ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutorando em Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo. Membro do (GEPAG) Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração de Serviços de Saúde e Gerenciamento de Enfermagem- Escola Paulista de Enfermagem UNIFESP.

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Drogas: Adição e Dependência



A adição é a atividade compulsiva e o envolvimento excessivo em uma atividade específica. A atividade pode ser o jogo, ou se referir ao uso de praticamente qualquer substância (p.ex., uma droga). As drogas podem causar dependência psicológica ou dependência psicológica e física. A dependência psicológica baseia-se no desejo de continuar tomando uma droga para induzir o prazer ou aliviar a tensão e evitar o desconforto. As drogas que produzem dependência psicológica normalmente atuam no cérebro e produzem um ou mais dos efeitos a seguir:

• Reduzem a ansiedade e a tensão
• Causam alegria, euforia ou outras mudanças agradáveis do humor
• Produzem a impressão de aumento da capacidade mental e física
• Alteram a percepção sensorial

A dependência psicológica pode ser muito poderosa e difícil de superar. Ela é particularmente comum com drogas que alteram o humor e as sensações e que afetam o sistema nervoso central. Para os droga-adidos, a atividade relacionada à droga passa a ocupar uma grande parte do dia, de modo que a adição geralmente interfere na sua capacidade laborativa, nos estudos ou na interação normal com a família e os amigos. Nos casos de dependência grave, os pensamentos e as atividades são direcionados predominantemente à obtenção e ao uso da droga. Um droga-adido pode manipular, mentir ou roubar para satisfazer a sua adição.

Os droga-adidos têm dificuldade para abandonar as drogas e, freqüentemente, eles retornam a elas após períodos de abstinência. Algumas drogas causam dependência física, que nem sempre é acompanhada de dependência psicológica. No caso de drogas que causam dependência física, o corpo adapta-se à droga quando ela é usada continuamente, acarretando tolerância e sintomas de abstinência quando o seu uso é interrompido. A tolerância é a necessidade de aumentar progressivamente a dose de uma droga para reproduzir o efeito originalmente obtido com doses menores. Os sintomas de abstinência ocorrem quando o uso da droga é interrompido ou quando os seus efeitos são bloqueados por um antagonista. Um indivíduo que apresenta síndrome de abstinência sente-se doente e pode apresentar muitos sintomas, como cefaléia, diarréia ou tremores. A abstinência pode desencadear uma doença grave e mesmo potencialmente letal.

Drogas que Podem Levar à Dependência


Droga

Dependência Psicológica

Dependência Física


Depressivos


Álcool
Sim

Sim



Narcóticos
Sim

Sim



Soníferos (hipnóticos)
Sim

Sim



Benzodiazepínicos (medicamentos ansiolíticos)
Sim

Sim



Inalantes
Sim

Possivelmente



Nitritos voláteis
Possivelmente

Provavelmente não



Estimulantes






Anfetamina
Sim

Sim



Metanfetamina (speed)
Sim

Sim



Metilenedioximetanfetamina (MDMA, Ecstasy, Adam)
Sim

Sim



Cocaína
Sim

Sim



2,5-dimetoxi-4-metilanfetamina (DOM, STP)
Sim

Sim



Fenciclidina (PCP, angel dust)
Sim

Sim



Alucinógenos






Dietilamida do ácido lisérgico (LSD)
Sim

Possivelmente



Maconha
Sim

Possivelmente



Maconha
Sim

Possivelmente



Psilocibina
Sim

Possivelmente








O abuso de drogas envolve mais do que as ações fisiológicas da droga. Por exemplo, os indivíduos com câncer cuja dor é tratada durante meses ou anos com opióides (p.ex., morfina) quase nunca tornam-se viciados em narcóticos, embora possam tornar-se fisicamente dependentes. Isto é, o abuso de drogas é um conceito definido principalmente por comportamentos disfuncionais e pela desaprovação da sociedade. Ao longo de sua história conhecida, praticamente todas as sociedades permitiram o uso de algumas drogas psicoativas, mesmo as consideradas nocivas. As substâncias que alteram o humor (p.ex., álcool e cogumelos alucinógenos) têm um papel importante em alguns rituais religiosos. Algumas sociedades aceitam substâncias não permitidas por outras. As sociedades podem aceitar uma substância e, posteriormente, rejeitá-la.

Nos Estados Unidos, o termo médico abuso de drogas refere-se à disfunção e à inadaptação, mas não à dependência, causada pelo uso de drogas. Popularmente, o abuso de drogas freqüentemente refere-se ao uso experimental e recreativo de drogas ilegais, ao uso de drogas legais para aliviar problemas ou sintomas de forma não recomendada por um médico, e o uso de drogas ao ponto destas acarretarem dependência. O abuso de drogas ocorre em todos os grupos socio-econômicos e envolve tanto pessoas com alto nível cultural e profissional quanto as de baixo nível de estudo e desempregadas. Embora as drogas utilizadas de modo abusivo tenham efeitos poderosos, o humor do usuário e o ambiente onde a droga é utilizada influenciam o seu efeito de modo significativo. Por exemplo, um indivíduo que se sente triste antes de ingerir bebida alcóolica pode ficar mais triste ainda quando esta fizer efeito.

Efeitos do Álcool Sobre Indivíduos Não-Alcoolistas


Nível de Álcool no Sangue

Efeitos



0,05 (50 mg/dl*)

Facilitação do relacionamento social; tranqüilidade


0,08 (80 mg/dl)

Diminuição da coordenação (redução das capacidades mentais e físicas)
Reflexos retardados (Ambos comprometem a direção segura)



0,10 (100 mg/dl)

Comprometimento evidente da coordenação


0,20 (200 mg/dl)

Confusão mental
Diminuição da memória Comprometimento importante da estabilidade (incapaz de manter-se em pé)



0,30 (300 mg/dl)

Perda da consciência


0,40 (400 mg/dl ou superior)

Coma, morte

*Quantidade de álcool em miligramas (mg) por decilitro (dl) de sangue.

O mesmo indivíduo poderia ficar animado ao beber com amigos que ficam alegres com o efeito do álcool. Para um mesmo indivíduo, nem sempre é possível se prever com exatidão o efeito de uma droga cada vez que ela for utilizada. Como a dependência de drogas ocorre é um tema complexo e obscuro. O processo é influenciado pelas propriedades químicas da droga, por seus efeitos, pela personalidade do usuário e por outras condições predisponentes (p.ex., hereditariedade e pressões sociais). Em particular, a progressão da experimentação ao uso ocasional e, portanto, da tolerância à dependência é pouco conhecida. Os indivíduos de alto risco de adição, baseando-se em sua história familiar, não demonstraram diferenças biológicas ou psicológicas na forma de responder às drogas, apesar de alguns estudos indicarem que os alcoolistas podem ter uma resposta geneticamente diminuída aos efeitos do álcool. Tem sido dada muita atenção à chamada personalidade aditiva.

Os droga-adidos quase sempre têm baixa estima, são imaturos, resistem pouco à frustração e têm dificuldade para resolver problemas pessoais e de relacionamento com o sexo oposto. Eles tentam fugir da realidade e geralmente são descritos como medrosos, retraídos e deprimidos. Alguns apresentam uma história de tentativas freqüentes de suicídio ou de auto-agressão. Algumas vezes, os droga-adidos são descritos como tendo personalidade dependente, buscando sofregamente apoio em suas relações e com dificuldades para cuidar de si mesmos. Outros droga- adidos demonstram uma raiva explícita e inconsciente e uma expressão sexual descontrolada; e podem utilizar drogas para controlar o seu comportamento.

Entretanto, evidências sugerem que a maioria desses traços emerge em decorrência da adição prolongada e não é necessariamente o resultado do abuso prévio de drogas. Algumas vezes, os familiares ou os amigos podem comportar-se de modo que permitam ao adido continuar a utilizar drogas ou álcool. Essas pessoas são consideradas co-dependentes (também denominadas “facilitadores”). Os co-dependentes podem rotular o adido como “doente” ou procuram desculpar o seu comportamento. Por exemplo, um amigo pode dizer: “Pedro não queria esmurrar a parede, ele só estava um pouco aborrecido porque o bar não tinha a sua marca de cerveja predileta.”

O co-dependente pode pedir ao adido que pare de usar drogas ou álcool, mas, raramente, ele faz algo a mais para ajudá-lo a mudar seu comportamento. Um membro da família ou um amigo que se preocupa com a situação deve incentivar o droga-adido adido a parar com o abuso da droga e a se inscrever em um programa de tratamento. Se ele recusar-se a buscar ajuda, pode ser necessário ameaçá-lo de cortar relações. Esta atitude parece rude, mas pode ser associada a uma intervenção orientada por um profissional da área. Essa pode ser a única maneira de convencer o droga-adido de que alterações comportamentais devem ser feitas.

Uma gestante droga-adida expõe o feto à droga que ela estiver consumindo. Em geral, ela não admite o uso de drogas ou de álcool aos médicos e enfermeiros. O feto pode apresentar dependência física. Logo após o parto, o recém-nascido pode apresentar síndrome de abstinência grave ou mesmo fatal, sobretudo quando os médicos e os enfermeiros não foram informados sobre a adição materna. Os lactentes que sobrevivem à síndrome de abstinência podem apresentar muitos outros problemas. Finalmente, uma preocupação importante em relação a qualquer droga ilegal é que ela nem sempre é o que diz ser. No que diz respeito às drogas ilegais, não existe um controle de qualidade e a baixa qualidade (graus muito variados de potência ou mesmo de adulteração do conteúdo) representa um risco inerente ao uso de drogas.

Alcoolismo

O alcoolismo é uma doença crônica caracterizada pela tendência de beber mais do que o pretendido, tentativas fracassadas de interromper o consumo de bebidas alcoólicas e o consumo contínuo apesar das más conseqüências sociais e laborativas. O alcoolismo é comum. Aproximadamente 8% dos adultos americanos apresentam algum problema com o uso de bebidas alcóolicas. Os homens apresentam uma probabilidade quatro vezes maior que as mulheres de tornarem-se alcoolistas, Indivíduos de todas as faixas etárias são suscetíveis.

Cada vez mais, crianças e adolescentes vêm apresentando problemas com o álcool, com conseqüências particularmente desastrosas. O álcool causa tanto a dependência psicológica quanto a física. Normalmente, o alcoolismo interfere na capacidade de socialização e laborativa, acarretando muitos outros comportamentos destrutivos. Os alcoolistas podem estar intoxicados diariamente. A embriaguez tende a desagregar a família e as relações sociais e, geralmente, leva ao divórcio. O grande número de dias de ausência no trabalho acaba levando ao desemprego. Os alcoolistas nem sempre conseguem controlar o seu comportamento; tendem a dirigir quando bêbados e sofrem lesões físicas em decorrência de quedas, brigas ou acidentes automobilísticos. Alguns podem tornar-se violentos.

Causas

A causa do alcoolismo é desconhecida, mas o consumo do álcool não é o único fator. Dentre os indivíduos que consomem bebidas alcoólicas, aproximadamente 10% tornam-se alcoolistas. Os parentes próximos de alcoolistas apresentam uma maior incidência de alcoolismo que outras pessoas. Do mesmo modo, é mais provável que ocorra alcoolismo nos filhos biológicos de alcoolistas que nos filhos adotados, o que sugere o envolvimento de um defeito genético ou bioquímico no alcoolismo. Algumas pesquisas mostram que os indivíduos com risco de alcoolismo embriagam-se menos facilmente que os não alcoolistas, isto é, o cérebro deles é menos sensível aos efeitos do álcool.

Além de um possível defeito genético, determinados traços estruturais e da personalidade podem predispor determinados indivíduos ao alcoolismo. Os alcoolistas freqüentemente são oriundos de lares desfeitos e, freqüentemente, a sua relação com os pais é conturbada. Os alcoolistas tendem a sentir-se isolados, solitários, tímidos, deprimidos ou hostis. Alguns apresentam comportamentos autodestrutivos e outros são sexualmente imaturos. Apesar disso, o abuso e a dependência do álcool são tão comuns que os alcoolistas podem ser identificados entre pessoas com qualquer tipo de personalidade.

Efeitos Biológicos

O álcool é rapidamente absorvido do intestino delgado para o interior da corrente sangüínea. Como a sua absorção é mais rápida do que a sua metabolização e eliminação do organismo, os níveis de álcool no sangue aumentam rapidamente. Uma pequena quantidade de álcool presente no sangue é excretada inalterada na urina, no suor e no ar expirado. O restante, que representa a maioria da quantidade ingerida, é metabolizado pelo fígado, produzindo cerca de 210 calorias para cada 30 ml (7 cal/ml) de álcool puro consumido. O álcool deprime imediatamente as funções cerebrais e o grau de depressão depende de seu nível no sangue (quanto mais elevado o nível, maior o comprometimento). O nível de álcool no sangue pode ser mensurado ou estimado por meio da quantidade presente em uma amostra de ar expirado na respiração. Nos EUA, leis estaduais limitam o nível de álcool no sangue permitido ao motorista que está dirigindo um automóvel. A maioria dos estados americanos estabeleceu o limite de 0,1 (100 miligramas de álcool por decilitro de sangue), mas outros estados (p.ex., Califórnia) estabeleceram o limite em 0,08. Mesmo um nível de álcool no sangue igual a 0,08 pode reduzir a capacidade de uma pessoa de dirigir um automóvel com segurança.

O consumo prolongado de quantidades excessivas de álcool lesa muitos órgãos do corpo, particularmente o fígado, o cérebro e o coração. Como muitas outras drogas, o álcool tende a induzir à tolerância, de modo que os indivíduos que tomam regularmente mais de duas doses por dia podem beber mais álcool que os outros, sem ficar embriagados. Os alcoolistas também podem tornar-se tolerantes a outros depressivos. Por exemplo, aqueles que fazem uso de barbitúricos ou benzodiazepínicos muitas vezes necessitam de doses mais elevadas para obter um efeito terapêutico. Aparentemente, a tolerância não altera o metabolismo ou a excreção do álcool. Em vez disso, o álcool induz o cérebro e outros tecidos a adaptarem-se à sua presença. Se um alcoolista pára de beber abruptamente, ele pode apresentar sintomas da abstinência. A síndrome da abstinência alcoólica geralmente começa 12 a 48 horas após a última ingestão de bebidas alcoólicas. Os sintomas discretos incluem o tremor, a fraqueza, a sudorese e a náusea. Alguns indivíduos apresentam convulsões (denominadas epilepsia alcoólica ou convulsões alcoólicas).

Efeitos do Uso Prolongado de Álcool


Tipo de Deficiência
Efeito

Nutricional


Níveis baixos de ácido fólico
Anemia, defeitos congênitos


Níveis baixos de ferro
Anemia


Níveis baixos de niacina
Pelagra (lesão cutânea, diarréia, depressão)


Gastrointestinal




Esôfago
Inflamação (esofagite), câncer


Estômago
Inflamação (gastrite), úlceras


Fígado
Inflamação (hepatite), cirrose, câncer


Pâncreas
Inflamação (pancreatite), hipoglicemia (concentração baixa de açúcar no sangue), câncer


Cardiovascular




Coração
Arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca


Vasos sangüíneos
Hipertensão arterial, aterosclerose, acidente vascular cerebral








Neurológico




Cérebro
Confusão mental, diminuição da coordenação, má memória recente (má lembrança de eventos recentes), psicose


Nervos
Deterioração de nervos dos membros superiores e inferiores que controlam os movimentos (diminuição da capacidade de deandar)

Os alcoolistas inveterados que param de beber podem apresentar a alucinose alcoólica. Eles podem ter alucinações e ouvir vozes que parecem acusadoras e ameaçadoras, causando apreensão e terror. A alucinose alcoólica pode durar dias e pode ser controlada com medicamentos antipsicóticos (p.ex., clorpromazina ou tioridazina). Se não for tratada, a síndrome da abstinência alcoólica pode acarretar um conjunto de sintomas mais graves denominado delirium tremens (DT). Normalmente, o delirium tremens não começa imediatamente. Ao contrário, ele ocorre aproximadamente 2 a 10 dias após a interrupção do consumo de álcool. No delirium tremens, o indivíduo inicialmente demonstra ansiedade e, posteriormente, apresenta confusão mental progressiva, sonolência, pesadelos, sudorese excessiva e depressão profunda. A freqüência do pulso tende a aumentar. O indivíduo pode apresentar febre. O episódio pode se agravar com alucinações fugazes, delírios que produzem medo, inquietação e desorientação, com alucinações visuais que podem causar terror. Os objetos vistos com pouca luz podem ser particularmente apavorantes. Finalmente, o indivíduo apresenta confusão mental e desorientação extrema.

Algumas vezes, um indivíduo com delirium tremens sente que o chão está se movendo, que as paredes estão caindo ou que o quarto está rodando. Com a evolução do delirium tremens, o indivíduo passa a apresentar tremor de mãos persistente, que, algumas vezes, estende-se à cabeça e ao resto do corpo, e a maioria dos indivíduos apresenta uma incoordenação grave. O delirium tremens pode ser fatal, sobretudo quando ele não é tratado. Outros problemas estão diretamente relacionados aos efeitos tóxicos do álcool sobre o cérebro e o fígado. Um fígado lesado pelo álcool é menos capaz de livrar o corpo das substâncias tóxicas que podem causar o coma hepático. Um indivíduo que desenvolve um coma hepático torna-se embotado, sonolento, estuporoso e confuso e, muitas vezes, apresenta um tremor estranho e adejante das mãos. O coma hepático é potencialmente letal e deve ser tratado imediatamente. A síndrome de Korsakoff (psicose amnésica de Korsakoff) é comum em indivíduos que ingerem regularmente grandes volumes de álcool, sobretudo quando são desnutridos ou apresentam deficiência de vitaminas do complexo B (particularmente de tiamina). O indivíduo com síndrome de Korsakoff perde a memória recente.

A sua memória é tão ruim que freqüentemente inventa histórias para tentar cobrir a sua incapacidade de recordação. Algumas vezes, após um episódio de delirium tremens, o indivíduo apresenta a síndrome de Korsakoff. Alguns indivíduos com síndrome de Korsakoff também apresentam a encefalopatia de Wernicke, cujos sintomas incluem movimentos anormais dos olhos, confusão mental, movimentos descoordenados e disfunção nervosa. A síndrome de Korsakoff pode ser fatal, exceto se a deficiência de tiamina for imediatamente tratada. Em uma gestante, a história de consumo crônico e intenso de bebidas alcoólicas pode estar associada a defeitos congênitos graves do feto em desenvolvimento como, por exemplo, o baixo peso ao nascimento, a baixa estatura, a cabeça pequena, lesões cardíacas, lesões musculares e nível de inteligência baixo ou retardo mental. O uso social e moderado de bebidas alcoólicas (p.ex., duas taças de vinho de aproximadamente 120 ml) não está associado a esses problemas.

Tratamento

Os alcoolistas que apresentam sintomas de abstinência geralmente tratam de si mesmos por meio do consumo de bebidas alcoólicas. Alguns procuram um médico, pois não desejam continuar a beber ou porque os sintomas de abstinência são muito intensos. Em qualquer caso, o médico checa primeiramente a possibilidade de uma doença ou de um traumatismo crânioencefálico que possa complicar a situação. Em seguida, ele tenta caracterizar o tipo dos sintomas de abstinência, determinar qual a quantidade habitualmente ingerida pelo paciente e verificar quando ele parou de beber. Como a deficiência vitamínica causa sintomas de abstinência potencialmente letais, os médicos do serviço de urgência geralmente administram doses intravenosas de vitamina C e complexo B, especialmente de tiamina. Também é comum a administração de líquidos, magnésio e glicose pela via intravenosa, para evitar alguns dos sintomas da abstinência alcoólica e a desidratação. Freqüentemente, os médicos prescrevem um benzodiazepínico por alguns dias, para reduzir a agitação e ajudar a evitar os sintomas da abstinência.

Os medicamentos antipsicóticos geralmente são administrados apenas para aqueles com alucinose alcóolica. O delirium tremens pode ser letal e, por essa razão, ele é tratado mais agressivamente para controlar a febre alta e a agitação intensa. Geralmente, são administrados líquidos intravenosos, medicamentos antitérmicos (p.ex., acetaminofeno), sedativos e o indivíduo é mantido sob um controle rigoroso. Com esse tratamento, o delirium tremens geralmente começa a desaparecer 12 a 24 horas após o início. Após a resolução dos problemas clínicos urgentes, deve ser iniciado um programa de desintoxicação e de reabilitação. Na primeira fase do tratamento, o álcool é completamente suprimido. Em seguida, o alcoolista deve modificar o seu comportamento. A manutenção da sobriedade é uma tarefa difícil. Sem ajuda, a maioria volta a beber em poucos dias ou semanas. Acredita-se que o tratamento em grupo seja mais eficaz que o aconselhamento individual. No entanto, o tratamento deve ser adequado a cada indivíduo. Contar com o apoio de familiares também pode ser útil.

Alcoólicos Anônimos

Não existe algo que beneficie tanto os alcoólatras e de modo tão eficaz quanto a ajuda que eles próprios podem se dar participando dos Alcoólicos Anônimos (AA). Os Alcoólicos Anônimos atuam dentro de um contexto religioso. Existem instituições alternativas para aqueles que preferem uma abordagem mais secular. O alcoolista deve sentir-se à vontade em um grupo específico (de preferência, participando de um grupo cujos membros compartilham interesses outros que não o alcoolismo). Por exemplo, algumas áreas metropolitanas têm grupos de Alcoólicos Anônimos para médicos, dentistas ou outros profissionais e para aqueles que se dedicam a certos hobbies, assim como para indivíduos solteiros ou homossexuais de ambos os sexos. Os Alcoólicos Anônimos provêem um local onde o alcoolista em recuperação pode socializar-se longe de um bar com amigos não alcoolistas que sempre estão à disposição para apoiá-lo quando a vontade de beber torna-se novamente imperiosa. O alcolista ouve as confissões de todos os membros do grupo à respeito de como estão lutando diariamente para evitar a ingestão de uma dose de bebida. Finalmente, propondo meios para que o alcoolista ajude os demais, o Alcoólicos Anônimos permite que o indivíduo recupere a confiança e a auto-estima que, anteriormente, somente eram encontradas após a ingestão de álcool.

Tratamento Medicamentoso

Algumas vezes, um alcoolista pode beneficiarse com o uso de um medicamento para evitar o consumo de álcool. Uma medicação denominada disulfiram (Antabuse) pode ser prescrita. Ela interfere no metabolismo do álcool, promovendo a formação e o acúmulo de acetaldeído, um metabólito do álcool, no sangue. O acetaldeído é tóxico e causa rubor facial, uma cefaléia latejante, o aumento da freqüência cardíaca e respiratória e sudorese 5 a 15 minutos após a ingestão de uma bebida alcoólica. Após 30 a 60 minutos, o indivíduo pode apresentar náusea e vômito. Essas reações desagradáveis e potencialmente perigosas duram1 a 3 horas. O desconforto decorrente do consumo de álcool após a ingestão de disulfiram é tão intenso que poucos indivíduos arriscam a ingestão de álcool (mesmo a pequena quantidade existente em alguns medicamentos de venda livre contra a tosse e o resfriado ou em alguns alimentos). Um alcoolista em recuperação não pode começar a utilizar o disulfiram logo após ter parado de beber.

O medicamento somente pode ser tomado após alguns dias de abstinência. O disulfiram pode afetar o metabolismo do álcool 3 a 7 dias após a última dose do medicamento. Devido à reação grave ao álcool associada ao tratamento, o disulfiram deve ser prescrito somente para os alcoolistas em recuperação que realmente necessitam de ajuda e que desejam cooperar com o médico e os conselheiros terapêuticos. As gestantes ou os indivíduos com doença grave não devem utilizar o disulfiram. Um outro medicamento, a naltrexona, quando utilizado como parte de um tratamento global que inclui o aconselhamento, pode ajudar os indivíduos a se tornarem menos dependentes do álcool. A naltrexona altera os efeitos do álcool sobre determinadas endorfinas no cérebro, que podem estar relacionadas ao desejo e ao consumo de álcool. Uma grande vantagem da naltrexona em comparação com o disulfiram é que ela não produz náusea. No entanto, uma desvantagem é que o indivíduo que faz uso da naltrexona pode continuar a beber. Esse medicamento não deve ser utilizado por indivíduos com hepatite ou outra doença hepática.

Adição a Narcóticos

A adição a narcóticos é uma dependência física e psicológica intensa (uma compulsão para continuar tomando narcóticos). Devido ao desenvolvimento da tolerância, a dose deve ser continuamente aumentada para que sejam obtidos os mesmos efeitos e é necessária a utilização contínua do mesmo narcótico (ou de um narcótico similar) para se evitar a síndrome de abstinência. Os narcóticos de uso médico como poderosos analgésicos são denominados opióides e incluem a codeína (que possui um baixo potencial de provocar dependência), a oxicodona (isoladamente ou em várias combinações, como oxicodona + acetaminofeno), a meperidina, a morfina e a hidromorfona. A heroína, ilegal nos Estados Unidos e Brasil, é um dos narcóticos mais potentes. A tolerância e a abstinência leve podem ocorrer em dois a três dias de uso contínuo. Algumas vezes, os sintomas da abstinência ocorrem quando a droga é interrompida. A maioria dos narcóticos, em doses equivalentes, pode produzir graus de tolerância e de dependência física equivalentes. Os indivíduos que fazem uso abusivo desse tipo de droga podem substituir um narcótico por outro. Aqueles que desenvolvem tolerância podem apresentar poucos sinais de uso da droga e apresentam um desempenho normal em suas atividades usuais, desde que tenham acesso a ela. Desde que utilizem o medicamento de acordo com a prescrição médica, os indivíduos que usam narcóticos para o tratamento de uma dor muito intensa apresentam pouco risco de adição.

Sintomas

Os narcóticos usados no alívio da dor podem produzir outros efeitos como, por exemplo, a constipação, pele ruborizada e quente, hipotensão arterial, prurido, pupilas contraídas, sonolência, respiração lenta e superficial, freqüência cardíaca e temperatura corpórea baixas. Os narcóticos também podem causar euforia, algumas vezes simplesmente porque uma dor intensa finalmente foi aliviada. Geralmente, os sintomas da abstinência são opostos aos efeitos da droga: hiperatividade, uma sensação de um estado de alerta exacerbado, respiração acelerada, agitação, aumento da freqüência cardíaca e febre. De modo geral, o primeiro sinal da abstinênica é uma respiração rápida, que é freqüentemente acompanhada por bocejos, sudorese, lacrimejamento e coriza. Outros sintomas incluem a dilatação pupilar, a piloereção (“pele de galinha”), os tremores, as contrações musculares, sensações fugazes de calor e de frio, dores musculares, a perda do apetite, cólicas gastrointestinais e diarréia. Os sintomas podem ocorrer quatro a seis horas após a interrupção do uso do narcótico e, em geral, atingem o máximo em 36 a 72 horas. Os sintomas da abstinência são mais graves nos indivíduos que utilizavam doses elevadas durante longos períodos. Como os narcóticos são eliminados do organismo em velocidades diferentes, os sintomas da abstinência diferem para cada droga.

Complicações

Além da síndrome da abstinência, muitas complicações podem ocorrer devido ao uso abusivo de narcóticos, especialmente quando as drogas são injetadas com agulhas compartilhadas e não esterilizadas. Por exemplo, a hepatite viral, que pode ser disseminada através de agulhas compartilhadas, causa lesão hepática. As infecções ósseas (osteomielite) – particularmente as vertebrais – também podem ser decorrentes do uso de injeções com agulhas não esterilizadas. O cotovelo do droga-adido (miosite ossificante) é uma afecção causada por punções com agulhas repetidas e inadequadas. A musculatura em torno do cotovelo é substituída por tecido cicatricial. Muitos droga-adidos começam com injeções subcutâneas, que podem produzir úlceras cutâneas. À medida que a adição torna-se mais importante, eles começam a injetar as drogas através da via intravenosa, retornando às injeções subcutâneas quando as veias tornam-se tão cheias de tecido cicatricial que não podem mais ser injetadas. Os indivíduos com adição a narcóticos apresentam problemas pulmonares como, por exemplo, irritações pulmonares decorrentes da aspiração (saliva ou vômito), pneumonias, abcessos, embolias pulmonares e cicatrizes (devidas à presença de talco em injeções impuras). Podem ocorrer problemas do sistema imune.

Os droga-adidos que injetam drogas pela via intravenosa perdem a capacidade de combater as infecções. Como o vírus da imunodeficiência humana (HIV) pode disseminar-se através de agulhas compartilhadas, um grande número de indivíduos que utilizam narcóticos injetáveis também desenvolvem a AIDS. Os indivíduos com adição a narcóticos podem apresentar problemas neurológicos, normalmente como resultado do fluxo sangüíneo cerebral insuficiente. Eles podem entrar em coma. A quinina, um contaminante comum da heroína, pode causar visão dupla, paralisia e outros sintomas de lesão nervosa, inclusive a síndrome de Guillain-Barré. Os microrganismos infecciosos oriundos de agulhas não esterilizadas, algumas vezes infectam o cérebro, causando meningite e abcessos cerebrais. Outras complicações incluem os abcessos cutâneos, as infecções cutâneas e de linfonodos e os coágulos sangüíneos.

A overdose de uma droga representa uma séria ameaça à vida, particularmente porque os narcóticos podem deprimir a respiração e desencadear o acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar). Concentrações elevadas inesperadas de heroína, injetadas ou mesmo inaladas, podem acarretar a overdose e a morte. O uso de narcóticos durante a gravidez é especialmente sério. A heroína e a metadona atravessam facilmente a placenta, atingindo o feto. Um recém-nascido de uma mãe droga-adida pode desenvolver rapidamente sintomas de abstinência, incluindo tremores, choro agudo, espasmos, convulsões e respiração acelerada. Uma mãe infectada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) ou da hepatite B pode transmitir o vírus ao feto.

Tratamento

A overdose de um narcótico é uma emergência médica que deve ser tratada rapidamente, para evitar a morte. A overdose pode deprimir a respiração e acarretar o acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar) suficientemente grave para exigir o tratamento com um ventilador mecânico. Os médicos ou os para-médicos do serviço de emergência geralmente injetam, através da via intravenosa, uma droga denominada naloxona para bloquear as ações do narcótico. Poucos médicos possuem um treinamento formal ou experiência no tratamento de indivíduos com adição a narcóticos e as leis federais, estaduais e municipais limitam a ação do médico. Não obstante, os indivíduos com adição a narcóticos devem discutir seus problemas com um médico de um serviço primário de saúde, que podem recomendar um centro de tratamento de droga-adição. Esses centros podem tratar os sintomas da abstinência e, ao mesmo tempo, podem prover aconselhamento psicológico e social. Embora os sintomas da abstinência terminem desaparecendo, a abstinência aguda pode ser grave e durar vários dias. Os sintomas desagradáveis criam uma necessidade intensa de retomar o uso das drogas. Geralmente, os sintomas não são potencialmente letais e podem ser aliviados com medicamentos.

A substituicão do narcótico pela metadona é o método preferido para tratar a abstinência. A metadona, ela mesma um narcótico, é utilizada pela via oral e altera menos a função cerebral que os demais narcóticos. Como os efeitos da metadona duram muito mais tempo que os dos demais narcóticos, ela pode ser tomada com menor freqüência, em geral, uma vez por dia. A manutenção de droga-adidos com doses suficientemente grandes de metadona durante meses ou mesmo anos permite que eles sejam socialmente produtivos, pois os seus problemas de suprimento são satisfeitos. Para alguns, o tratamento funciona, enquanto outros podem não se reabilitar socialmente. Os droga-adidos devem comparecer diariamente à clínica que lhe fornece a metadona em quantidade apenas suficiente para impedir a ocorrência de sintomas graves de abstinência. Geralmente, 20 miligramas de metadona por dia bloqueiam os sintomas graves de abstinência.

No entanto, alguns droga-adidos necessitam de doses maiores. Assim que é estabelecida a dose de metadona que reduz a intensidade da reação de abstinência, a dose será reduzida aproximadamente 20% por dia. Isto deixa o droga-adido livre dos sintomas agudos da abstinência, mas não previne um retorno ao uso de heroína. Algumas vezes, a interrupção da manutenção com metadona pode produzir uma reação desagradável, como dores musculares profundas (dores ósseas). Os indivíduos com abstinência da metadona comumente sentem-se aborrecidos e apresentam problemas de sono. No entanto, o uso de soníferos por algumas noites pode ser útil. Muitas reações de abstinência desaparecem após aproximadamente sete a dez dias, mas a fraqueza, a insônia e a ansiedade graves podem durar vários meses. Alguns centros de tratamento podem fornecer o L-alfa-acetilmetadol (LAAM), uma forma de metadona de ação prolongada.

Ele elimina a necessidade de visitas diárias à clínica ou de tomar medicamentos em casa. No entanto, o LAAM ainda está em fase experimental e o número de clínicas de tratamento e a quantidade de pesquisas sobre ele diminuíram quando foram reduzidos os fundos para a manutenção com metadona. Os sintomas da abstinência de narcóticos também são aliviados com uma droga denominada clonidina. No entanto, a clonidina pode causar alguns efeitos adversos, incluindo a sonolência, a agitação, a insônia, a irritabilidade, a taquicardia (aumento da freqüência cardíaca) e cefaléias. A naltrexona é uma droga que bloqueia os efeitos mesmo de doses intravenosas altas de heroína. Dependendo da dose, os efeitos da naltrexona duram de 24 a 72 horas.

O drogaadido que possui uma inserção social estável pode tomar esse medicamento diariamente (ou três vezes por semana), para evitar o uso de heroína. Um grupo de apoio composto por um médico, familiares e amigos é importante para o êxito do tratamento. O conceito de comunidade terapêutica surgiu há aproximadamente 25 anos, em resposta aos problemas da adição à heroína. Daytop Village e Phoenix House foram as instituições pioneiras desse tipo de apoio não farmacológico. O tratamento implica a convivência em comunidade por um tempo relativamente longo (habitualmente quinze meses) para ajudar os droga-adidos a construírem uma nova vida por meio do treinamento, da educação e de um redirecionamento de seu comportamento. Esses programas têm ajudado muitas pessoas, mas ainda não se conhece precisamente os seus resultados e com que amplitude eles devem ser aplicados. No Brasil, várias instituições adotaram o modelo das comunidades terapêuticas, seguindo o exemplo da Phoenix House. A epidemia de AIDS motivou algumas pessoas a sugerirem o fornecimento de agulhas e seringas estéreis a droga-adidos que usam narcóticos injetáveis. Essa distribuição revelou reduzir a transmissão do HIV.

Adição a Drogas Ansiolíticas e a Hipnóticos

Os medicamentos de venda controlada utilizados no tratamento da ansiedade e na indução do sono podem causar tanto dependência psicológica quanto física. Esses medicamentos incluem os benzodiazepínicos, os barbitúricos, a glutetimida, o hidrato de cloral e o meprobamato. Cada uma dessas substâncias age de modo diferente e tem um potencial de dependência e de tolerância diferente. O meprobamato, a glutetimida, o hidrato de cloral e os barbitúricos são prescritos menos freqüentemente que no passado, principalmente pelo fato dos benzodiazepínicos serem mais seguros. Quase todos os indivíduos com adição a esse tipo de medicamento começaram a utilizá-lo por alguma razão terapêutica. Algumas vezes, o médico pode prescrever doses elevadas durante longos períodos para tratar um problema grave, o que promove a dependência. Outras vezes, os indivíduos podem usar mais medicação do que o prescrito. Em qualquer caso, a dependência pode ocorrer com apenas duas semanas de uso contínuo.

Sintomas

A dependência de hipnóticos e ansiolíticos diminui o estado de alerta e produz uma fala pastosa, má coordenação, confusão mental e respiração lenta. Esses medicamentos podem fazer com que um indivíduo torne-se alternadamente deprimido e ansioso. Alguns indivíduos apresentam perda da memória, julgamento errôneo, períodos de diminuição da atenção e alterações brutais do estado emocional. Os indivíduos idosos podem parecer dementes, falar lentamente e ter dificuldade para pensar e compreender os outros. Eles podem sofrer quedas e, conseqüentemente, apresentar fraturas ósseas, especialmente do quadril. Apesar dessas drogas causarem sonolência, elas tendem a encurtar a fase do sono com movimento rápido dos olhos (REM), aquela em que ocorrem os sonhos.

A interferência nos sonhos pode tornar o indivíduo mais irritadiço no dia seguinte. Os padrões do sono podem ser gravemente perturbados em indivíduos que interrompem o uso da droga após desenvolver a dependência e a tolerância. O indivíduo pode ter mais sono REM que o normal, mais sonhos e despertares mais freqüentes. Esse tipo de reação de rebote varia de um indivíduo a outro, mas, geralmente, é mais grave e ocorre com maior freqüência em indivíduos que utilizam doses mais elevadas de drogas durante períodos mais longos antes da interrupção. A interrupção abrupta de qualquer uma dessas drogas pode produzir uma reação grave, assustadora e potencialmente letal muito semelhante à síndrome de abstinência alcóolica (delirium tremens). As reações graves de abstinência são mais comuns com os barbitúricos ou com a glutetimida do que com os benzodiazepínicos. O indivíduo é hospitalizado durante o processo de abstinência devido à possibilidade de uma reação grave.

Tratamento

A interrupção de uma reação de abstinência grave é difícil, embora o tratamento possa aliviála. Nas primeiras 12 a 20 horas, o indivíduo pode tornar-se nervoso, agitado e fraco. As mãos e as pernas podem tremer. No segundo dia, os tremores podem tornar-se mais intensos e ele fica ainda mais fraco. Durante o segundo e o terceiro dia, a maioria dos que vinham utilizando doses diárias oito ou mais vezes superiores à dose rotineiramente prescrita apresentam convulsões graves e potencialmente letais no caso de uso de barbitúricos e da glutetimida. Algumas vezes, o indivíduo pode apresentar convulsões, mesmo uma a três semanas após a interrupção da droga. Outros efeitos incluem a desidratação, o delírio, a insônia, a confusão mental e alucinações visuais e auditivas. Mesmo com o melhor tratamento, o indivíduo pode não se sentir normal durante um mês ou mais. A abstinência de barbitúricos é geralmente pior que a de benzodiazepínicos, embora os dois episódios possam ser muito difíceis. A evolução das reações de abstinência varia de droga a droga. Em geral, os médicos tratam a abstinência voltando a admnistrar a droga causadora do problema em dose mais baixa e diminuindo-a progressivamente ao longo de dias ou semanas.

Adição à Maconha

O consumo de maconha (cannabis) está amplamente disseminado. Pesquisas entre estudantes universitários revelaram que periodicamente ocorrem aumentos, reduções e novos aumentos do seu consumo. Nos Estados Unidos, a maconha é comumente consumida sob a forma de cigarro (baseado) feitos com as raízes, as folhas e as flores distais da planta seca, sendo quase sempre a Cannabis sativa. A maconha também é consumida sob a forma de haxixe, a resina (substância do alcatrão) da planta prensada. O ingrediente ativo da maconha é o tetrahidrocanabinol (THC), que se apresenta sob muitas variedades, sendo a mais ativa a delta-9-THC. A delta-9-THC é produzida sinteticamente como uma droga denominada dronabinol, que é utilizada em pesquisas e, algumas vezes, no tratamento da náusea e do vômito associados à quimioterapia do câncer. Alguns indivíduos tornam-se dependentes da maconha por razões psicológicas e essa dependência pode ter todas as características da adição grave.

A dependência física da maconha não foi demonstrada de modo conclusivo. Como no uso do álcool, a maconha pode ser usada de modo intermitente por muitas pessoas sem lhes causar uma disfunção social ou psicológica aparente ou adição. Sintomas A maconha deprime a atividade cerebral, produzindo um estado onírico no qual as idéias parecem desconectadas e incontroláveis. Podem ocorrer distorções e acentuações do tempo, das cores e do espaço. As cores podem parecer mais brilhantes, os sons mais altos e o apetite pode aumentar. Geralmente, a maconha reduz a tensão e produz uma sensação de bem-estar. A sensação de exaltação, de excitação e de alegria interna (“estar alto”, “ficar ligado”) parece estar relacionada às condições nas quais a droga foi consumida. Por exemplo, se o indivíduo fumar sozinho ou em grupo e de acordo com o humor predominante. As capacidades comunicativas e motoras diminuem durante o uso da maconha e, por essa razão, é perigoso dirigir um automóvel ou operar maquinaria pesada.

Classificação dos Medicamentos de Receita Obrigatória de Acordo com o Seu Potencial de Abuso



Os medicamentos de receita obrigatória que podem causar dependência estão sujeitos a restrições ditadas por regulamentações do governo americano. Todos os medicamentos de receita obrigatória regulamentados pela Lei de Substâncias Controladas recebem um número de listagem ou de classe que determina como eles podem ser prescritos. As substâncias constantes na lista I são consideradas como de grande potencial de abuso, não possuem aplicações médicas e não têm uma margem de segurança aceitável. As substâncias da lista II têm um grande potencial de abuso, mas possuem algumas utilidades médicas adequadas. As drogas da lista III têm um menor potencial de abuso e as drogas das listas IV e V são as que têm o menor potencial de abuso.



Os indivíduos que consomem grandes quantidades de maconha tornam-se confusos e desorientados, podem apresentar psicose tóxica e perder a noção de quem são, onde estão ou do tempo. Os indivíduos com esquizofrenia são particularmente suscetíveis a esses efeitos e existe evidência comprovada de que a esquizofrenia pode piorar com o uso da maconha. Ocasionalmente, podem ocorrer reações de pânico, particularmente em consumidores novos. Outros efeitos incluem o aumento da freqüência cardíaca, os olhos avermelhados e a boca seca. A tolerância a longo prazo pode ocorrer em indivíduos que consomem a maconha. As reações de abstinência podem incluir o aumento da atividade muscular (p.ex., espasmos e contrações) e insônia. No entanto, como a maconha é eliminada lentamente do organismo, ao longo de várias semanas, a reação de abstinência tende a ser leve e, geralmente, não é perceptível para o consumidor moderado.

Alguns estudos sugeriram que o uso intenso e prolongado da maconha por homens pode reduzir os níveis de testosterona, o tamanho dos testículos e a contagem de espermatozóides. O uso crônico por mulheres pode acarretar ciclos menstruais irregulares. Contudo, nem sempre esses efeitos ocorrem e os efeitos sobre a fertilidade são incertos. As gestantes que usam maconha podem ter filhos menores que as não consumidoras. Além disso, a delta-9-THC passa para o leite materno e pode afetar um lactente que é amamentado com leite materno da mesma maneira que a mãe é afetada. O consumo intenso e prolongado da maconha pode produzir efeitos similares aos do tabagismo sobre os pulmões. A bronquite é comum e o risco de câncer de pulmão provavelmente é maior. Os resultados da detecção da maconha na urina permanecem positivos durante vários dias após o consumo, inclusive nos consumidores ocasionais. Nos consumidores habituais, os resultados do exame podem permanecer positivos por mais tempo à medida que a droga é eliminada lentamente da gordura corpórea. O tempo varia, dependendo da porcentagem de THC e da freqüência do consumo. O exame de urina é uma maneira eficaz de se identificar o consumo da maconha, mas um resultado positivo desse exame significa apenas que o indivíduo a consumiu, e não prova que o usuário está com suas faculdades alteradas no momento (intoxicado). Exames sofisticados podem determinar até um ano depois se a maconha foi consumida.

Adição à Anfetaminas

Entre as drogas classificadas como anfetaminas estão a anfetamina, a metanfetamina (speed) e a metilenedioximetanfetamina (MDMA, Ecstasy ou Adam). O abuso de anfetaminas pode ser crônico ou intermitente. A dependência é tanto psicológica quanto física. Há alguns anos, a dependência de anfetamina teve início quando as drogas eram prescritas para a perda de peso, mas, atualmente, a maioria do abuso atualmente começa com a distribuição ilegal dessas drogas. Algumas anfetaminas não estão aprovadas para uso médico, outras são fabricadas e utilizadas ilegalmente. A metanfetamina é a anfetamina mais consumida de forma abusiva nos Estados Unidos. O MDMA tem uma ampla disseminação na Europa e, recentemente, chegou aos Estados Unidos. Os usuários freqüentemente tomam essa droga para irem a “raves”, onde dançam até o amanhecer. O MDMA interfere na recaptação da serotonina (um dos neurotransmissores do corpo) no cérebro e acredita-se que ela seja tóxica para o sistema nervoso.

Sintomas

As anfetaminas aumentam o estado de alerta (reduzem a fadiga), aumentam a concentração, diminuem o apetite e aumentam a resistência física. Elas podem induzir um estado de bem-estar ou de euforia. Muitos indivídos com adição a anfetaminas são deprimidos e utilizam os efeitos sobre o humor desses estimulantes para aliviar temporariamente a depressão. Em um certo grau, a resistência física pode melhorar temporariamente. Por exemplo, nos atletas que participam de uma corrida, a diferença entre o primeiro e o segundo lugar é de apenas alguns décimos de segundo e as anfetaminas podem provocar essa diferença. Alguns indivíduos, como os caminhoneiros que percorrem grandes distâncias, podem utilizar anfetaminas para ajudá-los a permanecer acordados.

Além de estimular o cérebro, as anfetaminas aumentam a pressão arterial e a freqüência cardíaca. Têm ocorrido infartos do miocárdio fatais, mesmo em atletas jovens e sadios. A pressão arterial pode tornar-se tão elevada que um vaso sangüíneo cerebral rompe, causando um acidente vascular cerebral que pode acarretar paralisia e morte. A morte é mais provável quando drogas como o MDMA são consumidas em ambientes quentes com pouca ventilação, quando o usuário é fisicamente muito ativo (p.ex., gosta de danças rápidas e intensas) ou quando ele transpira muito e não bebe uma quantidade suficiente de água para repor a perda líquida. Os indivíduos que fazem uso habitual de anfetaminas várias vezes ao dia desenvolvem rapidamente uma tolerância à droga. A quantidade consumida no fim termina sendo centenas de vezes maior que a dose inicial. Com essas doses, quase todos os usuários tornam-se psicóticos, pois as anfetaminas podem produzir ansiedade intensa, paranóia e distorção da percepção da realidade. As reações psicóticas incluem alucinações auditivas e visuais (o indivíduo ouve e vê coisas que não existem) e sentimentos de onipotência. Embora esses efeitos possam ocorrer em qualquer usuário, os indivíduos com um distúrbio psiquiátrico (p.ex., esquizofrenia) são mais vulneráveis a eles.

Tratamento

Quando o consumo de anfetamina é bruscamente interrompido, ocorrem sintomas opostos aos efeitos da droga. O consumidor apresenta fadiga ou sonolência (um efeito que, geralmente, pode durar dois ou três dias após a interrupção da droga). Alguns tornam-se muito ansiosos e inquietos. Os usuários que apresentam depressão, quando começam a utilizar anfetaminas, podem tornar-se ainda mais deprimidos ao interromper o seu uso. Podem tornar-se suicidas, mas pode ocorrer que durante vários dias lhes faltem as forças para tentar o suicídio. Por essa razão, os usuários crônicos podem necessitar de hospitalização durante a abstinência da droga. Os indivíduos que apresentam delírios e alucinações devem tomar um medicamento antipsicótico como, por exemplo, a clorpromazina, que tem um efeito calmante e reduz a angústia. No entanto, o medicamento antipsicótico pode produzir uma queda acentuada da pressão arterial. Normalmente, a tranqüilização do indivíduo e um ambiente calmo e não ameaçador são úteis para a sua recuperação.

Adição à Cocaína

A cocaína produz efeitos similares aos das anfetaminas, mas é um estimulante muito mais poderoso. Pode ser tomada pela via oral, inalada sob a forma de pó (cheirada) ou pode ser injetada, em geral diretamente em uma veia. Quando fervida com bicarbonato de sódio, a cocaína é convertida em uma base denominada crack, podendo então ser fumada. O crack atua quase tão rapidamente quanto a cocaína injetada pela via intravenosa. A cocaína intravenosa ou inalada produz uma sensação de alerta extrema, de euforia e de grande poder.

Sintomas

A cocaína aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca e pode causar um infarto do miocárdio letal, mesmo em atletas jovens e saudáveis. Outros efeitos incluem a constipação; a lesão intestinal; o nervosismo extremo; a sensação de que algo está se movendo sob a pele (bichos da cocaína), o que é um sinal de uma possível lesão nervosa; crises convulsivas; alucinações; insônia; delírios paranóides e comportamento violento. O droga-adido pode representar um perigo para si próprio e para terceiros. Como os efeitos da cocaína duram apenas cerca de 30 minutos, o droga-adido toma doses repetidas. Para reduzir parte do extremo nervosismo causado pela cocaína, muitos droga-adidos também usam heroína ou uma outra substância depressora do sistema nervoso, como o álcool.

As mulheres com adição à cocaína que engravidam apresentam uma maior probabilidade de abortar, em comparação a grávidas não usuárias de drogas. Se ela não abortar, o feto poderá apresentar danos causados pela cocaína, que passa facilmente do sangue materno para o fetal. As crianças geradas por mulheres droga-adidas podem apresentar padrões de sono anormais e má coordenação. Elas podem apresentar retardo no desenvolvimento (engatinhar, andar e falar), mas isto pode ser decorrente de deficiências nutricionais, cuidados pré-natais deficientes e abuso de outras drogas por parte da mãe. Com o uso diário, a tolerância à cocaína ocorre rapidamente. As reações de abstinência incluem a fadiga extrema e a depressão – o oposto dos efeitos da droga. Quando o indivíduo interrompe o uso da droga, ele pode apresentar ânsias de suicídio. Após alguns dias, quando as forças físicas e mentais são recuperadas, o droga-adido pode tentar o suicídio. Como ocorre com o uso intravenoso de heroína, muitas doenças infecciosas, inclusive a hepatite e a AIDS, são transmitidas quando os adidos à cocaína compartilham agulhas não esterilizadas.

Diagnóstico

O uso de cocaína é evidenciado pela hiperatividade, dilatação pupilar e aumento da freqüência cardíaca. A ansiedade e o comportamento errático, grandioso e hipersexual são evidentes no consumo em maior quantidade. Freqüentemente, observa-se a paranóia naqueles que são encaminhados aos serviços de emergência. O consumo de cocaína pode ser confirmado por meio de exames de urina e de sangue.

Tratamento

A cocaína é uma droga de ação muito curta e, por essa razão, o tratamento de uma reação tóxica pode não ser necessário. A equipe médica de emergência observa atentamente o paciente, para verificar se os efeitos perigosos (potencialmente letais) desaparecem. Podem ser administrados medicamentos para baixar a pressão arterial ou a freqüência cardíaca. Outros medicamentos podem ser administrados para interromper as crises convulsivas. Uma febre muito alta também pode exigir tratamento. O abstinência de um consumo de cocaína de longa duração exige uma supervisão rigorosa porque o indivíduo pode tornar-se deprimido e pode apresentar idéias suicidas. Pode ser necessário interná-lo em um hospital ou em um centro de tratamento de droga-adidos. Os métodos mais eficazes de tratamento para o adido à cocaína são o aconselhamento e a psicoterapia. Algumas vezes, os distúrbios psicológicos comuns aos adidos à cocaína (depressão e distúrbio maníaco-depressivo) são tratados com medicamentos antidepressivos ou com lítio.

Adição à Alucinóginos

Os alucinógenos incluem o LSD (dietilamida do ácido lisérgico), a psilocibina (cogumelo mágico), a mescalina (peiote) e o 2,5-dimetoxi-4-metilanfetamina (DOM, STP), um derivado da anfetamina. Geralmente, essas drogas não causam alucinações verdadeiras. As alucinações verdadeiras ocorrem quando um indivíduo crê que as coisas anormais que vê ou ouve estão realmente acontecendo. Em contraste, a maioria dos indivíduos com adição a alucinógenos compreende que as sensações anormais não são reais e são causadas pela droga. Por essa razão, essas drogas são na realidade pseudo-alucinógenos ou falsos alucinógenos.

Sintomas

Os alucinógenos distorcem as sensações auditivas e visuais. Além disso, as sensações podem mesclar-se. Por exemplo, a audição de música pode provocar o surgimento de cores e essas se movimentam ao ritmo da música. Os principais perigos da utilização dessas drogas são os efeitos psicológicos e o comprometimento do julgamento que elas produzem, os quais podem levar a tomadas de decisões perigosas ou a acidentes. Por exemplo, um usuário pode pensar que é capaz de voar e pode inclusive pular de uma janela para provar isto, com conseqüentes lesões graves ou a morte. Os alucinógenos estimulam o cérebro. O efeito em si pode depender do estado de humor do usuário no momento do consumo da droga e do ambiente onde ela é consumida. Por exemplo, os indivíduos que estavam deprimidos antes de tomar a droga podem sentir-se mais tristes quando ela produzir os seus efeitos.

A capacidade do usuário em lidar com as distorções visuais e auditivas também afeta a experiência. Um indivíduo inexperiente e assustado é menos capaz de lidar com a experiência que alguém que já conhece os efeitos da droga e não teme a “viagem” (trip). Um usuário sob a influência de um alucinógeno, normalmente o LSD, pode apresentar uma extrema ansiedade e entrar em pânico, o que resultará em uma “viagem ruim” (bad trip). Ele poderá querer interromper a “viagem”, mas isto é impossível. A “viagem” é pior que um pesadelo, pois quem está sonhando pode despertar, terminando o sonho ruim. Uma “viagem” ruim não termina rapidamente. À medida que a “viagem” continua, o usuário começa a perder o controle e pode, temporariamente, tornar-se psicótico. Algumas vezes, uma “viagem ruim” pode ser tão grave ou pode desencadear uma vulnerabilidade tão intrínseca que o usuário pode permanecer psicótico durante muitos dias (ou por mais tempo) depois dos efeitos da droga terem desaparecido.

Uma psicose prolongada é mais provável em um usuário com um distúrbio psicológico preexistente, o qual tornou-se mais evidente ou piorou pelos efeitos da droga. A tolerância ao LSD pode ocorrer após 72 horas de uso contínuo. Os usuários de LSD também podem tornar-se tolerantes a outros alucinógenos. Em geral, os indivíduos que se tornaram tolerantes a alucinógenos e que interrompem o seu uso de modo abrupto não parecem sofrer de síndrome de abstinência. Alguns indivíduos (especialmente os usuários crônicos ou aqueles que repetem o consumo de alucinógenos, particularmente o LSD) podem apresentar o reaparecimento de sintomas (flashbacks) após interromperem o seu consumo. Os flashbacks são semelhantes à experiência original, mas, geralmente, eles são menos intensos. Eles podem ser desencadeados pela maconha ou por outras drogas, incluindo o álcool, ou pelo estresse ou pela fadiga. Eles também podem ocorrer sem razão aparente. Geralmente os flashbacks desaparecem em um período de seis a doze meses, mas podem retornar até cinco anos após o último consumo de LSD, especialmente quando o usuário ainda apresenta um distúrbio da ansiedade ou um outro distúrbio psiquiátrico.

Diagnóstico e Tratamento

O consumo agudo de aluginógenos é caracterizado por episódios de pânico e de distorções visuais, acompanhados por vários tipos de delírios. As pupilas dilatam-se, mas a freqüência cardíaca não aumenta tanto quanto no uso de estimulantes. As informações fornecidas por amigos do usuário são importantes para o diagnóstico. A maioria dos usuários de alucinógenos nunca procura tratamento. Um ambiente tranqüilo e escuro e uma conversa serena e não ameaçadora podem ajudar um usuário que está tendo uma “viagem ruim”. O usuário necessita sentirse assegurado de que os efeitos são causados pela droga e terão um fim. Um indivíduo que apresenta uma psicose prolongada pode necessitar de um tratamento psiquiátrico.

Adição à Fenciclidina

A fenciclidina (PCP, angel dust), desenvolvida no final da década de 50 como um anestésico, reduz intensamente a percepção da dor. O uso médico legítimo da PCP foi interrompido em 1962, pois os pacientes que a recebiam freqüentemente apresentavam uma ansiedade grave e delírios. Alguns tornavam-se temporariamente psicóticos. A PCP apareceu como como droga de rua em 1967 e, freqüentemente, era vendida falsamente como maconha. Toda PCP atualmente encontrada na rua é sintetizada ilegalmente. Mais freqüentemente, a PCP é fumada após ter sido polvilhada sobre matéria vegetal (p.ex., salsa, folhas de hortelã, tabaco ou maconha). Algumas vezes, ela é consumida pela via oral ou é injetada.

Sintomas

A PCP deprime o cérebro e os usuários geralmente tornam-se confusos e desorientados logo após o seu consumo. Elem podem não saber quem são, onde estão ou qual é a hora do dia ou podem entrar em transe, como se estivessem hipnotizados. A salivação e a transpiração podem aumentar. Os usuários da PCP podem ser combativos e, como não sentem dor, podem continuar a lutar, mesmo quando golpeados com muita força. A pressão arterial e a freqüência cardíaca também aumentam. Os tremores musculares são comuns. Doses muito altas de PCP causam hipertensão arterial, a qual pode acarretar um acidente vascular cerebral, alucinações auditivas (o usuário ouve vozes), crises convulsivas, febre alta (hipertermia) potencialmente letal, coma e possivelmente a morte. O consumo crônico de PCP pode lesar o cérebro, os rins e os músculos. Os usuários que também são esquizofrênicos apresentam uma maior probabilidade de tornar-se psicóticos durante dias ou semanas após consumirem a PCP.

Tratamento

O tratamento de uma reação adversa à PCP é direcionado aos efeitos específicos. Por exemplo, são administrados medicamentos para reduzir a pressão arterial elevada ou para interromper as convulsões. Quando os consumidores de PCP tornam-se agitados (como pode ocorrer quando são levados para tratamento), eles são colocados em um quarto tranqüilo para relaxarem, embora a pressão arterial, a freqüência cardíaca e a respiração sejam controladas continuamente. Não é útil conversar de modo calmo. Na realidade, o indivíduo pode tornar-se ainda mais agitado. Se o ambiente tranqüilo não os acalma, o médico pode prescrever um tranqüilizante (p.ex., diazepam). Pode ser realizada uma lavagem gástrica, assim como podem ser administrados medicamentos que aceleram a excreção da PCP do organismo.

Adição à Inalantes

Entre os adolescentes, os inalantes são usados com maior freqüência que a cocaína ou o LSD, mas menos freqüentemente que a maconha e o álcool. Os inalantes utilizados são encontrados em muitos produtos de limpeza doméstica. Esses produtos são destinados ao uso apenas em ambientes bem ventilados, pois muitas das substâncias químicas de sua composição são potentes depressores do cérebro. Mesmo em um local bem ventilado, essas substâncias químicas possuem alguns efeitos depressores. Quando os vapores do produto são inalados diretamente, os efeitos são mais fortes. O produto pode ser pulverizado em um saco plástico e inalado (“cheirado”) ou um pano pode ser embebido com o produto e colocado próximo ao nariz ou na boca (“soprado”).

Sintomas

Os usuários rapidamente tornam-se intoxicados. Foi observada a ocorrência de tontura, sonolência, confusão mental, fala pastosa e redução da capacidade de manter-se em pé e de deambular (marcha instável). Esses efeitos podem durar de alguns minutos a mais de uma hora. O usuário também pode tornar-se excitado – não porque as substâncias químicas são estimulantes, mas devido à perda de controle, como ocorre com o uso excessivo do álcool. A morte pode ocorrer, inclusive na primeira vez que o produto é inalado diretamente, devido a uma depressão acentuada da respiração ou a uma arritmia cardíaca (batimentos cardíacos irregulares). Alguns indivíduos, geralmente adolescentes ou inclusive crianças, acendem com fósforos os vapores enquanto os inspiram, provocando a propagação do fogo através do nariz e da boca até os pulmões.

As queimaduras graves na pele e nos órgãos internos podem ser fatais. Outros morrem por asfixia, pois o spray inalado reveste os pulmões, impedindo a chegada de oxigênio ao sangue. O consumo crônico ou a exposição a essas substâncias químicas no local de trabalho pode provocar lesões graves no cérebro, nos rins, no fígado e nos pulmões. Além disso, a medula óssea pode ser lesada e a produção de eritrócitos (glóbulos vermelhos) é afetada, causando anemia. Embora o óxido nitroso (gás hilariante) inalado proveniente de recipientes de creme batido possa parecer inofensivo, a exposição prolongada a essa substância pode causar adormecimento e fraqueza dos membros inferiores e superiores que podem ser permanentes.

O nitrito de amila em ampolas tem usos médicos legítimos como, por exemplo, o alívio da dor no peito causada pela doença coronariana (coronariopatia). No entanto, ele pode ser utilizado de modo abusivo, geralmente por homossexuais do sexo masculino que procuram alterar a consciência e aumentar o prazer sexual. O nitrito de amila parece intensificar o orgasmo, alterando a oxigenação cerebral. Apesar do nitrito de amila poder ser obtido por meio de receita médica ou pela síntese ilegal, o nitrito de butila e o nitrito de isobutila são vendidos legalmente com diversos nomes comerciais. Essas drogas produzem uma redução breve da pressão arterial, produzem tontura e rubor, seguidos por uma freqüência cardíaca elevada. Por essas razões, essas substâncias podem ser perigosas para os indivíduos com problemas cardíacos.

Tratamento

O tratamento de crianças e adolescentes que apresentam adição a inalantes envolve a avaliação e o tratamento das lesões orgânicas. Ele também envolve a educação e o aconselhamento para a solução dos problemas psicológicos e sociais. As porcentagens de recuperação da adição a inalantes encontram-se entre as mais baixas das adições a substâncias que modificam o humor.

Inalantes e Seus Conteúdos Químicos


Produtos
Agentes Químicos

Adesivos


Cola de aeromodelismo
Tolueno, acetato de etila


Cola de borracha
Hexano, tolueno, metiletilcetona, metilbutilcetona


Cola de cloreto de polivinila
Tricloretileno


Aerossóis




Tinta em spray
Butano, propano, fluorocarbonetos, tolueno, hidrocarbonetos


Spray para cabelos
Butano, propano, fluorocarbonetos


Spray desodorante, produtos de odorização do ar
Butano, propano, fluorocarbonetos


Spray analgésico, spray para asma
Fluorocarbonetos


Solventes e gases




Removedor de esmalte de unhas
Acetona, acetato de etila


Removedor de tinta
Tolueno, cloreto de metileno, metanol acetona, acetato
de etila



Solvente de tinta
Destilados do petróleo, ésteres, acetona


Corretor de erros ortográficos e diluente
Tricloretileno, tricloretano


Gás combustível
Propano


Fluido de isqueiro
Butano


Gasolina
Hidrocarbonetos mistos


Produtos de limpeza




Líquido de limpeza a seco
Tetracloretileno, tricloretano


Removedor de manchas (tira-manchas)
Xileno, destilados do petróleo, hidrocarbonetos clorados


Desengordurante
Tetracloretileno, tricloretano, tricloretileno


Sprays para revestimento de bolos e tortas




Creme batido, produtos similares
Óxido nitroso (gás hilariante)


Desodorizantes ambientais à base de nitrito



“Poppers” e “rush”
Nitrito de alquila, nitrito de (iso)amila, nitrito de
(iso)butila, nitrito de isopropila, nitrito de butila