visível pode ajudar acontrolar o crescimento de qualquer tumor residual, pode retardar a recorrência e pode aumentar as chances de sobrevida. para os indivíduos que apresentam um câncer de reto e metástase em um a quatro linfonodos, o mais indicado é uma combinação de radioterapia e quimioterapia.

Quando existem mais de quatro linfonodos cancerosos, este tratamento é menos eficaz. Quando o câncer colorretal já disseminou e não pode ser curado somente com a cirurgia, a quimioterapia com fluorouracil e levamisol após acirurgia pode prolongar a sobrevida. No entanto, a cura permanece sendo rara. Quando o câncer colorretal disseminou de tal modo que é impossível a remoção total do tumor, a cirurgia para aliviar a obstrução intestinal pode reduzir os sintomas. No entanto, o tempo de sobrevida é comumente de apenas cerca de 7 meses. Quando o câncer produziu metástases ao fígado , as drogas quimioterápicas podem ser injetadas diretamente na artéria que irriga o fígado .

Uma pequena bomba inserida cirurgicamente sob a pele ou uma bomba externa fixada a um cinto permite que o indivíduo mova-se durante o tratamento. Apesar de caro, este tipo de tratamento pode prover maiores benefícios do que a quimioterapia tradicional. No entanto, são necessárias maiores pesquisas a respeito. Quando o câncer dissemina-se além do fígado , este tipo de tratamento não oferece vantagens. Após a remoção total do câncer colorretal através da cirurgia, a maioria dos estudiosos recomenda a realização de 2 a 5 colonoscopias anuais para examinar o intestino remanescente. Se esses exames não detectarem qualquer câncer , o paciente deverá realizar exames de acompanhamento a cada 2 ou 3 anos.

fonte: Manual Merck