ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências- Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração de Serviços de Saúde e Gerenciamento de Enfermagem (GEPAG).

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quinta-feira, 24 de junho de 2010

ABSCESSO E FÍSTULAS ANORRETAIS



Abscesso anorretal é uma infecção localizada, que se evidencia por uma coleção de pus devida à inflamação dos tecidos moles. À medida que o abscesso produz mais pus, o cliente pode desenvolver uma fístula, criando um orifício anorretal na pele anal.
Em geral, a fístula desenvolve-se nos tecidos moles situados sob as fibras musculares dos esfíncteres (principalmente do esfíncter externo), estendendo-se até a pele perianal. O orifício interno (primário) do abscesso ou da fístula geralmente está próximo das glândulas e criptas anais; o orifício externo (secundário) abre-se na pele perianal. Nos casos graves, esse orifício pode comunicar-se com o reto.
CAUSAS
O processo inflamatório que leva à formação do abscesso pode começar com uma abrasão ou laceração do revestimento do canal anal ou reto ou da pele perianal, seguida de infecção por Escherichia coli, estafilococos ou estreptococos. Esse traumatismo pode ser causado por contato abrasivo com alguns objetos tais como a ponta dos frascos de enema, cascas de ovos ingeridas, espinhas de peixe ou fezes muito ressecadas. O abscesso também pode desenvolver-se após infecção dos hematomas submucosos, hemorróidas e fissuras anais.
Outras causas são obstrução das glândulas da região anal, extensão da criptite, infecção das glândulas apócrinas ou foliculite da região perianal. Algumas doenças sistêmicas também podem levar à formação de abscessos, incluindo-se colite ulcerativa e doença de Crohn e doenças que causam imunossupressão (p. ex., síndrome da imunodeficiência adquirida).
AVALIAÇÃO
Os sinais e sintomas dependem da gravidade da infecção e se o abscesso é um distúrbio agudo ou crônico. Os resultados da avaliação também variam de acordo com o tipo de abscesso.
Em geral, o primeiro sintoma que o cliente refere é dor retal, que comumente é descrita como pulsátil. Em alguns casos, o início da dor retal é precedido de diarréia. O cliente também pode dizer que não consegue sentar-se confortavelmente, porque desenvolveu um “caroço duro e doloroso” em um dos lados. Quando houver abscesso perianal, o cliente pode referir que a dor é agravada quando ele está sentado ou quando tosse. O abscesso submucoso ou intermuscular alto pode provocar dor persistente e difusa no reto, enquanto o abscesso pelvicorretal geralmente não causa dor.
Se o abscesso anorretal for um processo crônico, o cliente pode referir saída de secreção ou sangramento com prurido anal, embora o abscesso isquiorretal nem sempre cause secreção e o abscesso pelvicorretal não cause quaisquer sinais retais externos ou anais localizados. Se o cliente também tiver fistula anal, é comum que ele refira prurido anal e secreção purulenta.
Dependendo da gravidade da secreção, o cliente também pode queixar-se de febre, calafrios, náuseas, vômitos e mal-estar.
A inspeção pode mostrar uma tumefação eritematosa ou edema na região anal. Se o cliente tiver uma fístula, o orifício externo desta pode ser visível em forma de um trajeto rosado ou avermelhado e elevado drenando secreção, ou uma ulcera da pele ao redor do ânus. Em geral, a palpação demonstra hipersensibilidade sobre a região avermelhada ou edemaciada.
É importante saber que os resultados da avaliação podem variar quando você faz um toque retal, dependendo do tipo de abscesso anorretal presente. Em geral, o abscesso perianal não causa quaisquer anormalidades. Se o cliente tiver um abscesso isquiorretal, você irá detectar uma saliência dolorosa abaulando para dentro dom canal anal. Com o abscesso submucoso ou intermuscular alto, você perceberá uma massa lisa na parte superior do canal anal ou no segmento inferior do reto. Se o cliente tiver um abscesso pelvicorretal, o exame mostrará uma massa dolorosa localizada nos planos superiores da pelve, às vezes se estendendo em direção a uma das fossas isquiorretais. Se também houver uma fístula você poderá detectar um trajeto palpável e endurecido e uma depressão ou úlcera na linha média anterior, ou na linha denteada posteriormente.
EXAMES DIAGNÓSTICOS
Retosigmoidoscopia, enema baritado e colonoscopia podem ser realizados para excluir outras doenças.
TRATAMENTO
O abscesso anorretal requer incisão e drenagem cirúrgicas, geralmente sob anestesia raquidiana. As fístulas devem ser corrigidas por fistulotomia – remoção da fístula e do tecido de granulação associado -, sob anestesia raquidiana. Se o trajeto da fístula estiver epitelizado, o tratamento requer fistulotomia – remoção do trato fistular, seguida da colocação de drenos, que podem permanecer por 48 horas. As fístulas resultantes de um distúrbio intestinal como a doença de Crohn geralmente são tratadas com medidas paliativas, porque a cirurgia não costuma ser eficaz.
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM
  • Risco para infecção relacionado com o aumento da flora intestinal.
  • Integridade da pele prejudicada, relacionada com a formação de abscesso e fístulas secundários a uma infecção anorretal.
  • Dor aguda relacionada com o edema e a inflamação dos tecidos anais, secundaria ao abscesso anorretal.
INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM
  • Antes da cirurgia aplique gelo e compressas de hamamélis e faça banhos de assento para ajudar a aliviar o desconforto do cliente.
  • Depois da cirurgia, administre os fármacos apropriados para o controle da dor, de acordo com a prescrição médica.
  • Realize a troca de curativos diariamente após avaliação da ferida cirúrgica.
  • Anote a hora em que houve a primeira evacuação intestinal depois da cirurgia. Antecipando a ocorrência da dor, o cliente pode suprimir o desejo de defecar; a constipação intestinal resultante pode aumentar a pressão na região da ferida. Pode ser indicado um laxante para amolecer as fezes, administrado tão logo o cliente possa tolerar depois da cirurgia.
MONITORAÇÃO
  • Examine frequentemente a ferida para avaliar a cicatrização apropriada. A ferida será coberta com compressas de gaze e cicatrizará por granulação. A cicatrização deverá estar concluída dentro de 4 a 5 semanas no caso das fístulas perianais e 12 a 16 semanas para as feridas mais profundas.
  • Monitore o paciente para sinais de infecção depois da cirurgia, tais como febre, secreção purulenta pela incisão, rubor e edema.
ORIENTAÇÃO AO CLIENTE
  • Explique o problema ao cliente. Se houver exames diagnósticos programado, revise seu objetivo, a preparação necessária e as medidas indicadas depois dos exames.
  • Enfatiza que a recuperação completa pode demorar. Incentive o cliente.
  • Diga ao cliente que uma dieta rica em fibras e líquidos promove a evacuação intestinal regular e ajuda a evitar irritação de um abscesso existente. Explique que o esforço para defecar pode agravar o desconforto causado pelo abscesso.
  • Destaque a importância da limpeza perianal em todas as horas do dia, principalmente após a evacuação ou qualquer contato com um corpo estranho. Diga ao cliente que a higiene cuidadosa ajuda a evitar infecção.
  • Caso haja uma cirurgia programada, dê as orientações pré-operatória apropriada. Certifique-se de que o cliente compreendeu o procedimento e suas possíveis complicações.
  • Depois da cirurgia, reforce a importância da dieta e da limpeza perianal. Oriente ao cliente quanto aos fármacos prescritos, tais como analgésicos e emolientes fecais. Além disso, demonstre como fazer banho de assento, caso tenham sido 
  • prescritos Para promover o conforto.