ENFERMAGE, CIÊNCIAS E SAÚDE

Gerson de Souza Santos - Bacharel em Enfermagem, Especialista em Saúde da Família, Mestrado em Enfermagem , Doutor em Ciências da Saúde - Escola Paulista de Enfermagem - Universidade Federal de São Paulo.

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Antibióticos



Os medicamentos antiinfecciosos (que combatem as infecções) incluem as drogas antibacterianas, as antivirais e as antifúngicas. Essas drogas são desenvolvidas para serem as mais tóxicas possíveis contra o microrganismo infeccioso e as mais seguras possíveis para as células humanas, isto é, são feitas para ter uma toxicidade seletiva. A produção de drogas com essas características para combater bactérias e fungos é relativamente fácil porque as células bacterianas e fúngicas são muito diferentes das células humanas. No entanto, a produção de uma droga que destrua um vírus sem lesar a célula humana infectada é muito difícil, pois os vírus perdem sua identidade no interior da célula humana, reprogramando a célula para produzir partículas virais.

Antibióticos

Os antibióticos são drogas utilizadas para tratar infecções bacterianas. Infelizmente, um número crescente de bactérias vêm desenvolvendo resistência os antibióticos atualmente disponíveis. Em parte, essa resistência deve-se ao uso excessivo de antibióticos. Por essa razão, novos antibióticos são constantemente desenvolvidos para combater bactérias cada vez mais resistentes. Em última instância, no entanto, as bactérias tornar-se-ão resistentes também aos antibióticos mais modernos. Os antibióticos são classificados de acordo com a sua potência. Os antibióticos bactericidas realmente matam as bactérias e os antibióticos bacteriostáticos simplesmente impedem a sua multiplicação, permitindo que o organismo elimine as bactérias remanescentes. Para a maioria das infecções, ambos os tipos de antibiótico parecem ser igualmente eficazes, mas, quando o sistema imune encontra-se comprometido ou quando a infecção é grave (p.ex., uma endocardite ou uma meningite bacteriana), um antibiótico bactericida é normalmente mais eficaz.

Calendário Básico de Vacinação 2000/2001


Vacina
Dose
Doença(s)
Ao nascimento
BCG
Única
Forma s graves de tuberculose
Contra hepatite B
1ª Dose
Hepatite B
1 mês
Contra hepatite B
2ª Dose
Hepatite B
2 meses
Sabin(oral contra
poliomielite)
1ª Dose
Poliomielite (paralisia infantil)
DTP (tríplice bacteriana)
1ª Dose
Difteria, tétano e coqueluche
Hib (contra Haemophilus
influenzae tipo b)
1ª Dose
Meningite e outras infecções, causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b
4 meses
Vacina oral contra poliomielite
(Sabin)
2ª Dose
Poliomielite (paralisia infantil)
DTP (tríplice bacteriana)
2ª Dose
Difteria, tétano e coqueluche
Hib (contra Haemophilus
influenzae tipo b)
2ª Dose
Meningite e outras infecções causadas
pelo Haemophilus influenzae tipo b
6 meses
Sabin (oral contra
poliomielite)
3ª dose
Poliomielite (paralisia infantil)
DTP (tríplice bacteriana)
3ª dose
Difteria, tétano e coqueluche
Hib (contra Haemophilus
influenzae tipo b)
3ª dose
Meningite e outras infecções, causadas
pelo Haemophilus influenzae tipo b
9 meses
Contra sarampo
Única
Sarampo
Contra febre amarela
Única
Febre amarela
15 meses
Sabin (oral contra poliomielite)
reforço
Poliomielite (paralisia infantil)
DTP (tríplice bacteriana)
reforço
Difteria, tétano e coqueluche
Tríplice viral ou
Única
(reforço)
sarampo)
Sarampo, rubéola, síndrome da
rubéola congênita e caxumba
Dupla viral ou
Sarampo, rubéola e síndrome da
rubéola congênita
Contra sarampo
Sarampo
de 6 a 10 anos
BCG
reforço
Formas graves de tuberculose
de 10 a 11 anos
dT (dupla adulto)
reforço
Difteria e tétano
Contra febre amarela
reforço
Difteria e tétano
de 12 a 49 anos
(mulher em idade fértil)
dT (dupla adulto)
reforço
Difteria e tétano
No pós-parto
e no pós-aborto
imediatos
Contra rubéola ou
Única
Rubéola e síndrome da rubéola
congênita
Dupla viral ou
Sarampo, rubéola e síndrome da
rubéola congênita
Tríplice viral
Sarampo, rubéola, síndrome da
rubéola congênita e caxumba
60 anos ou mais
Contra influenza (gripe)
Única
Influenza (gripe)
60 anos ou mais
(em hospitais, asilos
e casas geriátricas)
Contra pneumococos
(antipneumocócica)
Única
Infecções respiratórias
(pneumonias)

Drogas Antiinfecciosas: Usos e Efeitos Colaterais



Droga

Usos Comuns
Efeitos Colaterais

Antibióticos

Aminoglicosídeos Amicacina Gentamicina Canamicina Neomicina Estreptomicina Tobramicina

Infecções causadas por bactérias Gram-negativas (p.ex., Escherichia coli e Klebsiella)
• Perda de audição, vertigem e lesão renal

Cefalosporinas Cefaclor Cefadroxila Cefazolina Cefixima Cefoperazona Cefotaxima Cefotetano Cefoxitina Ceftazidima Ceftriaxona Cefuroxima Cefalexina Cefalotina Loracarbef
Ampla variedade de infecções
• Desconforto gastrointestinal e diarréia
• Náusea (quando com uso concomitante de álcool)
• Reações alérgicas

Macrolídeos Azitromicina Claritromicina Eritromicina Troleandomicina
Infecções estreptocócicas, sífilis, infecções respiratórias, infecções por micoplasmas, doença de Lyme
• Náusea, vômito e diarréia (especialmente em doses elevadas)
• Icterícia

Penicilinas Amoxicilina Ampicilina Azlocilina Carbenicilina Cloxacilina Mezlocilina Nafcilina Penicilina Piperacilina Ticarcilina
Ampla variedade de infecções A penicilina é usada contra infecções estreptocócicas, sífilis e doença de Lyme
• Desconforto gastrointestinal e diarréia
• Alergia com reações anafiláticas graves
• Lesões cerebrais e renais (raras)

Polipeptídeos Bacitracina Colistina Polimixina B
Infecções do ouvido, olho ou bexiga Normalmente aplicados diretamente no olho ou inalados até os pulmões; raramente administrados por injeção
• Lesões renais e nervosas (quando administrados sob a forma injetável)

Quinolonas Ciprofloxacina Enoxacina Norfloxacina Ofloxacina
Infecções do trato urinário, prostatite bacteriana, diarréia bacteriana, gonorréia
• Náusea (rara)

Sulfonamidas Mafenida Sulfacetamida Sulfametizol Sulfametoxazol Sulfasalazina
Sulfisoxazol Trimetoprimsul-fametoxazol

Infecções do trato urinário (excetuando-se a sulfacetamida e a mafenida); a mafenida é utilizada sob a forma tópica em queimaduras
• Náusea, vômito e diarréia
• Alergia (inclusive erupções cutâneas)
• Cristais na urina
• Insuficiência renal
• Diminuição da contagem leucocitária
• Sensibilidade à luz solar

Tetraciclinas Doxiciclina Minociclina Tetraciclina
Sífilis, infecções por clamídias, doença de Lyme, infecções por micoplasmas, infecções por riquétsias
• Desconforto gastrointestinal
• Sensibilidade à luz solar
• Pigmentação dos dentes
• Toxicidade potencial para a mãe e para o feto durante a gestação

Outros antibióticos Aztreonam
Infecções causadas por bactérias Gram-negativas
• Reações alérgicas

Cloranfenicol
Tifo e outras infecções por Salmonella, meningite
• Redução intensa da contagem leucocitária (rara)

Clindamicina
Infecções estreptocócicas, infecções respiratórias, abcesso pulmonar
• Diarréia intensa

Etambutol
Tuberculose
• Lesão ocular (reversível quando interrompida precocemente)

Imipenemo
Gama extremamente ampla de infecções
• Pressão arterial temporariamente baixa, convulsões

Isoniazida
Tuberculose
• Lesão hepática grave mas reversível
• Alergia

Lincomicina
Infecções estreptocócicas, infecções respiratórias
• Diarréia intensa

Metronidazol
Vaginite causada pelo Trichomonas ou pela Gardnerella, infecções pélvicas e abdominais
• Náusea
• Cefaléia
• Gosto metálico
• Urina escura

Nitrofurantoína
Infecções do trato urinário
• Náusea e vômito
• Alergia

Pirazinamida
Tuberculose
• Concentração sérica alta de ácido úrico

Outros antibióticos Rifampina
Tuberculose e hanseníase
• Erupção cutânea
• Hepatite
• Saliva, suor, lágrimas e urina de cor vermelho-alaranjada

Espectinomicina
Gonorréia
• Alergia
• Febre

Vancomicina
Infecções graves resistentes a outros antibióticos
• Calafrios e febre (quando administrada por via intravenosa)


Drogas antivirais

Aciclovir


Herpes simples, herpes-zoster e varicela (catapora)


• Confusão mental, convulsões ou coma (por infusão intravenosa)
• Poucos efeitos colaterais quando a droga é aplicada topicamente

Amantadina
Gripe (prevenção)
• Nervosismo
• Tontura
• Fala enrolada
• Oscilação

Didanosina (ddI)
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
• Lesão dos nervos periféricos, inflamação do pâncreas

Foscarnet
Infecções por citomegalovírus, herpes simples
• Lesão renal
• Convulsões

Ganciclovir
Infecções por herpes-zoster, herpes simples e citomegalovírus
• Tóxico para os precursores das células sangüíneas da medula óssea, resultando em anemia e distúrbios da coagulação

Idoxuridina
Feridas de herpes simples na pele ou nos olhos
• Irritação, dor e edema (quando aplicada nos olhos ou nas pálpebras)

Indinavir
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
• Cálculos renais

Interferon-alfa
Leucemia das células pilosas, sarcoma de Kaposi, verrugas genitais
• Sintomas semelhantes aos do resfriado (febre, dores musculares, cefaléia, cansaço)
• Náusea e diarréia

Lamivudina (3TC)
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
• Lesão dos nervos periféricos, perda de cabelo

Ribavirina
Infecção pelo vírus sincicial respiratório
• Destruição de eritrócitos, causando anemia

Rimantadina
Gripe (prevenção)
• Menos efeitos colaterais que a amantadina

Ritonavir
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
• Náusea, vômito e diarréia

Saquinavir
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)

Estavudina (d4T)
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
• Lesão de nervos periféricos

Trifluridina
Herpes simples do olho
• Ardência nos olhos
• Inchaço das pálpebras

Vidarabina
Herpes simples e herpes-zoster Infecção do olho: aplicação direta Infecção cerebral: infusão intravenosa
• Náusea e vômito
• Tremores (infusão intravenosa)
• Lesão do fígado e da medula óssea
• Poucos efeitos colaterais quando a droga é usada topicamente

Zalcitabina (ddC)
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
• Lesão de nervos periféricos

Zidovudina (AZT)
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
• Tóxica para os precursores das células sangüíneas da medula óssea, resultando em anemia e distúrbios da coagulação

Drogas antifúngicas

Anfotericina B
Ampla variedade de infecções fúngicas
• Calafrios, febre, cefaléia e vômito
• Concentração sérica baixa de potássio
• Lesão renal

Fluconazol
Candida e outras infecções fúngicas
• Menor toxicidade hepática que o cetoconazol

Flucitosina
Infecções por Candida e Cryptococcus
• Lesão da medula óssea e do rim

Griseofulvina
Infecções fúngicas de pele, cabelo e unhas
• Erupções cutâneas

Itraconazol
Candida e outras infecções fúngicas
• Menor toxicidade hepática que o cetoconazol

Cetoconazol
Candida e outras infecções fúngicas
• Bloqueia a produção de testosterona e de cortisol
• Toxicidade hepática

Escolha de um Antibiótico

Os médicos podem escolher um antibiótico para tratar uma determinada infecção baseando-se na suposição sobre o tipo de bactéria que mais provavelmente é responsável pelo quadro. Além disso, a bactéria infectante é rotineiramente identificada em laboratório, o que auxilia o médico na escolha de um antibiótico. Contudo, os resultados desses exames geralmente levam um a dois dias para ficarem prontos e, por essa razão, eles não podem ser utilizados para guiar a escolha inicial. Mesmo quando uma bactéria é identificada e a sua sensibilidade aos antibióticos é determinada em laboratório, a escolha de um antibiótico não é simples. As sensibilidades observadas em laboratório nem sempre são as mesmas que aquelas do indivíduo infectado.

A eficácia do tratamento depende de fatores como o quão bem a droga é absorvida pela corrente sanguínea, o quanto da droga atinge diferentes líquidos corpóreos e o quão rapidamente o organismo elimina a droga. Além disso, a escolha de um antibiótico deve levar em conta a natureza e a gravidade da doença, os efeitos colaterais da droga, a possibilidade de alergias ou de outras reações medicamentosas graves e o custo da medicação. Algumas vezes, há necessidade de combinações de antibióticos para o tratamento de infecções graves, particularmente quando a sensibilidade das bactérias aos antibióticos não é conhecida. Às vezes, dois antibióticos têm um efeito mais potente que apenas um e essas combinações podem ser utilizadas no tratamento de infecções causadas por bactérias de difícil erradicação (p.ex., por Pseudomonas).

Administração de Antibióticos

Para o tratamento de infecções bacterianas graves, os antibióticos são geralmente administrados primeiramente sob a forma injetável, comumente pela via intravenosa. Quando a infecção encontra-se sob controle, os antibióticos podem ser administrados pela via oral. Os antibióticos devem ser utilizados até o microrganismo infectante ser eliminado do corpo, o que pode ocorrer dias após o desaparecimento dos sintomas.

A interrupção muito precoce do tratamento pode acarretar uma recidiva ou pode estimular o desenvolvimento de bactérias resistentes. Por essa razão, o antibiótico é comumente administrado durante vários dias após o desaparecimento de todas as evidências da infecção. Certos antibióticos são utilizados no tratamento de infecções causada por riquétsias (microrganismos microrganismos semelhantes às bactérias e aos vírus). As riquétsias são menores que as bactérias mas maiores que os vírus. Assim como os vírus, as riquétsias somente conseguem sobreviver no interior das células de um outro organismo, mas, assim como as bactérias, elas são vulneráveis aos antibióticos.

O cloranfenicol e as tetraciclinas são os antibióticos mais específicos contra infecções por riquétsias. Os antibióticos não são utilizados apenas no tratamento de infecções, eles também o são na prevenção. Para ser eficaz e evitar a ocorrência de resistência bacteriana, a antibioticoterapia preventiva (profilática) precisa ser utilizada durante apenas um período curto e o antibiótico deve ser potente contra a bactéria em particular. Um exemplo de terapia preventiva consiste no uso de antibióticos durante uma viagem, para evitar a chamada diarréia dos viajantes. Os antibióticos também são freqüentemente utilizados preventivamente pelos indivíduos expostos a alguém com meningite meningocócica devido ao risco de infecção.

Os indivíduos com válvulas cardíacas anormais geralmente utilizam antibióticos preventivos rotineiramente antes de cirurgias, incluindo as cirurgias odontológicas. Eles apresentam maior risco de infecção de válvulas cardíacas (endocardite) causada por bactérias que existem normalmente na boca e em outras partes do corpo. Essas bactérias podem penetrar na corrente sangüínea durante a cirurgia e ser transportadas até as válvulas cardíacas lesadas. Os antibióticos também podem ser utilizados de forma preventiva por indivíduos com comprometimento do sistema imune como, por exemplo, os indivíduos com leucemia, os submetidos à quimioterapia contra o câncer ou os com AIDS.

Os indivíduos saudáveis que são submetidos a uma cirurgia com alto risco de infecção (p.ex. uma cirurgia ortopédica ou intestinal de grande porte) também podem utilizar antibióticos de modo preventivo. Infelizmente, os antibióticos são freqüentemente utilizados sem que exista uma boa razão para isto. Por exemplo, eles são freqüentemene utilizados erroneamente para tratar doenças virais (p.ex., gripes e resfriados).

Efeitos Colaterais

Os antibióticos podem causar reações alérgicas (como comumente ocorre com a penicilina) ou podem desencadear outros efeitos colaterais. Por exemplo, os aminoglicosídeos podem causar lesão renal ou do ouvido interno. A antibioticoterapia pode ser mantida apesar dos efeitos colaterais, especialmente quando o antibiótico é o único eficaz contra a infecção apresentada pelo indivíduo. O médico deve pesar a gravidade dos efeitos colaterais contra a gravidade da infecção.

Drogas Antivirais

As drogas antivirais podem atuar interferindo em qualquer um dos processos pelos quais um vírus passa para se replicar (reproduzir): adesão à célula, invasão da célula, eliminação de seu revestimento para liberar o seu material genético e produção de novas partículas virais por parte da célula. Como os vírus somente replicam no interior das celulas e utilizam as mesmas vias metabólicas que as células sadias, as drogas antivirais são freqüentemente mais tóxicas para as células humanas que os antibióticos. Um outro problema das drogas antivirais é que os vírus podem desenvolver rapidamente uma resistência contra as mesmas.

Drogas Antifúngicas

As drogas antifúngicas podem ser aplicadas diretamente na região onde existe uma infecção fúngica cutânea ou de outra superfície (p.ex., vagina ou mucosa oral). Os antifúngicos também podem ser utilizados sob a forma oral ou injetável. Geralmente, as drogas antifúngicas causam mais efeitos colaterais que os antibióticos. Elas também são geralmente menos eficazes e, por essa razão, as infecções fúngicas são de difícil tratamento e, freqüentemente, tornam-se crônicas. A terapia anti-fúngica comumente dura semanas e deve ser repetida.

fonte: Manual Merck