ENFERMAGE, CIÊNCIAS E SAÚDE

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências da Saúde - Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo.

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sábado, 9 de janeiro de 2010

Biologia da Pele


A pele não é apenas um envoltório protetor. É um sistema orgânico que regula a temperatura corpórea, detecta os estímulos dolorosos e agradáveis, impede a entrada de substâncias no organismo e provê um escudo protetor contra os efeitos nocivos do sol. A cor, a textura e as pregas da pele ajudam a caracterizar os indivíduos. Qualquer alteração da função ou do aspecto da pele pode acarretar conseqüências importantes para a saúde física e mental.

Cada camada da pele desempenha tarefas específicas. A camada superior, a epiderme, é, na maior parte do corpo, mais fina que uma película plástica. A parte superior da epiderme, o estrato córneo, contém queratina, a qual é formada por restos de células mortas e protege a pele contra substâncias nocivas. No fundo da epiderme estão os melanócitos, as células produtoras de melanina – o pigmento de cor escura da pele.

Sob a epiderme, encontra-se a derme, a qual contém receptores da dor e do tato, cujas ramificações chegam até a superfície da pele e a muitas das glândulas funcionais da pele: glândulas sudoríparas, que produzem o suor; glândulas sebáceas, que produzem óleo; e folículos pilosos, que produzem pêlos. Além disso, na derme existem vasos sangüíneos, os quais fornecem a nutrição à pele e a tornam quente, os nervos ramificam- se por todas as camadas da pele. Abaixo da derme existe uma camada de gordura que ajuda a isolar o corpo contra o calor e o frio.

Em diferentes partes do corpo, a espessura, e a cor da pele, o número de glândulas sudoríparas, sebáceas, folículos pilosos e nervos variam. A porção superior da cabeça possui uma grande quantidade de folículos pilosos, enquanto que as palmas das mãos e as plantas dos pés não apresentam qualquer folículo piloso. A epiderme e a camada de queratina são muito mais espessas nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. As pontas dos dedos das mãos e dedos dos pés contêm muitos nervos e são extremamente sensíveis ao tato.


O Que Existe Sob a Pele?

Este corte sagital mostra as camadas e estruturas da pele abaixo da superfície.

A pele tende a sofrer alterações durante a vida de um indivíduo. A pele de um lactente possui uma camada de gordura muito mais espessa e uma camada de queratina protetora muito mais fina. À medida que o indivíduo envelhece, ele perde uma boa parte da gordura subjacente, a derme e a epiderme tornam-se mais finas, as fibras elásticas da derme fragmentam-se e a pele torna-se mais enrugada. O fluxo sangüíneo da pele também diminui com a idade e, por essa razão, a pele lesada cicatriza mais lentamente nos indivíduos idosos. A pele mais envelhecida também produz uma menor quantidade do óleo protetor e, conseqüentemente, ela resseca com maior facilidade.

Diagnóstico de Distúrbios Cutâneos

Os médicos podem identificar muitos distúrbios cutâneos simplesmente através do exame visual. As características reveladoras incluem tamanho, forma, cor e localização da anomalia, além da presença ou ausência de outros sinais ou sintomas. Algumas vezes, o médico deve remover um pequeno pedaço de pele para exame microscópico, um procedimento denominado biópsia. Para realizar este procedimento simples, o médico comumente anestesia uma pequena área da pele com um anestésico local e, utilizando um bisturi ou um saca-bocado, ele remove um fragmento de pele com um diâmetro de aproximadamente 0,3 cm. Freqüentemente, o médico fecha o corte com um ponto, detendo o sangramento. Quando o médico suspeita que a pele possa estar infectada, ele realiza um raspado do material e o enviam a um laboratório, solicitando a realização da cultura do mesmo. Quando a amostra contém bactérias, fungos ou vírus, esses microrganismos crescem na cultura e podem ser identificados.


Nomes Médicos para as Lesões e Tumores da Pele






Pele atrófica: Pele enrugada e da espessura do papel.

Crosta (casca): Sangue, pus ou líquidos da pele secos sobre a superfície da pele. A crosta pode formar-se em qualquer lugar onde ocorreu uma lesão cutânea.

Erosão: Perda parcial ou total da superfície da pele. As erosões ocorrem quando a pele é lesada por infecção, pressão, irritação ou calor.

Escoriação: Uma área crostosa, escavada ou linear, causada pelo ato de arranhar, friccionar ou picar a pele.

Liquenificação: Pele espessa que apresenta sulcos e rugas acentuados.

Mácula: Uma mancha plana e com coloração anormal com qualquer forma e com menos de 1 cm de diâmetro. As sardas, os nevos planos, as manchas cor vinho do Porto e muitas erupções cutâneas são máculas.
Uma mancha é como uma mácula, porém maior.

Nódulo: Uma formação sólida, com 0,5 a 1 cm de diâmetro, que pode ser elevada. Algumas vezes, ele parece formar-se abaixo da superfície cutânea e pressionar para cima.

Pápula: Uma protuberância sólida com menos de 1 cm de diâmetro. As verrugas, as picadas de insetos, os pólipos cutâneos e alguns cânceres de pele são pápulas. Uma placa é uma pápula maior.


Pústula: Uma bolha com conteúdo purulento (acúmulo de leucócitos).

Escamas: Áreas de células epidérmicas mortas e aglomeradas que produzem uma crosta seca e descamativa. As escamas ocorrem em casos de psoríase, dermatite seborréica e em muitos outros distúrbios.

Cicatriz: Área onde a pele normal foi substituída por tecido fibroso (formador de cicatrizes). As cicatrizes formam-se após a destruição de alguma parte da derme.

Telangiectasia: Vasos sangüíneos dilatados localizados no interior da pele e que apresentam um aspecto tortuoso.

Úlcera: Como uma erosão, porém mais profunda, penetrando a derme pelo menos parcialmente. As causas são as mesmas que as das erosões.

Vesícula: Um pequeno ponto cheio de líquido com diâmetro inferior a 0,5 cm. Uma bolha é uma vesícula maior. As picadas de insetos, o herpeszoster, a varicela (catapora), as queimaduras e as irritações produzem vesículas e bolhas.

Urticária: Inchaço de uma área da pele que produz uma elevação macia e esponjosa que aparece subitamente e, em seguida, desaparece. As urticárias são reações alérgicas habituais a medicamentos, picadas de insetos ou a algo que tenha entrado em contato com a pele.








Outros exames laboratoriais também ajudam o médico a diagnosticar infecções cutâneas. Em um exame com luz de Wood, uma determinada freqüência de luz ultravioleta (negra) torna alguns fungos visíveis e pode, ainda, tornar algumas alterações da pigmentação mais visíveis. O exame de Tzanck ajuda a diagnosticar infecções cutâneas virais (p.ex., herpes-zoster). Com um pequeno bisturi, o médico raspa a superfície cutânea inflamada e examina o material ao microscópio. A identificação de células com tamanho aumentado ou agrupadas indica uma infecção viral. A amostra de pele também pode ser enviada a um laboratório para a realização de uma cultura viral.

Muitos problemas que ocorrem na pele são limitados à ela. Contudo, a pele, algumas vezes, revela uma doença sistêmica (que afeta todo o organismo). Por exemplo, os indivíduos com lúpus eritematoso sistêmico apresentam uma erupção cutânea avermelhada incomum nas bochechas, geralmente após a exposição à luz solar. Conseqüentemente, o médico deve levar em conta muitas causas possíveis ao avaliar distúrbios cutâneos. O exame de toda a superfície cutânea e a busca de determinados padrões de uma erupção cutânea podem auxiliar na identificação de qualquer doença possível. Para verificar a distribuição de um distúrbio cutâneo, o médico pode solicitar ao seu paciente que ele se dispa completamente, mesmo que este tenha percebido somente uma pequena alteração em uma pequena área do corpo. O médico também pode solicitar exames de sangue ou outros exames laboratoriais mesmo quando o indivíduo apresenta um problema limitado exclusivamente à pele.

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